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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eu quero, e quero agora!

Atualmente as pessoas estão desaprendendo a esperar e a ter mais paciência. É a geração do “instantâneo”, do “imediato”, do “agora”. Nos fasts food, a refeição é entregue em segundos. Restaurantes em apenas alguns minutos entregam a comida na casa do cliente. Transações bancárias são realizadas de qualquer lugar por meio do computador pessoal. Nada de filas! Compras também são feitas sem sair de casa através da internet. E, por meio dela, a comunicação entre as pessoas já não demora horas, dias ou semanas. Os pais matam a preocupação pelos filhos que saem à noite, pois o telefone celular possibilita saber que está tudo bem com eles com apenas uma ligação. Este é o mundo que vivemos: informações rápidas e a saciação das necessidades em questão de segundos.

Sem dúvida alguma, todos estes recursos facilitam muito a agitada vida moderna. Porém, tais avanços podem estar cooperando para a formação de uma sociedade imediatista que não sabe esperar. Basta ver a impaciência das pessoas no trânsito, nas filas e nos balcões de atendimento. Impaciência muitas vezes seguida de violência física e verbal.

Somada a este imediatismo está a perda de valores e princípios destas últimas décadas. Não é sem razão que as pessoas também têm sido imediatistas em suas relações. Infelizmente tem se tornado comum os relacionamentos descartáveis onde são “puladas” fases importantes da vida, tais como o namoro, noivado e casamento. Estamos assistindo a um fenômeno social que está destruindo vidas e famílias inteiras. Adolescentes cada vez mais iniciam sua vida sexual precocemente. Ao invés de namorar compromissadamente preferem “ficar” como se as pessoas fossem objetos que podem ser descartados. O resultado são milhares de crianças-mães que se espalham pela nação.

Quando mais jovens, assim que se apaixonam por alguém logo vão morar juntos, sem casarem-se formalmente perante Deus e a sociedade. Um relacionamento que não pode ser classificado nem como “namoro” nem como “casamento”. Além disso, impacientemente “juntam-se” sem conhecerem bem um ao outro. Esta é a receita perfeita para o fracasso de qualquer relação amorosa, principalmente quando há filhos envolvidos.

O divórcio também têm se tornado comum em nossa sociedade. O divórcio é resultado da falsa idéia de que se o casamento está passando por adversidades, não vale a pena esperar e lutar pela sua reconstrução. Enganosamente acham que o divórcio é a solução imediata para os problemas enfrentados. Todas estas questões relacionais são resultado do imediatismo do homem moderno que está em busca de um prazer total e imediato, custe o que custar. Nesta busca desenfreada, Deus e sua vontade são deixados de lado.

E por falar em Deus, por incrível que pareça, a impaciência está também presente na espiritualidade das pessoas. Muitos buscam a Deus exercendo uma fé que não sabe esperar. Crêem em Deus e o buscam pela fé, todavia, é uma falsa fé caracterizada pela impaciência. Exigem que Deus resolva seus problemas “aqui e agora”. A verdadeira fé em Deus é aquela que sabe esperar em Deus. Bem disse Davi no Salmo 40: “Esperei com paciência pela ajuda de Deus, o SENHOR. Ele me escutou e ouviu o meu pedido de socorro” (Sl 40:1). Precisamos desta fé paciente. Paciência e fé que juntas estão comprometidas com a vontade de Deus. Somente assim é possível viver uma vida saudável, feliz e abençoada por Deus.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Misericórdia somente para os misericordiosos

Uma das virtudes que mais carecemos em nosso mundo é a misericórdia. Os homens são individualistas, vingativos e desconhecem o poder terapêutico do perdão. Por esta razão, ser misericordioso é algo tão raro e maravilhoso que Jesus disse certa vez: “Bem-aventurados os misericordiosos...” (Mt 5:7), ou seja, mais do que felizes são as pessoas misericordiosas.

Ser misericordioso pode possuir dois significados. O primeiro significado é possuir compaixão e sensibilidade para prover socorro aos que não tem possibilidade de ajudar a si mesmos.

A parábola do bom samaritano contada por Jesus em Lucas 10 é a descrição perfeita da prática desta misericórdia. Nessa história um samaritano (que era odiado pelos judeus) socorre um judeu moribundo que fora vítima de um assalto provendo-lhe remédios e hospedagem, tudo por sua conta. Uma lição e tanto de misericórdia sendo exercida em favor daqueles que nos odeiam.

O segundo significado para misericórdia refere-se àqueles que estão conscientes de serem indignos da misericórdia de Deus e que, não fosse por essa misericórdia seriam pecadores condenados (a misericórdia de Deus em nosso favor significa não nos punir segundo os castigos que merecemos). Em razão disto, refletem esta misericórdia aos outros. E é exatamente isto o que Deus espera de nós: que perdoemos aos outros assim como Ele em Cristo também nos perdoou (Mt 18:23-35; I Pd 3:8, 9).

O resultado em sermos misericordiosos é a promessa feita por Jesus: “... alcançarão misericórdia”. Quanto mais formos misericordiosos, mais a misericórdia de Deus se estenderá a nós. Então, o que estamos esperando? Vamos espalhar a misericórdia a todas as pessoas, vamos espalhar o amor e o perdão para todos ao nosso redor... Assim, seremos a cada dia mais parecidos com Jesus...

sábado, 18 de junho de 2011

Trabalho infantil, não. Exploração infantil na TV, sim.

No Brasil o trabalho infantil é proibido, porém, não é proibida a exposição de crianças pequenas em programas de auditório que são usadas - às vezes até com certa dose de erotização - como fonte de lucro para seus pais e para as emissoras de TV. Um absurdo!

Exploração como esta, com certeza, não agrada o coração de Deus. Os que promovem a exploração midiática de crianças em prol do enriquecimento próprio estão afastando estes pequeninos de Jesus, em razão disso, tais pessoas um dia terão de prestar contas a Deus. Jesus, ao contrário do que fazem as emissoras de televisão, sempre valorizou as crianças. Por isso disse: "Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso..." (Mt 19:14).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Fome e sede de justiça

O mundo em que vivemos é um mundo repleto de injustiça. Vemos a injustiça por todos os lados impregnada na sociedade. Por mais que os homens se esforcem para promover a justiça através das leis que nós mesmos criamos, ainda assim a injustiça se faz presente, seja pela não aplicação das leis, seja pelas falhas das próprias leis. Indignamo-nos ao nos deparar com a injustiça social espalhada por todos os cantos, gememos ao vermos criminosos escapando da justiça, e ficamos perplexos quando inocentes pagam por crimes que não cometeram.

Tanta injustiça nos dá fome e sede por justiça. Jesus falou a respeito disto: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça...” (Mt 5:6). Esta justiça referida por Jesus possui dois significados. O primeiro deles é a justiça moral e social. A justiça moral aponta para o caráter e a conduta que agradam a Deus. Sobre esta justiça moral escreveu Davi no Salmo 15:

“Ó Senhor Deus, quem tem o direito de morar no teu Templo? Quem pode viver no teu monte santo? Só tem esse direito aquele que vive uma vida correta, que faz o que é certo e que é sincero e verdadeiro no que diz. Ele não fala mal dos outros, não prejudica os seus amigos e não espalha boatos a respeito dos seus vizinhos. Ele despreza aqueles que o Senhor rejeita, mas trata com respeito os que o temem. Ele cumpre o que promete, mesmo com prejuízo próprio, empresta sem cobrar juros e não aceita suborno para ser testemunha contra pessoas inocentes. Aquele que age assim estará sempre seguro”.

Por sua vez, a justiça social é a busca pela libertação dos oprimidos e a promoção dos direitos humanos. Deus condenou enfaticamente a injustiça social em Israel: “Vocês exploram os pobres e cobram impostos injustos das suas colheitas. Por isso, vocês não vão viver nas casas luxuosas que construíram, nem chegarão a beber o vinho das belas parreiras que plantaram” (Am 5:11). Indubitavelmente, os que promovem a injustiça social um dia terão que prestar contas a Deus.

O segundo significado para a injustiça mencionada por Jesus diz respeito ao desejo por ver o triunfo final de Deus sobre o mal e o seu Reino estabelecido. É a satisfação em avançar e não bloquear os propósitos de Deus. Sim, um dia Deus cumprirá todos os seus propósitos no Universo e na vida dos homens. Então sua justiça será totalmente estabelecida. Os últimos capítulos do livro bíblico do Apocalipse descrevem o estabelecimento desta justiça divina sobre tudo e sobre todos. Por fim, Jesus promete que os que têm fome e sede de justiça, estes, um dia “... serão fartos” dela. Sim, pode acreditar!

A Deus seja a glória!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mundo virtual X mundo digital

Quando o assunto é tecnologia, lembro-me que em minha infância e adolescência vivíamos numa época bem diferente. Para fazer pesquisa de um trabalho escolar tínhamos que consultar as bibliotecas da escola ou da prefeitura. Quando batia a saudade de alguém distante, quem não tinha telefone (meio de comunicação caro de uns poucos privilegiados), recorria às cartas. Eu mesmo escrevi muitas cartas para parentes e amigos. Meu primeiro emprego foi numa instituição financeira, e, imagine só, naquela época, a maioria dos bancos não tinha um sistema informatizado. Usava-se telégrafo! Um dos principais instrumentos de trabalho nos escritórios eram as máquinas de escrever. Feliz o sujeito que possuía uma elétrica! Havia até cursinho de datilografia! E qual professor não se lembra do bom e velho mimeógrafo...

Talvez alguém pense que estou falando de uns 60 anos atrás. Ledo engano! Refiro-me a uma realidade de pouco mais de vinte anos. Nada de computadores pessoais, celulares, internet, GPS, TV digital e coisas do tipo. Porém, com a informatização da sociedade o nosso mundo passou por uma grande transformação. Mergulhamos tão rapidamente na era digital que hoje em dia é impossível imaginar a vida sem todos aqueles recursos tecnológicos. Isto, falando no plano individual, sem considerar outros campos da atuação humana que estão totalmente informatizados.

Acredito que a internet, de todos os recursos midiáticos que dispomos, é o que mais tem operado transformações na sociedade, principalmente na maneira pela qual as pessoas lidam umas com as outras e consigo mesmas. Não há dúvidas dos benefícios que a internet tem fornecido às relações humanas. Através das redes sociais a barreira da distância é quebrada, pois nos comunicamos com alguém que está do outro lado do mundo vendo a pessoa na tela do nosso computador. Pessoas que não se viam há anos agora se localizam e refazem os contatos. Uma mensagem escrita para alguém em outro continente não demora mais semanas para chegar. Basta um clique e pronto! Está lá em questão de segundos. Tudo lindo e maravilhoso. Mas nem tanto...

As relações humanas via mundo digital traz consigo também perigos. Não que o problema esteja na tecnologia, mas no uso que se faz dela. Há pessoas que somente se relacionam com outras através da internet, e, com isto, estão se desumanizando, pois estão perdendo o contato com as pessoas. Isto é tão grave que tem gente que não sabe mais como se portar em público, como se comunicar verbalmente, gestualmente, olhando nos olhos do outro. Mascaram quem realmente são se escondendo atrás do teclado de seu computador. Gente deixando de ser gente...

Outro dia assisti na TV uma reportagem sobre membros de uma família que se falavam somente por e-mail. Detalhe: moravam todos na mesma casa! Esta prisão digital conduz ao vício e à alienação da consciência. São alienados, pois deixam de pensar sobre si mesmos e o mundo em que vivem. Sem dúvida alguma estamos diante de uma patologia social.

Se Jesus vivesse em nossos dias acredito que Ele não deixaria de usar os recursos midiáticos que possuímos. Todavia, com certeza, não deixaria aquilo que Ele mais valorizou quando esteve aqui: as pessoas e o contato que tinha com elas. Jesus tocava as pessoas com suas mãos, com seus olhos e com o seu coração. Jesus viveu aquilo que ensinou: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento... Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22:37, 39). Se olharmos para Jesus, olharemos mais para as pessoas, nos olhos delas, e menos para a tela do nosso computador.

domingo, 5 de junho de 2011

Mansidão não é frouxidão

Vivemos num mundo marcado pela violência e truculência das pessoas no trato de umas para com as outras. Basta assistirmos aos noticiários da TV ou olharmos ao nosso redor para percebermos isto com facilidade. Falta mansidão nos relacionamentos humanos. Todavia, quando se fala em mansidão, talvez alguns possam interpretá-la como sinônimo de frouxidão. Porém, isto nem sempre é verdade.

Jesus falou algo muito importante sobre a mansidão: “Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra” (Mt 5:5). Em outras palavras, Jesus diz que os mansos são mais do que felizes. Mas de qual mansidão Jesus está se referindo?

Podemos entender esta “mansidão” de duas maneiras. A primeira é que “manso” significa aquela pessoa que possui a qualidade do “autocontrole”. Esta interpretação está de acordo com o que Paulo fala em sua carta aos gálatas quando aponta “a mansidão e domínio próprio” como aspectos do fruto do Espírito Santo (Gl 3:23).

A segunda maneira pela qual podemos entender a mansidão citada por Jesus é que “mansos” significam os que se humilham diante de Deus por reconhecerem sua total dependência dele. São “mansos” para com a vontade de Deus, ou seja, não endurecem o coração para o querer de Deus. Esta é uma atitude para com Deus bem diferente daquela que o povo de Israel recém-liberto da escravidão do Egito teve para com o Senhor. A respeito daqueles israelitas Deus disse para Moisés: “Eu conheço este povo e sei que é muito teimoso” (Ex 32:9).

Em ambas as interpretações encontramos as atitudes daqueles que são filhos de Deus. Portanto, devemos buscar esta mansidão em nossa vida. Mansidão que nada tem a ver com frouxidão. Muito pelo contrário, pois mansidão significa autocontrole ou domínio próprio sobre nossas atitudes e emoções, e termos um coração comprometido em obedecer humildemente a vontade de Deus.

A Deus seja a glória!