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segunda-feira, 28 de março de 2011

O amor em três atos

Muito se fala sobre o amor, em todo instante e em todo lugar. O amor faz parte de nossa vida, desde quando nascemos. Desejamos amar e receber amor. O amor está presente nos filmes do cinema e nas canções que tocam nas rádios.

Todavia, a grande verdade é que o amor é confundido muitas vezes com outros sentimentos, por exemplo, com o sexo, com mera atração física ou com a paixão. Por esta razão não é amor muitas das coisas que nos filmes assistimos, nas canções que ouvimos e nas pinturas que admiramos.

A Bíblia, sob a pena de Paulo, diz que “o amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...” (I Co 13:4-8 a). O apóstolo João, por sua vez, encerra o amor em apenas três palavras: “Deus é amor” (I Jo 4:8, 16). E, na condição de filhos de Deus, nascidos dele, somos alvos e habitação do seu amor: “... Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo, que ele nos deu” (Rm 5:5).

Podemos ainda entender e expressar o amor visto sob três prismas diferentes, mas intimamente relacionados: o amor como mandamento, como dom e como um ato de escolha.

Inicialmente, o amor é um mandamento. É um mandamento porque Deus ordena que amemos. O Eterno ordena que amemos primeiramente a Ele acima de todas as coisas: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22:37). Depois, ao nosso próximo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39). E até mesmo os nossos inimigos: “... amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44).

A prática do amor deve ser obedecida, pois o amor é um mandamento de Deus. E porque o amamos obedecemos aos seus mandamentos. Foi isto que Jesus quis dizer ao afirmar: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama...” (Jo 14:21).

Amar o outro é tão importante para Deus que este amor é condição primordial para mantermos a nossa relação com Ele: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (I Jo 4:20).

Jesus, tomando por base seu próprio exemplo, de forma clara ordenou o amor mútuo entres seus seguidores na última ceia com os discípulos: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13:34).

Em segundo lugar, o amor é um dom. Porém, em que sentido o amor é um dom? O amor não é um dom no sentido de “dom espiritual”. O amor não é um “dom” ou uma “capacitação” espiritual que o Espírito Santo dá a uns crentes e a outros não (como quando Ele distribui dons espirituais aos seus filhos - conforme I Co 12:4-11). O amor não pode ser um “dom espiritual”, pois é um mandamento, isto é, o amor é um dever de todos. Todos nós devemos amar, dar e expressar amor.

O amor é um dom no sentido de ser uma dádiva, um presente. Quando você expressa amor a alguém você está presenteando esta pessoa. Quando você obedece ao mandamento divino de amar, tocando alguém com amor, você está doando amor. Amor é algo que fazemos para outra pessoa e não para nós mesmos.

Jesus, durante a última ceia com os doze, “se levantou, tirou a sua capa, pegou uma toalha e amarrou na cintura. Em seguida pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha” (Jo 13:4, 5). Ao fazer isto, Jesus presenteou a cada um de seus amigos.

Na parábola do bom samaritano, contada por Jesus em Lucas capítulo 10, temos um maravilhoso exemplo de alguém que presenteou o seu amor a um desconhecido que morria à beira da estrada após ter sido assaltado e apanhado de ladrões. Fez isto curando suas feridas e cuidando de sua hospedagem em local adequado e seguro.

Quando você, por amor, faz o bem a alguém, está presenteando aquela pessoa com o seu amor, pois está doando o seu amor. Quando amamos por obediência, isto demonstra o quão obediente somos. Mas quando doamos ou presenteamos o amor, isto mostra o quão grande é nossa alma e o nosso coração. Hoje, você já presenteou alguém com o seu amor?

O escritor Gary Chapman expõe em seu livro “As Cinco Linguagens do Amor”, o amor como um ato de escolha, o terceiro modo pelo qual podemos ver o amor. Acredito que este é o amor em seu significado mais profundo. O amor como ato de escolha é quando o amor como mandamento se encontra com o amor na forma de presente.

O amor como ato de escolha acontece quando decidimos amar, mesmo quando achamos que o outro não merece o nosso amor. Jesus fez exatamente isto na última ceia com os seus discípulos: decidiu amar, mesmo aquele que não merecia o seu amor. Enquanto lavava e enxugava os pés dos discípulos, um a um, chegou o momento que teria que lavar e enxugar os pés de Judas... Jesus sabia que Judas o trairia, mas naquele momento, decidiu amá-lo e expressou este amor lavando-lhe e enxugando-lhe os pés.

Deus, o Pai, também expressou este amor para conosco. Deus decidiu nos amar, mesmo quando não merecíamos o seu amor, pois “... nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado” (Rm 5:8).

O amor como um ato de escolha deve começar em casa em nossas relações familiares. Há situações familiares que nos deixam tão irritados, frustrados e nervosos que em nosso raciocínio e justiça própria acreditamos que o filho, ou os pais, ou o cônjuge não merece, naquele momento (ou por algumas horas, ou dias e até semanas!), o nosso amor. Então nos fechamos em nós mesmos, em nosso mundo, e ficamos corroendo a mágoa, o rancor e o doce (ou amargo) desejo de vingança. Prendemos o amor em algum porão escondido dentro do orgulho do nosso coração e não deixamos sair.

O filho, bravo com os pais, desfere contra eles palavras secas e duras tais como flechas que ferem o coração. O marido, nervoso com a esposa, a castiga com o silêncio deixando de falar com ela. A esposa, irritada com o marido, o pune negando-se a ele sexualmente. Estas punições exemplificam os momentos que achamos que o outro não merece o nosso amor. Por isto, punimos, em vez de amar. Todavia, é nestas horas que precisamos decidir amar. Por esta razão, o amor como ato de escolha nada tem a ver com sentimentos, emoção, empatia, simpatia ou pelo gostar de alguém. Amar é uma decisão.

Quando decidimos amar estamos obedecendo a Jesus, e como discípulos seus estamos seguindo os seus passos, cumprindo a sua vontade. Jesus, na última ceia, disse aos discípulos após ter-lhes lavado os pés: “Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros. Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz” (Jo 13:14, 15).

Quando decidimos amar, contrariando nosso orgulho e egoísmo, o amor tem o poder de remover montanhas muito maiores do que a fé. O amor não apaga o passado, mas altera o futuro.

Diante dessa exposição do amor como mandamento, dom e ato de escolha, devemos nos render a este amor e expressá-lo de maneira vívida e real. Portanto, “... o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações” (I Jo 3:18).

Um comentário:

Nair Morbeck Sobrinha disse...

olá irmão passando para conhecer seu blog..sua visita será uma alegria..


Shalom no vínculo daquele que nos chama para amar


http://nairmorbeck.blogspot.com/