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terça-feira, 5 de junho de 2012

Viver em Cristo (2ª parte) - Vivendo a mutualidade em amor

Após analisarmos à luz do Novo Testamento o significado de viver em Cristo no aspecto negativo – não julgar, não prejudicar, não invejar e não mentir uns aos outros – a partir de agora veremos o seu aspecto positivo, ou seja, o que devemos fazer uns aos outros.

Mas antes, vale lembrar o que Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Éfeso: “... peço a vocês que vivam de uma maneira que esteja de acordo com o que Deus quis quando chamou vocês” (Ef 4:1). “Viver de acordo com o que Deus quer” significa “viver em Cristo”. Este viver em Cristo, por sua vez, possui um duplo significado: com relação a Jesus, “viver em Cristo” significa nossa ligação espiritual e vital com Ele; e com relação aos irmãos, dentre muitas coisas, “viver em Cristo” também significa a maneira como devemos nos relacionar uns com os outros.

A respeito desse significado em relação aos irmãos, primeiramente, viver em Cristo é acolher uns aos outros: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15:7). Devemos acolher ou aceitar todos os irmãos, cada um com seu “jeitinho”.

Porém, infelizmente, duas coisas impedem muitos de obedecerem este mandamento: a dificuldade das pessoas em lidar com o diferente e o problema do fenômeno da “primeira impressão”, isto é, o juízo rápido que fazemos de outra pessoa com bem pouca ou nenhuma informação sobre ela, logo ao conhecê-la. O problema é que o grau de exatidão dos juízos que formamos sobre os outros assim que os conhecemos é muito baixo. Em outras palavras... Erramos feio sobre o que achamos de alguém assim que vemos essa pessoa pela primeira vez.

Devemos aceitar e acolher uns aos outros “como também Cristo nos acolheu...”. Jesus recebeu e acolheu a cada um de nós, sendo Ele mais elevado do que nós. Acolher ou aceitar um irmão é muito mais que “tolerá-lo”. Jesus meramente nos tolera? Não! Jesus nos ama!


Em segundo lugar, viver em Cristo é aconselhar uns aos outros, conforme Paulo também escreveu: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros” (Rm 15:14). “Admoestar” aqui significa dar conselhos. Aconselhar e ajudar são atitudes melhores e mais corretas que julgar, criticar e falar mal.

Porém, conforme o texto citado acima, o aconselhamento mútuo pressupõe dois aspectos: “Possuídos de bondade”, isto é, o que aconselha precisa ter um coração bondoso, coração livre de mágoas, rancores e ressentimento. Não pode ser uma pessoa vingativa, que tem facilidade em guardar mágoas no coração. Não pode também ser uma pessoa fofoqueira, que fala muito, que fala pelos cotovelos. Quem aconselha, antes de falar, deve em primeiro lugar ser um bom ouvinte: “Quem responde antes de ouvir mostra que é tolo e passa vergonha” (Pv 18:13).

O outro aspecto do aconselhamento, “possuídos de conhecimento”, significa que o que aconselha deve ter conhecimento suficiente para admoestar os outros. Todavia, este conhecimento é aquele que procede de Deus, da sua Palavra.

Por fim, viver em Cristo é suportar uns aos outros: “Sejam sempre humildes, bem educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor” (Ef 4:2). “Suportar” aqui não significa “dar suporte” a alguém, no sentido de prestar ajuda. No grego a palavra significa ter paciência com a fraqueza do outro, não deixando de amá-lo devido alguma falta que cometeu contra nós.

“Suportar uns aos outros” é preciso, pois “pisamos na bola” uns com os outros, erramos e falhamos com os irmãos, e eles conosco... Então precisamos perdoar e exercer grande paciência para com aqueles que falham com a gente. Ora, não é isso que Jesus faz conosco todos os dias? Mas isso é somente possível para os que estão repletos do amor de Deus.

Portanto, viver em Cristo é acolher, aconselhar e suportar uns aos outros. Este é o modo de vida que se espera de um filho de Deus, de um discípulo de Jesus.

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