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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Depender de Deus? Quem? Eu?

Davi, no Salmo 8, faz uma pergunta para Deus: “Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Sl 8:4). Intrigante esta pergunta. O que é o homem? O que é o homem diante de Deus? O mesmo Davi parece responder sua pergunta em outro salmo ao se referir a si mesmo: “Eu sou pobre e necessitado...” (Sl 40:17). Ele não fala de uma pobreza e necessidade materiais, mas espirituais. Neste sentido, o homem é um ser totalmente necessitado de Deus. Sim, somos totalmente e inexoravelmente dependentes do Deus Criador.

Primeiramente, dependemos da misericórdia de Deus. A misericórdia de Deus é a causa de não sermos punidos com os castigos de merecemos. Fomos alvos da misericórdia de Deus, primeiro, quando fomos salvos por Jesus: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo... ” (Ef 2:4, 5). Por causa do pecado que herdamos de Adão, merecíamos o inferno, a condenação eterna, mas Deus, por causa de nossa fé em Jesus e arrependimento, cancelou a nossa dívida para com Ele, nos perdoando de todos os nossos pecados: aí está a sua misericórdia.

Mas não necessitamos da misericórdia de Deus somente para sermos salvos. Precisamos da misericórdia de Deus todos os dias da nossa vida. Sim! Todos os dias, pois embora sejamos salvos, ainda somos pecadores (ainda que libertos e arrependidos). Continuamos sendo seres falhos, imperfeitos... Somos uma obra em construção... Somos uma obra inacabada... Por esta razão, vez ou outra, “pisamos na bola”, erramos, magoamos, cometemos deslizes, somos injustos, ingratos, precipitados e inadequados. Então, buscamos desesperadamente o perdão de Deus. E Ele então, por causa de sua misericórdia, ao invés de nos punir como merecemos, nos dá pleno perdão.

Mesmo quando somos disciplinados pelo Pai (e a disciplina dói!) não somos consumidos por Deus por causa da sua misericórdia: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã...” (Lm 3:22, 23a). Se cada manhã aponta para a misericórdia de Deus, a cada manhã podemos ter renovadas nossas esperanças. Cada manhã é um novo dia, uma nova oportunidade que nos é dada por Deus de recomeçarmos mais uma vez, agora, com atitudes corretas.

A misericórdia de Deus não é um incentivo ao pecado, mas ao arrependimento. É o que proclama o profeta Joel: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade... ” (Jl 2:13). A misericórdia de Deus em não nos punir ou castigar como merecemos, é uma benção dele para nós, por isto, a sua misericórdia aponta para outra necessidade que temos dele: a sua graça.

Dependemos também da graça de Deus. Se a misericórdia de Deus é a causa de não sermos punidos com os castigos de merecemos, a graça de Deus significa que Ele nos abençoa com bênçãos que não merecemos. “Graça” significa “favor imerecido”. Não merecemos, mas Ele nos abençoa ainda assim.

Inicialmente, provamos da graça de Deus quando fomos salvos por Jesus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8, 9). Por causa do pecado que herdamos de Adão, somos imerecedores da salvação. Mas porque cremos pela fé em Jesus e nos arrependemos de nossos pecados, mesmo sem merecermos, Deus em Jesus Cristo, nos salvou nos dando a vida eterna!

Porém, não necessitamos da graça de Deus somente para sermos salvos por Cristo. Continuamos sendo dependentes da graça de Deus todos os dias de nossa vida. É somente pela graça de Deus que obedecemos aos seus mandamentos, que enfrentamos crises, que resistimos às tentações e que perseveramos na fé em Jesus. É a graça de Deus que nos faz vencer e viver em vitória! Dia após dia!

A graça de Deus nos basta nas horas de sofrimento, lutas e tribulações, pois nos momentos de grandes crises, Deus nos concede imerecidamente, sem merecermos, a sua presença, o seu poder, o seu fortalecimento, a sua consolação e o seu refrigério. Tudo isto, a fim de suportarmos as crises, superarmos as adversidades e sermos obedientes na tribulação.

Deus nos abençoa com bênçãos que não merecemos, isto é, nos abençoa pela sua graça, pois a sua graça (seu favor imerecido) é fruto do amor de Deus. Por esta razão a graça de Deus aponta para outra necessidade que temos de Deus: o seu amor.

Sim, dependemos do amor de Deus. O Senhor Deus usa de misericórdia e graça para conosco porque Ele nos ama. Por esta razão Jesus morreu por nós: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). O sacrifício de Jesus é a prova que Deus nos deu do seu amor: “... Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).

Nos momentos de adversidade como é bom sabermos que somos amados por Deus! Quando sentimos a dor da solidão, do desamparo, do abandono, da espera, da traição, da injustiça, da rejeição, da incompreensão... Ah! Como precisamos do amor de Deus nestes momentos! Como é bom saber que, embora possamos sofrer pela falta de amor dos homens, Deus continua nos amando, sempre e sempre, sem desistir de nós.

E mais: nada pode nos separar do amor de Deus, conforme escreveu Paulo: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:38, 39).

Somos tocados de verdade pelo amor de Deus? Sim, o mesmo Paulo também diz que “... Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo, que ele nos deu” (Rm 5:5b). O amor de Deus ser derramado em nosso coração pelo Espírito Santo aponta para outra necessidade que temos do Senhor: a sua presença.

Dependemos da presença de Deus que é derramada sobre nós através do seu Santo Espírito. Porém, somente quem é filho de Deus têm o Espírito Santo habitando em sua vida, pois “... Quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a ele” (Rm 8:9b).

Dependemos da presença do Espírito Santo em nós para vivermos e praticarmos a vontade de Deus. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). Jesus permanece em nós pelo Espírito Santo e é por meio de sua presença em nós que vivemos a sua vontade.

Devemos anelar, suplicar e buscar ardentemente a presença de Deus, como escreveu o salmista: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo... ” (Sl 42:1, 2). O livro dos Salmos também nos ensina que a presença de Deus é o lugar da nossa proteção (Sl 31:20), da nossa meditação (Sl 19:14), da nossa adoração e oração (Sl 27:8; 88:2), de abrir o coração (Sl 38:9), de imensa felicidade (Sl 89:15) e da nossa alegria (Sl 16:11b).

Portanto, somos totalmente dependentes de Deus. Dependemos totalmente de sua misericórdia, para não sermos punidos com os castigos que merecemos. Dependemos da sua graça, para sermos abençoados com bênçãos que não merecemos. Dependemos do seu amor, para sermos alcançados pela sua graça e misericórdia. E dependemos da sua presença, para termos com Ele comunhão, poder, santificação e vida eterna.

A Deus seja a glória!

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