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sábado, 30 de junho de 2012

Viver em Cristo (4ª Parte) - Vivendo a mutualidade em amor


Esta é a quarta e última parte da mensagem cujo título é “viver em Cristo”. Temos aprendido que viver em Cristo é, conforme dito por Paulo, “viver de uma maneira que esteja de acordo com o que Deus quis quando nos chamou” (Ef 4:1). Concernente ao relacionamento entre cristãos, viver em Cristo significa a mutualidade que deve existir em tal relacionamento.

Como já vimos, na mutualidade entre irmãos cristãos da mesma fé, estes não devem julgar, prejudicar, invejar e mentir uns aos outros. Porém, devem acolher, aconselhar, suportar, pensar, consolar e servir uns aos outros.

Dando prosseguimento, viver em Cristo é perdoar uns aos outros. Aos cristãos da cidade de Éfeso, Paulo escreveu: “... perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês” (Ef 4:32). Ora, por que Deus em sua Palavra ordena que venhamos perdoar uns aos outros? Por que Deus sabe que inevitavelmente os seus filhos vão “pisar na bola” uns com os outros.

Alguns tentam resolver situações de conflitos com os irmãos de muitas maneiras erradas, tais como negando que o problema existe “virando a cara” para o outro; ou “jogando a sujeira para debaixo do tapete”, isto é, trocando de igreja; ou ainda demonstrando uma falsa espiritualidade falando mal do outro para o pastor com o pretexto de alertá-lo quanto ao perigo que representa, mas sem nenhuma intenção de resolver a situação ou de buscar a reconciliação.

Porém, a única maneira de Deus para solucionar uma situação de conflito relacional é o perdão. Perdoar é não mais culpar o ofensor; é absolvê-lo no coração pelo mal praticado.

Somente é possível entender perfeitamente o perdão dentro do contexto da nossa relação com Deus, pois em Cristo, mediante a nossa fé nele, tivemos todos os nossos pecados perdoados pelo Pai. O perdão que recebemos de Deus em Jesus, não serve apenas de exemplo, mas de razão necessária pela qual devemos perdoar nossos ofensores. Por isso está escrito: “... perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês” (Ef 4:32)
A falta de perdão não prejudica o ofensor, prejudica o ofendido. Por esta razão, não devemos permitir que a falta de perdão se instale no coração, pois se ali permanecer se transformará numa profunda raiz de amargura que trará prejuízos à própria pessoa que se recusa em perdoar.

Viver em Cristo é também orar uns pelos outros. Tiago, em escreveu: “... façam oração uns pelos outros...” (Tg 5:16). Jesus também ordenou: “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Se você não consegue sinceramente perdoar alguém, um bom começo é orar por esta pessoa. A oração pelo ofensor é o primeiro passo para o perdão.

Mas não devemos orar pelos irmãos somente por causa do perdão e da reconciliação. Devemos orar uns pelos outros por muitos outros motivos, pois precisamos da oração dos irmãos, uma vez que, conforme ainda escreveu Tiago, “... a oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder” (Tg 5:16). Pelas orações do crente fiel Deus abençoa vidas e altera circunstâncias!

Por fim, viver em Cristo é amar uns aos outros. Jesus ordenou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34, 35).

Quando perdoamos uns aos outros e oramos uns pelos outros estamos demonstrando que também amamos de verdade uns aos outros. Além disso, indubitavelmente, o amor fraternal é uma das evidências da regeneração, do novo nascimento.

Devemos ser conscientes que a prática do amor entre os irmãos em Cristo não ocorre em relações pessoais perfeitas. Isso é uma utopia! Viver o amor de Cristo em nossos relacionamentos é necessário, justamente porque somos imperfeitos.

Perceba que Jesus disse que devemos amar uns outros assim como Ele amou seus discípulos. Ele disse: “Eu vos amei”. Quais discípulos ele amou? Para quem disse aquelas palavras? Amou a Pedro sabendo que ele o negaria por três vezes. Amou a Judas sabendo que ele já o havia traído por trinta moedas de prata. Amou todos os doze sabendo que a Escritura previa que todos iriam fugir e abandoná-lo no momento de seu aprisionamento. Foi para essas pessoas imperfeitas que Jesus disse: “eu vos amei”.

Jesus também disse: “Como eu vos amei”. Como Jesus os amou? Se humilhando fazendo-se homem, os servindo, estando ao lado deles, os ensinando, suportando suas fraquezas, corrigindo suas falhas, perdoando seus pecados, lavando seus pés, e, por fim, dando a vida por cada um deles, e também por nós. Portanto, quando Jesus ordena “ameis uns aos outros; assim como eu vos amei”, está ordenando amarmos pessoas que, embora compartilhem da mesma fé que a nossa, são tão imperfeitos quanto nós mesmos.

O verdadeiro amor é aquele que se manifesta em meio ao caos e às desavenças provocadas pelo ego humano. O amor deve se manifestar justamente quando o relacionamento com um irmão não vai bem, quando chateamos alguém ou somos chateados, conforme João escreveu: “Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações” (I Jo 3:18). Por isso que o amor e o perdão caminham juntos...

Portanto, viver em Cristo é perdoar uns aos outros, é orar uns pelos outros, e amar uns aos outros. Este é o modo de vida que se espera de um filho de Deus, de um discípulo de Jesus. Por isso, “... andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4:1).

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Viver em Cristo (3ª parte) - Vivendo a mutualidade em amor

Temos aprendido aqui nesse espaço que dentre os muitos significados que abrangem a expressão “viver em Cristo”, um deles se refere ao relacionamento mútuo entre os cristãos. Dentro desse contexto da mutualidade cristã, vimos que o Novo Testamento demonstra que viver em Cristo é, negativamente, não julgar, não prejudicar, não invejar e não mentir uns aos outros, e, positivamente é acolher, aconselhar e suportar uns aos outros.

Dando prosseguimento a este importante ensino bíblico, viver em Cristo é pensar uns nos outros. O autor da carta aos Hebreus escreveu: “Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem” (Hb 10:24). Está dizendo que cada discípulo de Jesus deve dar atenção ao bem-estar espiritual de seus irmãos na fé.

Este pensar ou considerar no outro tem um claro objetivo: “para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. Ora, este objetivo não é egoísta, mas altruísta. Não é pensar o que podemos obter do outro, mas pensar no outro para ajudá-lo a ser útil na vida das outras pessoas.

Jesus exibia esta atitude a todo instante com os seus discípulos. Certa vez, após eles terem discutido sobre qual deles era o mais importante, Jesus respondeu: “... quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Mc 10:43, 44). Esta é uma atitude contrária de sermos tropeço na vida dos outros por meio das murmurações, fofocas, intrigas, mágoas, rancores, invejas, ciúmes, competição por cargos ou visibilidade.

Viver em Cristo também é consolar uns aos outros. O apóstolo Paulo, na sua carta para os cristãos de Tessalônica, recomendou: “Consolai-vos, pois, uns aos outros...” (I Ts 4:18 a). “Consolar” aqui tem o sentido de advogar, isto é, pleitear a causa de outra pessoa. Também tem o sentido de “alguém chamado para ajudar ao lado do outro”.

Paulo escreve aquelas palavras porque os cristãos tessalonicenses achavam que nunca mais iriam rever seus amigos e irmãos crentes que haviam falecido. Paulo então explica que quando Cristo vier buscar a sua Igreja, todos os que morreram tendo a Ele como Senhor e Salvador, ressuscitarão e serão unidos aos crentes que estiverem vivos na terra, de modo que, os dois grupos juntos serão levados para o céu para estarem para sempre com Jesus. Então, os cristãos tessalonicenses deveriam consolar-se mutuamente com esta verdade. Esse contexto deve nos levar a uma profunda reflexão: o quanto temos estado ao lado daqueles que sofrem para levar consolo, conselho e encorajamento?

Mas aí alguém pode dizer: “Mas como posso consolar alguém se eu mesmo estou enfrentando um monte problemas?”. Então a Palavra de Deus nos responde por meio do mesmo Paulo: “É ele [Deus] que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (II Co 1:4).

Por fim, viver em Cristo é servir uns aos outros, conforme o apóstolo Pedro escreveu: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (I Pd 4:10). Aqui, temos um chamado a sair de nós mesmos e dos nossos problemas para nos dedicar aos outros por meio dos dons que temos recebido de Deus.

Os dons são capacidades que Deus nos concede por meio do Espírito Santo para que, através deles, sirvamos uns aos outros. Além disso, devemos compreender que a função dos dons é servir ao outro, não o engrandecimento próprio.

Jesus, no último dia com seus discípulos, na última refeição que fez com eles, após lavar e enxugar os pés de cada um, disse a eles: “... Vocês entenderam o que eu fiz? Vocês me chamam de “Mestre” e de “Senhor” e têm razão, pois eu sou mesmo. Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros. Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz” (Jo 13:12-15).

Jesus não estava instituindo um ritual de “lava-pés”, mas dando um exemplo de serviço mútuo que deseja que prestemos uns aos outros em amor. Saiba que há muitas maneiras de você “lavar os pés” dos seus irmãos de acordo com os dons que você recebeu de Deus.

Portanto, aprendemos mais um pouco sobre o significado de “viver em Cristo” no contexto do relacionamento cristão. Viver em Cristo é pensar, consolar e servir uns aos outros. Este é o modo de vida que se espera de um filho de Deus, de um discípulo de Jesus. Desse modo, “... andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4:1).

terça-feira, 5 de junho de 2012

Viver em Cristo (2ª parte) - Vivendo a mutualidade em amor

Após analisarmos à luz do Novo Testamento o significado de viver em Cristo no aspecto negativo – não julgar, não prejudicar, não invejar e não mentir uns aos outros – a partir de agora veremos o seu aspecto positivo, ou seja, o que devemos fazer uns aos outros.

Mas antes, vale lembrar o que Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Éfeso: “... peço a vocês que vivam de uma maneira que esteja de acordo com o que Deus quis quando chamou vocês” (Ef 4:1). “Viver de acordo com o que Deus quer” significa “viver em Cristo”. Este viver em Cristo, por sua vez, possui um duplo significado: com relação a Jesus, “viver em Cristo” significa nossa ligação espiritual e vital com Ele; e com relação aos irmãos, dentre muitas coisas, “viver em Cristo” também significa a maneira como devemos nos relacionar uns com os outros.

A respeito desse significado em relação aos irmãos, primeiramente, viver em Cristo é acolher uns aos outros: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15:7). Devemos acolher ou aceitar todos os irmãos, cada um com seu “jeitinho”.

Porém, infelizmente, duas coisas impedem muitos de obedecerem este mandamento: a dificuldade das pessoas em lidar com o diferente e o problema do fenômeno da “primeira impressão”, isto é, o juízo rápido que fazemos de outra pessoa com bem pouca ou nenhuma informação sobre ela, logo ao conhecê-la. O problema é que o grau de exatidão dos juízos que formamos sobre os outros assim que os conhecemos é muito baixo. Em outras palavras... Erramos feio sobre o que achamos de alguém assim que vemos essa pessoa pela primeira vez.

Devemos aceitar e acolher uns aos outros “como também Cristo nos acolheu...”. Jesus recebeu e acolheu a cada um de nós, sendo Ele mais elevado do que nós. Acolher ou aceitar um irmão é muito mais que “tolerá-lo”. Jesus meramente nos tolera? Não! Jesus nos ama!


Em segundo lugar, viver em Cristo é aconselhar uns aos outros, conforme Paulo também escreveu: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros” (Rm 15:14). “Admoestar” aqui significa dar conselhos. Aconselhar e ajudar são atitudes melhores e mais corretas que julgar, criticar e falar mal.

Porém, conforme o texto citado acima, o aconselhamento mútuo pressupõe dois aspectos: “Possuídos de bondade”, isto é, o que aconselha precisa ter um coração bondoso, coração livre de mágoas, rancores e ressentimento. Não pode ser uma pessoa vingativa, que tem facilidade em guardar mágoas no coração. Não pode também ser uma pessoa fofoqueira, que fala muito, que fala pelos cotovelos. Quem aconselha, antes de falar, deve em primeiro lugar ser um bom ouvinte: “Quem responde antes de ouvir mostra que é tolo e passa vergonha” (Pv 18:13).

O outro aspecto do aconselhamento, “possuídos de conhecimento”, significa que o que aconselha deve ter conhecimento suficiente para admoestar os outros. Todavia, este conhecimento é aquele que procede de Deus, da sua Palavra.

Por fim, viver em Cristo é suportar uns aos outros: “Sejam sempre humildes, bem educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor” (Ef 4:2). “Suportar” aqui não significa “dar suporte” a alguém, no sentido de prestar ajuda. No grego a palavra significa ter paciência com a fraqueza do outro, não deixando de amá-lo devido alguma falta que cometeu contra nós.

“Suportar uns aos outros” é preciso, pois “pisamos na bola” uns com os outros, erramos e falhamos com os irmãos, e eles conosco... Então precisamos perdoar e exercer grande paciência para com aqueles que falham com a gente. Ora, não é isso que Jesus faz conosco todos os dias? Mas isso é somente possível para os que estão repletos do amor de Deus.

Portanto, viver em Cristo é acolher, aconselhar e suportar uns aos outros. Este é o modo de vida que se espera de um filho de Deus, de um discípulo de Jesus.