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segunda-feira, 28 de março de 2011

O amor em três atos

Muito se fala sobre o amor, em todo instante e em todo lugar. O amor faz parte de nossa vida, desde quando nascemos. Desejamos amar e receber amor. O amor está presente nos filmes do cinema e nas canções que tocam nas rádios.

Todavia, a grande verdade é que o amor é confundido muitas vezes com outros sentimentos, por exemplo, com o sexo, com mera atração física ou com a paixão. Por esta razão não é amor muitas das coisas que nos filmes assistimos, nas canções que ouvimos e nas pinturas que admiramos.

A Bíblia, sob a pena de Paulo, diz que “o amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...” (I Co 13:4-8 a). O apóstolo João, por sua vez, encerra o amor em apenas três palavras: “Deus é amor” (I Jo 4:8, 16). E, na condição de filhos de Deus, nascidos dele, somos alvos e habitação do seu amor: “... Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo, que ele nos deu” (Rm 5:5).

Podemos ainda entender e expressar o amor visto sob três prismas diferentes, mas intimamente relacionados: o amor como mandamento, como dom e como um ato de escolha.

Inicialmente, o amor é um mandamento. É um mandamento porque Deus ordena que amemos. O Eterno ordena que amemos primeiramente a Ele acima de todas as coisas: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22:37). Depois, ao nosso próximo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39). E até mesmo os nossos inimigos: “... amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44).

A prática do amor deve ser obedecida, pois o amor é um mandamento de Deus. E porque o amamos obedecemos aos seus mandamentos. Foi isto que Jesus quis dizer ao afirmar: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama...” (Jo 14:21).

Amar o outro é tão importante para Deus que este amor é condição primordial para mantermos a nossa relação com Ele: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (I Jo 4:20).

Jesus, tomando por base seu próprio exemplo, de forma clara ordenou o amor mútuo entres seus seguidores na última ceia com os discípulos: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13:34).

Em segundo lugar, o amor é um dom. Porém, em que sentido o amor é um dom? O amor não é um dom no sentido de “dom espiritual”. O amor não é um “dom” ou uma “capacitação” espiritual que o Espírito Santo dá a uns crentes e a outros não (como quando Ele distribui dons espirituais aos seus filhos - conforme I Co 12:4-11). O amor não pode ser um “dom espiritual”, pois é um mandamento, isto é, o amor é um dever de todos. Todos nós devemos amar, dar e expressar amor.

O amor é um dom no sentido de ser uma dádiva, um presente. Quando você expressa amor a alguém você está presenteando esta pessoa. Quando você obedece ao mandamento divino de amar, tocando alguém com amor, você está doando amor. Amor é algo que fazemos para outra pessoa e não para nós mesmos.

Jesus, durante a última ceia com os doze, “se levantou, tirou a sua capa, pegou uma toalha e amarrou na cintura. Em seguida pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha” (Jo 13:4, 5). Ao fazer isto, Jesus presenteou a cada um de seus amigos.

Na parábola do bom samaritano, contada por Jesus em Lucas capítulo 10, temos um maravilhoso exemplo de alguém que presenteou o seu amor a um desconhecido que morria à beira da estrada após ter sido assaltado e apanhado de ladrões. Fez isto curando suas feridas e cuidando de sua hospedagem em local adequado e seguro.

Quando você, por amor, faz o bem a alguém, está presenteando aquela pessoa com o seu amor, pois está doando o seu amor. Quando amamos por obediência, isto demonstra o quão obediente somos. Mas quando doamos ou presenteamos o amor, isto mostra o quão grande é nossa alma e o nosso coração. Hoje, você já presenteou alguém com o seu amor?

O escritor Gary Chapman expõe em seu livro “As Cinco Linguagens do Amor”, o amor como um ato de escolha, o terceiro modo pelo qual podemos ver o amor. Acredito que este é o amor em seu significado mais profundo. O amor como ato de escolha é quando o amor como mandamento se encontra com o amor na forma de presente.

O amor como ato de escolha acontece quando decidimos amar, mesmo quando achamos que o outro não merece o nosso amor. Jesus fez exatamente isto na última ceia com os seus discípulos: decidiu amar, mesmo aquele que não merecia o seu amor. Enquanto lavava e enxugava os pés dos discípulos, um a um, chegou o momento que teria que lavar e enxugar os pés de Judas... Jesus sabia que Judas o trairia, mas naquele momento, decidiu amá-lo e expressou este amor lavando-lhe e enxugando-lhe os pés.

Deus, o Pai, também expressou este amor para conosco. Deus decidiu nos amar, mesmo quando não merecíamos o seu amor, pois “... nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado” (Rm 5:8).

O amor como um ato de escolha deve começar em casa em nossas relações familiares. Há situações familiares que nos deixam tão irritados, frustrados e nervosos que em nosso raciocínio e justiça própria acreditamos que o filho, ou os pais, ou o cônjuge não merece, naquele momento (ou por algumas horas, ou dias e até semanas!), o nosso amor. Então nos fechamos em nós mesmos, em nosso mundo, e ficamos corroendo a mágoa, o rancor e o doce (ou amargo) desejo de vingança. Prendemos o amor em algum porão escondido dentro do orgulho do nosso coração e não deixamos sair.

O filho, bravo com os pais, desfere contra eles palavras secas e duras tais como flechas que ferem o coração. O marido, nervoso com a esposa, a castiga com o silêncio deixando de falar com ela. A esposa, irritada com o marido, o pune negando-se a ele sexualmente. Estas punições exemplificam os momentos que achamos que o outro não merece o nosso amor. Por isto, punimos, em vez de amar. Todavia, é nestas horas que precisamos decidir amar. Por esta razão, o amor como ato de escolha nada tem a ver com sentimentos, emoção, empatia, simpatia ou pelo gostar de alguém. Amar é uma decisão.

Quando decidimos amar estamos obedecendo a Jesus, e como discípulos seus estamos seguindo os seus passos, cumprindo a sua vontade. Jesus, na última ceia, disse aos discípulos após ter-lhes lavado os pés: “Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros. Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz” (Jo 13:14, 15).

Quando decidimos amar, contrariando nosso orgulho e egoísmo, o amor tem o poder de remover montanhas muito maiores do que a fé. O amor não apaga o passado, mas altera o futuro.

Diante dessa exposição do amor como mandamento, dom e ato de escolha, devemos nos render a este amor e expressá-lo de maneira vívida e real. Portanto, “... o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações” (I Jo 3:18).

quinta-feira, 24 de março de 2011

Os evolucionistas: homens de grande fé!

Acreditar que toda a abundante e complexa vida existente na terra surgiu de uma única célula originada por reações químicas de um "caldo primevo" (vida sendo gerada por não-vida) - acontecimento improvável e absurdo de ocorrer pelas probabilidades matemáticas e por um princípio básico da ciência biológica - torna os evolucionistas pessoas de grande fé, crentes fervorosos, e Charles Darwin, o seu maior profeta.

terça-feira, 22 de março de 2011

Usando a fé e a inteligência

Embora possa parecer um paradoxo, a fé e a inteligência devem caminhar sempre juntas em nossa vida. Diz a Bíblia que “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11:1). A inteligência por sua vez, assim é definida pelo Dicionário da Língua Portuguesa: “Faculdade ou capacidade de aprender, apreender, compreender ou adaptar-se facilmente; Intelecto; Destreza mental, agudeza, perspicácia”. Uma vida vitoriosa, frutífera e abençoada é fruto da união da fé com a inteligência.

É fácil encontrar pessoas que esboçam certo tipo de fé, mas sem nenhuma inteligência. Por isso cometem erros, excessos e até pecados em nome da fé. A fé sem inteligência, fatalmente conduzirá a erros. A fé destituída da inteligência pode resultar no mau testemunho de cristãos que não possuem nenhuma sabedoria. A fé sem inteligência pode acabar também em fanatismo religioso.

Por outro lado, é também possível encontrar pessoas inteligentes e com ótimas idéias, mas que não conseguem ter uma fé perseverante ou a fé para salvação. A inteligência sem a fé em Deus poderá falhar em qualquer momento, pois a inteligência é limitada, mas a fé nos faz remover montanhas. A grande verdade é que a inteligência sem a fé pode levar a esforços inúteis que não produzem resultados.

No Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos, é narrada no capítulo 2 a história da cura de um paralítico, onde, neste episódio, é possível encontrarmos a fé e a inteligência agindo juntas. Mas antes de citarmos alguns fatos desta história, pensemos um pouco sobre a inteligência. Creio que a inteligência é dada por Deus. Quando Deus criou o homem lhe deu uma estrutura cerebral dotada de uma mente com capacidade de raciocínio, reflexão, planejamento, estratégia, pensamento e memória.

Infelizmente muitas pessoas não usam e nem desenvolvem a inteligência que Deus lhes dá. Contudo, preste bem atenção: a inteligência deve ser envolvida pela sabedoria que vem de Deus. Inteligência e sabedoria são duas coisas bem diferentes. Alguém pode ser inteligente e não ser sábio. Por exemplo: alguém pode ser uma pessoa com grande capacidade para criar coisas e fazer cálculos matemáticos dificílimos, mas não ter a menor capacidade de se relacionar com as pessoas e lidar com situações adversas. É inteligente, mas não tem sabedoria.

Por esta razão, a inteligência que Deus nos deu deve ser dirigida pela sabedoria que também procede dele. Provérbios, o livro da sabedoria divina, nos ensina: “Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento” (Pv 2:6). Todavia, se inteligência qualquer pessoa pode possuí-la, expressá-la e desenvolvê-la, seja um cristão ou não, a sabedoria de Deus somente pode ser manifesta por aqueles que andam com Jesus.

É a vontade de Deus que sejamos tanto sábios quanto inteligentes. Foi isso que o próprio Deus disse ao seu povo Israel no Antigo Testamento: “Portanto, obedeçam fielmente a todas essas leis, e assim os outros povos verão que vocês são sábios e inteligentes (Dt 4:6). Observe que Deus considera que quem obedece a sua vontade é ao mesmo tempo sábio e inteligente.

Pois bem, lembra da história da cura do paralítico contada no segundo capítulo do evangelho de Marcos? Pois bem, nessa história, vemos quatro amigos de um paralítico usando não somente a fé, mas também a inteligência. Quando observaram que não havia meios de entrar com o amigo paralítico pela porta da casa por estar rodeada por uma multidão, e onde se encontrava Jesus lá dentro, não desistiram. Foram inteligentes para acharem uma solução de como colocariam seu amigo diante de Jesus.

Eles poderiam ter logo desistido. Poderiam ter desanimado. Poderiam ter vindo com aquele discurso: “Não tem jeito. Vamos embora”. Poderiam ter colocado o paralítico no chão e terem dito para ele: “Pois é amigo. Isso é tudo. Podemos chegar só até aqui”. Mas não foi isso que fizeram. Colocaram-se a pensar como entrariam na casa. Colocaram a sua inteligência para funcionar.

Muitas vezes a saída de um problema está diante de nós, lógica, clara. Basta usarmos a inteligência que Deus nos dá. Se nos falta inteligência devemos fazer como o salmista: pedir a Deus: “Eterna é a justiça dos teus testemunhos; dá-me a inteligência deles, e viverei” (Sl 119:144). Porém, muitos não usam a inteligência que Deus nos confere. Preferem esperar pelos outros, ou que venha um anjo do céu ou um profeta revelar o que deve ser feito. O resultado disso é uma vida estagnada, paralisada, onde nada acontece, pois a pessoa se recusa usar a inteligência que Deus lhe concede.

Aquele paralítico foi curado por Jesus naquele dia porque seus amigos foram inteligentes para colocá-lo diante do Senhor entrando pelo teto da casa (que era feito de telhas ou de troncos e ramos de árvores com barro). Essa tarefa não foi fácil. Exigiu não somente inteligência, mas também empenho e esforço motivados pelo amor e pela fé. Quando um caminho está fechado, devemos procurar outro! Desistir, jamais!

Todavia, devemos nos atentar para algo muito importante: que a inteligência sem a fé pode ser totalmente ineficaz. A inteligência somente se torna eficaz quando a unimos com a fé. Mas eu me refiro à fé em Deus, em Jesus, na sua Palavra. Não estou me referindo àquela “fé na fé”, ou daquela fé que crê em tudo ou em qualquer coisa, ou em qualquer outro deus. Refiro-me à fé em Deus por meio de Jesus. A fé do cristão tem somente um objeto: Jesus Cristo.   

Note que, quando Jesus viu aqueles quatro homens descendo o seu amigo pelo teto da casa, o texto não diz que Jesus “viu a inteligência” deles e por isso ficou impressionado. A narrativa diz que Jesus “viu a fé” daqueles homens (vs. 5). E foi a fé deles, e também a fé do paralítico, que fez Jesus dizer ao paralítico duas coisas que iriam transformar a vida dele para sempre: Primeiro disse: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (vs. 5). E depois: “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (vs. 11). O resultado da fé manifestada por aqueles quatro homens, que agiram com inteligência, foi o homem plenamente curado e Deus sendo glorificado pelas pessoas que ali se encontravam (vs. 12).

Portanto, devemos usar a inteligência que Deus nos dá. Precisamos em oração pedir inteligência a Deus, e desenvolve-la tanto para a solução de problemas e de situações adversas quanto para assimilar e obedecer com perseverança a vontade de Deus. Juntamente com a inteligência, devemos viver pela fé em Jesus. A fé em Deus pode fazer o Senhor agir sobrenaturalmente em nosso favor. Contudo, mais do que a manifestação de milagres, a fé em Deus tem outro propósito não menos importante: capacitar-nos a perseverarmos em Deus, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, nos sustentando na dor enquanto sofremos os reveses da vida.

Desse modo, peçamos a Deus em oração fé e inteligência, como escreveu Salomão: “... se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus. Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento” (Pv 2: 3-6). E como pediram os discípulos a Jesus: “Aumente a nossa fé” (Lc 17:5).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Simplismo

O simplismo, nem sempre é fruto da verdade exposta com simplicidade, mas quase sempre é fruto da cega ignorância que mata e destroe tudo à sua frente.

"Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia, para que não te faças semelhante a ele" (Pv 26:4).

"Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo, e ele ...crescerá em prudência" (Pv 9:9).

quarta-feira, 9 de março de 2011

Depois da farra, as cinzas...

No ano passado, após o Carnaval, postei a mensagem sobre a tal festança nacional que, posto novamente este ano. Continua atual e verdadeira...

Se foi mais um Carnaval nas terras tupiniquins. Depois da farra, o que resta são as cinzas. Não as da "quarta-feira", mas as das almas dos foliões. E também da alma da nação brasileira. Charles de Gaulle, estadista francês na época da Segunda Grande Guerra, já tinha dito que o Brasil não era um país sério. Dá para se duvidar dessa afirmação quando vemos toda uma nação parar por vários dias para festejar uma festa que traz mais dividendos do que lucros? Para muitos brasileiros o ano começa agora, só depois do Carnaval, já no terceiro mês. Uma vergonha!

Mas aí todo mundo vai dizer: "É só uma festa popular quase centenária! Deixa o nosso povo sofrido se alegrar!". Parece que esse pensamento é praticamente unânime. Se Nelson Rodrigues disse alguma coisa que presta foi: "Toda unanimidade é burra". Se toda unanimidade é burra, permitam-me então nadar contra a maré. A verdadeira face do Carnaval deve nos levar a uma profunda reflexão acerca das cinzas em que deixa o nosso país. Tudo de ruim piora nessa época do ano. Desde o aumento dos acidentes fatais de trânsito, a criminalidade, a violência nas ruas, a ploriferação das doenças sexualmente transmissíveis, dentre tantas outras mazelas.

Vivemos dias de verdadeira Sodoma e Gomorra. O Carnaval não é somente sinônimo de cultura e entretenimento. É também sinônimo de prostituição, orgias e bebedeiras. Mas falar sobre isso hoje em dia é "pecado". Está fora de moda. É pecado criticar o pecado. Principalmente para a nossa imprensa, traumatizada pelos vinte anos de censura imposta pela ditadura militar, que confunde "liberdade de expressão" com libertinagem. Em troca de milhares de reais do mercado publicitário todas as emissoras estão dispostas a vender sua alma para o diabo para colocarem na TV todo lixo de programação (inclusive a TV do "bispo", emissora sem identidade, clone de sua maior rival). Para elas, às favas a família, a cultura e o respeito pelo ser humano.

O Carnaval é uma falácia. É uma mentira que satisfaz somente aos cegos que não querem enxergar a realidade que se esconde por detrás de sua máscara. É a máscara da classe política corrupta que durante dias é esquecida pela população muito ocupada em seus confetes e serpentinas. O Carnaval é a máscara onde se esconde o pobre trabalhador brasileiro que tira dinheiro da boca dos filhos para comprar sua fantasia. É a máscara pela qual dinheiro sujo é lavado nos sambódramos da vida. É a máscara das prefeituras que injetam milhares de reais nas escolas de samba, dinheiro que poderia ser usado na educação, saúde, moradia e na própria cultura, mas não na cultura que promove a desintegração de valores morais e familiares.

Não me iludo. Essas palavras são apenas uma voz que clama no deserto. Até a volta do Senhor, o Carnaval continuará fazendo parte da agenda da nossa querida nação. E pelo que nos revelam as Escrituras o pecado aumentará cada vez mais no coração dos homens. Mas escrevo na esperança de que estas palavras possam atingir o coração de pessoas dispostas a encontrar a verdadeira alegria de viver. Alegria que nenhuma festa popular ou prazer da carne pode proporcionar.

Após quatro dias de folia, muitos, com certeza, estão nas cinzas. Estão nas cinzas porque percebem que toda alegria carnavalesca é efêmera e passageira. É para estes que escrevo, na esperança de abrirem seus olhos para a fonte da verdadeira alegria: o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Somente Ele pode nos dar a paz e a alegria de viver tão ansiadas pela nossa alma. Viver com Cristo é viver sem máscaras. É desfrutrar da vida genuinamente abundante que somente Ele pode nos dar.

Jesus está voltando para buscar aqueles que o amam e o obedecem, e trazer juízo e condenação para aqueles que rejeitam seu amor e sua vontade. Ele prometeu, Ele cumprirá! A Ele seja a glória para sempre!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Teologia e Psicologia: grandes furadas ou conhecimentos relevantes?

No meio cristão evangélico é costumeiro ouvir ataques desferidos tanto contra a Psicologia quanto contra a Teologia. Tais bombardeios são feitos tanto por cristãos leigos como por pastores (no caso destes, geralmente quando não possuem formação teológica, daí criticarem o que não conhecem... ou o que têm medo...) como se no cotidiano das pessoas a Psicologia e a Teologia não fizessem parte do comportamento e dos valores dos cristãos, ainda que não tenham consciência disto.

A questão que se levanta então é a seguinte: seriam a Psicologia e a Teologia inimigas da fé cristã? É necessária uma análise bem acurada dos fatos, e não uma visão simplista destas duas áreas do conhecimento, para verificar suas relações com a prática de fé cristã e o ministério cristão.

Primeiramente, analisemos a Psicologia. O termo “psicologia” vem do grego, psykhe (alma), e logos (discurso). Oriunda inicialmente da Filosofia de Aristóteles e Platão, obviamente que, hoje em dia, a Psicologia não pretende estudar somente a “alma” das pessoas, como alguns imaginam inocentemente. A Psicologia é um ramo da ciência que estuda os processos mentais do ser humano, bem como seu comportamento, visando o bem estar emocional do homem. No Brasil, a Psicologia foi reconhecida como ciência e profissão em 1962.

A Psicologia tem exercido importante papel com resultados positivos relevantes na sociedade atuando em diversas áreas: no meio educacional auxiliando pais, professores e alunos em suas relações; na área da saúde no acompanhamento e apoio psicológico à pacientes e aos seus familiares quando enfrentam a dor do luto; nas empresas promovendo melhoria nas relações e no ambiente de trabalho; no tratamento de reabilitação de dependentes químicos; no esporte visando melhorar o rendimento dos atletas e de suas relações com outros atletas de sua equipe; na área judicial e criminal na análise do perfil psicológico de condenados pela justiça; em pesquisas científicas que geram benefícios acadêmicos e sociais.

Além destas atuações, a Psicologia também está presente em muitas outras áreas do conhecimento humano. Obviamente que me refiro unicamente à Psicologia reconhecida cientificamente, e não aquela praticada por psicólogos que entram por caminhos estranhos à ciência, tais como a terapia de vidas passadas e os tão famosos florais de Bach. Diante do exposto, sem dúvida alguma a Psicologia tem o seu lugar de importância na sociedade atual, seja no campo da ciência biológica, das ciências humanas, da saúde ou do comportamento humano.

A Teologia por sua vez, significa o “estudo de Deus”, ou, como preferem outros, o “estudo acerca de Deus”. Na prática, a Teologia cristã evangélica vai além do Teísmo, englobando o estudo da Bíblia como um todo, de modo que, procuramos fundamentar a nossa Teologia na revelação especial de Deus que encontramos nas Sagradas Escrituras. A Teologia cristã evangélica se propõe estudar as doutrinas cardeais ou fundamentais da Palavra de Deus que encontramos na Bíblia, sendo o Novo Testamento o compêndio doutrinário da Igreja Cristã.

Toda denominação protestante, reformada ou evangélica (os herdeiros da Reforma Protestante do século XVI) que se preze possui sua Declaração de Fé, e esta por sua vez, está fundamentada na Teologia da denominação. Tudo que os pastores, líderes cristãos e professores da Escola Bíblica Dominical ensinam e pregam está fundamentado numa Teologia bíblica e cristã. Tudo que os cristãos sabem sobre Deus e sua vontade, e como traduzem isto na prática de suas vidas está fundamentado em princípios teológicos que foram ensinados pela igreja na qual fazem parte. Daí, devemos reconhecer que a Teologia que aprendemos em nossas igrejas exerce uma influência considerável em nosso modo de pensar, em nossos princípios e valores morais, éticos e espirituais, e em nossa prática cristã.

Então, por que os cristãos, e até os seus líderes, falam mal da Teologia como se dela não precisássemos ou como se ela não fizesse parte de nossa crença em Deus, exercendo influência em nossa vida com Ele? Pegue um presbiteriano que critica a Teologia e fale para ele que Calvino delirou ao interpretar de forma errada a predestinação bíblica e você verá o tal espumar sua teologia da salvação pela boca. Peque um batista que ignora a teologia e diga para ele que o sistema de governo congregacional não tem apoio do Novo Testamento e você verá o tal espirrar pelos poros sua teologia da Igreja. Peque um assembleiano que zomba da teologia e diga para ele que esse negócio de falar em línguas estranhas é coisa de maluco e você o verá vociferar e soltar fogo pelo nariz explicando sua teologia pentecostal.

Pois é, odeiam a Teologia, mas precisam dela a todo custo para fundamentar suas doutrinas (a até suas heresias!). O mais irônico acontece quando os cristãos críticos da Teologia usam a própria Teologia para zombar da Teologia! É o fim da picada! Ao usarem a Bíblia para tecerem críticas à Teologia, estão fundamentando suas críticas em conceitos teológicos. É o cúmulo do contra censo...

É verdade que alguém pode possuir conhecimento teológico e não ter vida com Deus, todavia, devemos tomar cuidado com os falsos silogismos. Quem tem vida com Deus, a tem, também por causa de uma teologia que recebeu quando ouviu o evangelho de Cristo para a salvação. A Teologia cristã e evangélica exerce um papel fundamental na Igreja de Cristo na terra. Através dela os pastores e líderes cristãos são preparados teologicamente para exercerem seus ministérios (e ninguém em sã consciência vai dizer que isto é irrelevante ou dispensável), e as igrejas cristãs são doutrinadas a respeito dos ensinos da Bíblia, a Palavra de Deus.

Mas o que tem a ver a Teologia com a Psicologia? A Teologia e a Psicologia encontram-se quando levantamos outra questão: devem pastores, cristãos e igrejas adotarem técnicas e conceitos da Psicologia para levarem a mensagem do evangelho ao mundo? Esta questão deve ser analisada com todo cuidado e rigor. Nada impede o psicólogo, como profissional e cientista, ser um cristão convicto e praticante da fé que professa. Também nada impede o psicólogo que é cristão fornecer voluntariamente ajuda profissional àqueles da igreja que precisam de tratamento psicológico, desde que obedeça aos critérios da ética profissional. Pode também, como um psicólogo e cristão, promover atividades em grupo na igreja a fim de melhorar a relação entre obreiros, ministros, casais, e assim por diante.

O que jamais deve ocorrer é o uso na igreja cristã de qualquer técnica psicológica como um instrumento de salvação e libertação espiritual tal como fazem alguns dos seguidores do controvertido Movimento dos 12 (G 12) que em seus retiros espirituais conduzem os participantes à uma regressão psicológica até o ventre materno (certa vez, numa empresa que trabalhei, participei de uma atividade em grupo muito semelhante à regressão dos “gedozistas” realizada por uma psicóloga contratada). O propósito da regressão aplicada pelos “gedozistas” é promover libertação espiritual de traumas do passado e assim levar a pessoa a ter um “real encontro com Deus”.

O desastre dos “gedozistas” é duplo: psicologicamente é um desastre, pois leigos estão utilizando uma técnica de dramatização psicológica com uma capa de espiritualidade de maneira tão dramática que torna tal prática emocionalmente perigosa e, em alguns casos, irreversível. Biblicamente e doutrinariamente estão cometendo o grave erro de substituírem a cruz de Cristo, a fé em Jesus e o arrependimento de pecados (o único meio para a obtenção de libertação e salvação) por uma ministração de “cura interior” e de “quebra de maldição”, nada jamais visto no Novo Testamento no ministério de Jesus, nem dos apóstolos, nem nas epístolas dos autores neotestamentários.

A Psicologia pode auxiliar nos trabalhos que realizamos da obra de Deus, prestando auxílio aos pastores no cuidado de pessoas que passam por transtornos mentais ou psicológicos. Pode ser útil também nas atividades em grupo visando a integração de equipes ministeriais, por exemplo. Todavia, jamais se deve usar a Bíblia ou a Teologia para servir a Psicologia (como fazem os “gedozistas” com suas regressões psicológicas), mas a Psicologia, esta sim, pode prestar ajuda aos obreiros cristãos, desde que estejam amparados por profissionais cristãos sérios, compromissados com a ética profissional e comprometidos verdadeiramente com Deus e com a sua Palavra.

Devemos reconhecer a importância da Teologia e da Psicologia, pois cada qual tem o seu lugar na Igreja e no mundo que vivemos, podendo uma cooperar com a outra desde que as verdades imutáveis do Evangelho de Cristo não sejam colocadas de lado. A Psicologia pode, em alguns casos de distúrbios mentais ou comportamentais, oferecer diagnósticos úteis que podem auxiliar, por exemplo, os pastores em seus aconselhamentos. Todavia, como cristãos, cremos que a última palavra sobre qualquer indivíduo compete somente a Deus e à verdade de sua Palavra.

Portanto, não devemos analisar de forma simplista temas tão importantes e muitas vezes complexos para não incorrermos no erro de nos tornarmos paladinos da ignorância, conduzindo à ignorância outros que também nada sabem. A ignorância cega, mas a verdade liberta.

A Deus, e somente a Ele, seja a glória.