Esta é a quarta e última
parte da mensagem cujo título é “viver em Cristo”. Temos aprendido que viver em
Cristo é, conforme dito por Paulo, “viver
de uma maneira que esteja de acordo com o que Deus quis quando nos chamou”
(Ef 4:1). Concernente ao relacionamento entre cristãos, viver em Cristo
significa a mutualidade que deve existir em tal relacionamento.
Como já vimos, na
mutualidade entre irmãos cristãos da mesma fé, estes não devem julgar,
prejudicar, invejar e mentir uns aos outros. Porém, devem acolher, aconselhar,
suportar, pensar, consolar e servir uns aos outros.
Dando prosseguimento, viver
em Cristo é perdoar uns aos outros. Aos
cristãos da cidade de Éfeso, Paulo escreveu: “... perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo,
perdoou vocês” (Ef 4:32). Ora, por que Deus em sua Palavra ordena que
venhamos perdoar uns aos outros? Por que Deus sabe que inevitavelmente os seus
filhos vão “pisar na bola” uns com os outros.
Alguns tentam resolver
situações de conflitos com os irmãos de muitas maneiras erradas, tais como negando
que o problema existe “virando a cara” para o outro; ou “jogando a sujeira para
debaixo do tapete”, isto é, trocando de igreja; ou ainda demonstrando uma falsa
espiritualidade falando mal do outro para o pastor com o pretexto de alertá-lo
quanto ao perigo que representa, mas sem nenhuma intenção de resolver a situação
ou de buscar a reconciliação.
Porém, a única maneira de
Deus para solucionar uma situação de conflito relacional é o perdão. Perdoar é
não mais culpar o ofensor; é absolvê-lo no coração pelo mal praticado.
Somente é possível entender perfeitamente
o perdão dentro do contexto da nossa relação com Deus, pois em Cristo, mediante
a nossa fé nele, tivemos todos os nossos pecados perdoados pelo Pai. O perdão que recebemos de Deus em Jesus, não serve apenas
de exemplo, mas de razão necessária pela qual devemos
perdoar nossos ofensores. Por isso está escrito: “... perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo,
perdoou vocês” (Ef 4:32)
A falta de perdão não prejudica o ofensor, prejudica o ofendido.
Por esta razão, não devemos permitir que a falta de perdão se instale no
coração, pois se ali permanecer se transformará numa profunda raiz de amargura
que trará prejuízos à própria pessoa que se recusa em perdoar.
Viver em Cristo é também orar uns pelos outros. Tiago, em escreveu:
“... façam oração uns pelos outros...”
(Tg 5:16). Jesus também ordenou: “amai os
vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Se você não
consegue sinceramente perdoar alguém, um bom começo é orar por esta pessoa. A
oração pelo ofensor é o primeiro passo para o perdão.
Mas não devemos orar pelos
irmãos somente por causa do perdão e da reconciliação. Devemos orar uns pelos
outros por muitos outros motivos, pois precisamos da oração dos irmãos, uma vez
que, conforme ainda escreveu Tiago, “...
a oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder” (Tg 5:16). Pelas
orações do crente fiel Deus abençoa vidas e altera circunstâncias!
Por
fim, viver em Cristo é amar uns aos
outros. Jesus ordenou: “Novo mandamento
vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos
ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se
tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34, 35).
Quando perdoamos uns aos
outros e oramos uns pelos outros estamos demonstrando que também amamos de
verdade uns aos outros. Além disso, indubitavelmente, o amor fraternal é uma
das evidências da regeneração, do novo nascimento.
Devemos ser conscientes que
a prática do amor entre os irmãos em Cristo não ocorre em relações pessoais
perfeitas. Isso é uma utopia! Viver o amor de Cristo em nossos relacionamentos
é necessário, justamente porque somos imperfeitos.
Perceba que Jesus disse que
devemos amar uns outros assim como Ele
amou seus discípulos. Ele disse: “Eu
vos amei”. Quais discípulos ele amou? Para quem disse aquelas palavras? Amou
a Pedro sabendo que ele o negaria por três vezes. Amou a Judas sabendo que ele
já o havia traído por trinta moedas de prata. Amou todos os doze sabendo que a
Escritura previa que todos iriam fugir e abandoná-lo no momento de seu
aprisionamento. Foi para essas pessoas imperfeitas que Jesus disse: “eu vos amei”.
Jesus também disse: “Como eu vos amei”. Como Jesus os amou? Se humilhando fazendo-se homem, os servindo,
estando ao lado deles, os ensinando, suportando suas fraquezas, corrigindo suas
falhas, perdoando seus pecados, lavando seus pés, e, por fim, dando a vida por
cada um deles, e também por nós. Portanto, quando Jesus ordena “ameis uns aos outros; assim como eu vos
amei”, está ordenando amarmos pessoas que, embora compartilhem da mesma fé
que a nossa, são tão imperfeitos quanto nós mesmos.
O verdadeiro amor é aquele
que se manifesta em meio ao caos e às desavenças provocadas pelo ego humano. O
amor deve se manifestar justamente quando o relacionamento com um irmão não vai
bem, quando chateamos alguém ou somos chateados, conforme João escreveu: “Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser
somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra
por meio de ações” (I Jo 3:18). Por isso que o amor e o perdão caminham
juntos...
Portanto, viver em Cristo é
perdoar uns aos outros, é orar uns pelos outros, e amar uns aos outros. Este é
o modo de vida que se espera de um filho de Deus, de um discípulo de Jesus. Por
isso, “... andeis de modo digno da
vocação a que fostes chamados” (Ef 4:1).


