Hoje em dia as verdades absolutas têm dado lugar ao relativismo ético e moral em nossa sociedade. Valores e princípios que eram considerados verdades inquestionáveis passam a ser relativizados. O que era errado já não é tão errado assim. O que era proibido deixa de ser tabu.
Tal relativização ética e moral é resultado de um longo processo histórico sendo mais bem compreendida quando lançamos o nosso olhar para a história ocidental a partir do Período Medieval (séc. I ao séc. XV). Após os primeiros séculos do Cristianismo, o teocentrismo imposto pelo catolicismo através de sua política religiosa, se por um lado colocou Deus como centro de tudo, por outro, definiu de modo inadequado o modo de pensar, sentir e agir da sociedade cristã da época. Inadequado, pois o período medieval é caracterizado pela ignorância espiritual em relação às Escrituras Sagradas (somente ao clero da Igreja era permitido ler as páginas da Bíblia e as missas eram realizadas em latim), pela corrupção política e religiosa dada a união da Igreja com o Estado, pelas mortais perseguições religiosas aos que eram contra os dogmas da Igreja, pelo retrocesso econômico devido ao feudalismo, e pelo atraso científico gerado pela repressão religiosa que rechaçava novas descobertas científicas.
Posteriormente, no Período Moderno (séc. XV ao séc. XX), em resposta ao pensamento do período anterior, o homem toma o lugar de Deus como centro do Universo. O Renascimento cultural e científico deste período conduziu a sociedade ocidental a definir como verdade somente aquilo que podia ser fundamentado em termos racionais e científicos, de modo que, o pensamento religioso foi deixado de lado como fonte de explicação para o conhecimento.
O período seguinte e atual, o Contemporâneo, começou no transcorrer da revolução industrial que cooperou com o fortalecimento do capitalismo, o sistema fundamentado no lucro financeiro e o no acúmulo de bens pelo indivíduo. Com o advento do capitalismo deu-se origem ao aspecto cultural e estético do Período Contemporâneo: a Pós-Modernidade. O pós-modernismo é um fenômeno social caracterizado pela perda das referências éticas e morais, pela falta de senso crítico, pelo espetáculo do luxo, pelo culto ao corpo e pelo consumismo desenfreado.
Diante deste retrato da história é possível notar que no período medieval, a religião impunha a verdade sobre os homens. No moderno, a ciência cumpriu este papel. E, no contemporâneo, o pós-modernismo diz que já não há mais verdades absolutas, nem da religião e nem da ciência. Todavia, o homem pós-moderno continua sofrendo de profunda crise de identidade nas angústias de seu vazio existencial à procura de algo que dê sentido à sua vida. Nem os avanços científicos, nem o abandono das verdades absolutas da ética e da moral, tornaram o homem moderno melhor ou mais feliz.
Conclusivamente, não devemos desejar o teocentrismo político-religioso do Período Medieval que viola o livre arbítrio dos homens. Além disso, é também indesejável a filosofia científica do Período Moderno que exclui Deus da vida das pessoas. Até porque, naquilo que a ciência comprova ser verdadeiro, está em conformidade com Deus, pois Ele é a fonte de toda ciência. Por fim, muito mais do que Deus ou o homem serem o centro de uma sociedade, importa que Deus, por meio de Jesus, esteja no centro da vida de cada pessoa que voluntariamente e de coração obedece aos seus valores absolutos, isto é, os seus mandamentos.
Somente assim, é possível encontrar real significado para a vida, pois Jesus prometeu: "Se obedecerem aos meus mandamentos, eu continuarei amando vocês, assim como eu obedeço aos mandamentos do meu Pai e ele continua a me amar. Eu estou dizendo isso para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa" (Jo 15:10, 11).
A Deus seja a glória!
Um comentário:
Muito bom o artigo.
Defendo que aquele que dirige o povo de Deus conheça o mundo em que estamos vivendo e o mundo passado
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