A comunicação é fundamental para a manutenção de qualquer relacionamento pessoal, tanto mais quando se trata do relacionamento conjugal. Definitivamente, sem comunicação não há relacionamento. Comunicar-se adequadamente, no entanto, não é uma tarefa sempre fácil. É uma tarefa que dela depende a sobrevivência ou a morte de nossas relações pessoais. Não é por acaso que Provérbios, o livro da sabedoria, diz que “a morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18:21).
Quando conversamos com outra pessoa, há seis mensagens que podem ser transmitidas:
O que você quer dizer.
O que você realmente diz.
O que a outra pessoa ouve.
O que a outra pessoa pensa que ouve.
O que a outra pessoa diz acerca do que você disse.
O que você acha que a outra pessoa disse acerca do que você disse.
Para que haja uma boa comunicação, primeiramente precisamos aprender ouvir o outro. Ouvir significa que, quando alguém está falando, você não está pensando sobre o que vai dizer quando o outro parar de falar. Pelo contrário, você está totalmente sintonizado naquilo que outra pessoa está dizendo. Ouvir vai além de dizer: “Estou ouvindo você”, e sim, afirmar: “Estou ouvindo o que você quer dizer”.
O grande problema na comunicação é quando maridos e esposas estão excessivamente preocupados em transmitir suas idéias. Então, deixam de ouvir a outra pessoa. Para compreendermos verdadeiramente o outro precisamos ter a capacidade de nos comunicar com ela.
Para desenvolvermos uma boa comunicação no casamento é preciso observarmos algumas atitudes que trarão benefícios incalculáveis ao relacionamento conjugal.
Primeiramente, não evite o conflito usando o tratamento do silêncio. Alguns usam o “tratamento do silêncio” como forma de evitar a controvérsia; ou como arma para controlar, frustrar, ou manipular seus cônjuges; ou para descontar a sua profunda mágoa; ou ainda como escape do medo de tratar do problema à sua frente. O cônjuge que tem mais facilidade para falar deve criar um clima de aceitação e não ameaçador para que o cônjuge silencioso comece a falar e a comunicação seja restabelecida.
O casal também precisar atacar o problema, e não um ao outro. Ao invés de atacar o problema, muitos casais atacam-se mutuamente com insinuações, censuras e outros comentários “afiados” tais como citações do passado, referências a parentes do lado do seu cônjuge, referências à aparência do outro, e cenas dramáticas – alto grau de emotividade, explosões de lágrimas e ameaças – a fim de manipular a outra pessoa.
Outra atitude importante é não fugir do assunto. Precisam sempre estar atentos àquilo sobre o que estão discutindo e não fugir daquele assunto. Não devem inserir questões irrelevantes ou sem importância que apenas os levarão cada vez mais distantes de uma solução e que contribuirão para ferirem ainda mais um ao outro.
Juntar soluções às críticas é outra medida fundamental na comunicação que visa a resolução de problemas. Ao criticar seu cônjuge, juntamente com a crítica ofereça ao mesmo tempo a solução para o problema. A respeito disso, o apóstolo Paulo sabiamente instruiu: “... paremos de criticar uns aos outros. Pelo contrário, cada um de vocês resolva não fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar ou cair em pecado” (Rm 14:13).
Maridos e mulheres precisam também se esforçar para tentar compreender, mais do que serem compreendidos. Gaste tanto tempo e esforço tentando compreender o ponto de vista do seu cônjuge quanto você gasta tentando fazê-lo compreender o seu, pois talvez haja uma razão boa e genuína para a crença, as ações e os hábitos de seu cônjuge. Além disso, cada pessoa vem de educação e ambiente familiares diferentes, de modo que, o outro traz essa educação para dentro de seu relacionamento conjugal.
Por fim, comuniquem-se diariamente com Deus por meio da oração. Orem um pelo outro em particular e, se puder, orem juntos. Todas estas excelentes ideias aqui expostas serão inúteis se o casal negligenciar a prática da oração. Isso, por uma razão bem simples: no casamento deve haver três pessoas envolvidas: Deus, o marido e a esposa.
Se houver uma queda na comunicação entre um dos membros e Deus, isso afetará a comunicação entre a pessoa e seu cônjuge. Se houver uma quebra na comunicação entre uma pessoa e seu cônjuge, isso afetará a sua comunicação com Deus. Esta é uma das razões de Pedro advertir aos maridos para que cuidem e tratem bem suas mulheres “para que não se interrompam as vossas orações” (I Pd 3:7). Portanto, precisamos trabalhar para que todos estes canais de comunicação estejam abertos o tempo todo.
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Fonte:
WRIGHT, Norman H. Comunicação: A Chave Para seu Casamento. 3. ed. São Paulo: Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1990.

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