Davi, que além de rei e profeta era músico, no cântico do Salmo 32 descreve o efeito terapêutico da confissão de nossas falhas que confessamos a Deus. Precisamos confessar nossos pecados a Deus, pois assim obtemos seu perdão, a restauração e a manutenção do nosso relacionamento com Ele.
No referido Salmo, Davi começa declarando que é feliz aquele que confessa seus pecados a Deus: “Feliz aquele cujas maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga! Feliz aquele que o SENHOR Deus não acusa de fazer coisas más e que não age com falsidade!” (vs. 1 e 2). O pecado não confessado faz pesar em nossa consciência um sentimento de culpa esmagador. Porém, quando confessamos a Deus o pecado cometido, Ele perdoa a nossa dívida, a nossa falta. Então, o sentimento e a convicção do perdão oferecido gera em nós imensa felicidade! Maior felicidade sentimos ainda quando compreendemos que Deus nos perdoa pela sua graça, isto é, pelo seu favor imerecido, uma vez que não merecemos o seu perdão.
Por outro lado, a falta de confissão traz adoecimentos à nossa vida. Davi relata a sua própria experiência pessoal de como adoeceu por não confessar determinado pecado: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (vs. 3 e 4).
O sentimento de culpa pelo pecado não confessado nos adoece espiritualmente porque nossa comunhão com Deus fica comprometida pelo pecado que nos separa dele. Adoece-nos também emocionalmente porque o sentimento de culpa gera todo tipo de ansiedade, estresse, medo, vergonha e preocupações diversas. E, por fim, nos adoece fisicamente porque tal estado emocional pode afetar o corpo de muitas maneiras gerando todo tipo de enfermidades físicas chamadas psicossomáticas cujos sintomas podem ser dores de cabeça, gastrites, úlceras estomacais (que mais tarde podem se transformar em tumores), aumento da pressão arterial, taquicardia, infarto e dores diversas.
Após encontrar-se adoecido, Davi testemunha que resolveu confessar seu pecado a Deus: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado” (vs. 5). Gosto dessas palavras também descritas pela Nova Tradução da Linguagem de Hoje: “Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados”. A confissão é uma decisão!
A confissão é uma decisão pessoal que está fundamentada basicamente em três verdades: Primeiramente, a confissão do pecado deve ser feita diretamente a Deus, e não a santos que já morreram, ou a outros deuses ou algum sacerdote humano. Depois, a confissão do pecado deve ser seguida de real arrependimento e abandono de pecado. Do contrário, a confissão não será verdadeira, senão meras palavras soltas ao vento. Por último, precisamos distinguir a confissão que fazemos na salvação daquela que fazemos para nossa santificação. A confissão dos pecados para salvação ocorre apenas uma vez quando aceitamos Jesus como nosso Salvador. Mas, depois de salvos, temos que confessar nossos pecados a Deus todas as vezes que pecamos para mantermos vivo o nosso relacionamento com Ele.
O poder terapêutico da confissão não ocorre somente quando confessamos nossos pecados a Deus, mas também quando confessamos aos outros as faltas que cometemos contra eles. Sobre essa confissão Tiago escreveu: “... confessem os seus pecados uns aos outros... para que vocês sejam curados...” (Tg 5:16).
Portanto, nós que necessitamos do perdão de Deus, observemos o que o apóstolo João escreveu em sua primeira carta, “... se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é correto: ele perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda maldade...; se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que faz o que é correto; ele nos defende diante do Pai. É por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados” (I Jo 1:9; 2:1b, 2a).

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