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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Recomeçar é preciso...

Mais um ano se passou e um novo ano acaba de nascer. E com o nascimento de um novo ano há uma sensação de recomeço, de renovação. Parece que há uma linha divisória entre os meses de Dezembro e Janeiro. Dezembro deixa para trás tudo que é velho, antigo e as coisas que deram de errado. Janeiro abre as portas para as coisas novas, para uma nova esperança e para novos projetos de vida. Obviamente que não há nada de espiritual ou místico na passagem de um mês para outro, de um ano para outro. A sensação de renovação é provocada pelo costume de anos a fio encarando o início de cada ano como um marco para novas atitudes. E isso não é ruim. Muito pelo contrário, é algo bom e salutar.

Esta é a época do ano que nos sentimos motivados a fazer as antigas promessas de começar uma dieta para emagrecer, fazer exercícios físicos, cuidar melhor da saúde, dar mais tempo à família, trabalhar menos e descansar mais, buscar mais intensamente a Deus... E por aí vai! O fato é que Janeiro já está aí e precisamos recomeçar mais um ano. Sim, recomeçar é preciso. Muita gente está entrando em 2011 com as feridas deixadas pelas batalhas que enfrentaram em 2010. Há pessoas que gostariam que o ano que se passou não tivesse existido. Alguns perderam entes queridos, outros enfrentaram traições, passaram por crises financeiras, outros viram o casamento acabar em divórcio, outros viram os filhos se afundarem na bebida ou nas drogas, outros ainda enfrentaram doenças mortais e entrarão o novo ano ainda enfermos.

E não há rituais de passagem de ano ou festas de réveillon que possam curar as marcas das duras lutas enfrentadas no ano anterior. De nada adianta dar três pulinhos nas ondas do mar ou entrar no novo ano vestido de branco. Estas práticas nada podem fazer. São apenas superstições da crendice popular. Vestir-se de branco não apaga as manchas de um coração contaminado pela inveja, cobiça, orgulho, avareza, infidelidade e adultério. Somente Jesus pode curar nossas feridas e nos dar uma paz que nada mais nem ninguém – nem religiões, nem superstições, nem rituais – pode nos conceder. Somente Jesus Cristo tem o poder de nos conceder força e ânimo necessários para continuarmos em nossa trajetória.

Não obstante todas as lutas que enfrentamos no ano anterior, recomeçar é preciso. Sim, é preciso recomeçar. Todavia, recomeçar só é possível pela força que vem de Deus. O profeta Isaías fala da promessa de Deus de renovar as forças dos que estão comprometidos com Ele: “Aos cansados ele dá novas forças e enche de energia os fracos. Até os jovens se cansam e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no Senhor recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam” (Is 40:29-31). Esta promessa é somente para os que confiam em Deus.

Porém, confiar em Deus vai além de acreditar que Ele existe ou de respeitá-lo. Confiar em Deus significa estar comprometido com Ele num relacionamento pessoal com o Criador. Relacionamento baseado no amor a Deus e na obediência aos seus mandamentos. Para desfrutar deste relacionamento é preciso primeiramente ir até Jesus, pois somente Ele é o caminho que nos leva a Deus. Então, meus amigos, com a ajuda que vem de Deus, estaremos prontos para recomeçar a vida após enfrentarmos longas batalhas que ferem a alma e o coração. Sim, recomeçar é preciso. E, recomeçar com Jesus, é melhor ainda!

Feliz 2011, com Jesus no coração!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cantores evangélicos no Faustão: Benção ou Maldição?

Algo que era impensável há uns dez anos atrás está acontecendo na TV brasileira: cantores evangélicos se apresentando em programa de auditório da Rede Globo de televisão. É o caso das cantoras Ana Paula Valadão e Ludmila Ferber que recentemente se apresentaram no programa do Faustão. Inacreditável, mas nem tanto, se analisarmos os motivos do aparecimento de artistas gospel na rede campeã de audiência.

Na verdade, parece que isto seria uma tendência inevitável, pois há muitos anos os programas do apresentador Raul Gil têm apresentado cantores evangélicos em seus shows de calouros. Sem contar os programas televisivos de quinta categoria e de gosto duvidoso, tais como o da Luciana Gimenez e do Ratinho onde pastores “cabeças-de-bagre” são convidados para tratarem de temas sensacionalistas que nada agregam e servem somente para aumentar os pontos no ipode através da polêmica. Exceção deve ser feita ao Pr. Silas Malafaia que com propriedade tratou do tema da homossexualidade no programa do Ratinho.

A questão é a seguinte: chegarmos à Rede Globo é sinal de sucesso ou de decadência? É motivo para comemoração ou é um alerta para o povo de Deus? Antes de tudo, quero esclarecer que meu objetivo aqui não é polemizar, criticar ou defender a abertura que artistas cristãos estão tendo na TV secular, mas fazer uma profunda e séria reflexão sobre este fenômeno. Essa reflexão precisa ser feita. Ela é necessária e urgente, pois não podemos cometer os erros que a igreja cometeu no distante passado histórico que significaram sua decadência. Nesta reflexão é preciso colocar na balança os prós e os contras da visibilidade que cristãos evangélicos estão tendo no meio artístico secular.

Do ponto de vista da propagação do evangelho não há sombra de dúvidas que esta abertura se torna uma oportunidade de se levar a mensagem da salvação a um maior número de pessoas. Outro ponto positivo é desmistificar para os não-crentes aquela falsa imagem de que o cristão evangélico é um sujeito esquisito que só anda de terno e gravata, as mulheres não cortam cabelo vestindo-se como bruxas, e que são indivíduos que não se misturam com outras pessoas que não compartilham de sua fé cristã. Além desses, outro forte argumento é a possibilidade de fazer brilhar a luz de Cristo onde sempre reinou as trevas, isto é, na Rede Globo e em outras emissoras. Inegavelmente, estes são alguns pontos positivos do aparecimento de artistas gospel na Globo e em outros programas seculares da televisão.

Por outro lado, corremos o risco de paulatinamente sermos confundidos como “farinha do mesmo saco”. Se os artistas gospel não mostrarem seu cristianismo quando confrontados em seus valores e princípios cristãos, se moldarem-se na forma do mundo sem Deus para ganhar o mundo para Deus, então, faltamente o mundo sem Deus olhará para nós e dirá: “_ Eles são como nós. Não há diferenças entre a gente”.

O fato é que haverá artistas cristãos que não falarão abertamente no que pensam ou crêem concernente à questões morais e de fé – e até vão renegá-las – por questões contratuais. Não seria esta uma estratégia de Satanás para trazer confusão às mentes das pessoas misturando “água” e “óleo” a fim de obscurecer suas consciências da necessidade daquela mudança de vida que o Evangelho de Cristo pretende efetuar?

E a Globo? Estaria a rede de TV dos Marinhos interessada em propagar o Reino de Deus? Quais são as intenções do sistema Globo em contratar cantores evangélicos? Seria promover o nome de Jesus e a sua salvação a todos os homens? Ora, quem acredita nisso provavelmente acredita em Papai Noel ou na fada do dente. Obviamente que os interesses da Globo são puramente comerciais e financeiros. A esperteza da Globo foi perceber que a população evangélica no Brasil é um poderoso meio de obter vastos lucros financeiros para quem oferece bons produtos ao consumidores cristãos.

Muito dinheiro à vista, a Globo não perdeu tempo em contratar os melhores de nossos cantores e cantoras para o seu rol de artistas. O aparecimento deles nos programas do Faustão tem apenas um objetivo: apresentar o produto que pretendem vender aos consumidores, especialmente os evangélicos que não param de crescer numericamente em nossa terra tupiniquim. Nada de evangelização, promoção da cultura ou dos valores cristãos, da moral e dos bons costumes. Nadica de nada! Não meus amigos! A intenção da Globo é somente encher os seus cofres.

O que motiva os cantores cristãos assinarem vultosos contratos com a Globo é algo que ninguém pode medir ou julgar. Isso compete somente a Deus. Se estão compromissados tão somente em propagar o Evangelho de Cristo e edificar a Igreja de Deus, ou se venderam sua alma ao diabo por causa do amor ao dinheiro e da fama, somente Deus o sabe.

Quando a perseguida e sofredora igreja cristã do século IV viu seu maior inimigo, o Império Romano, se voltar a favor do cristianismo e torná-lo a religião oficial do Império, isto foi encarado como uma benção de Deus pela maioria dos cristãos. Não era para menos, pois a partir dali as perseguições seguidas de morte iriam cessar. Apenas alguns poucos cristãos protestaram contra aquela união, mas em vão.

A história demonstra que aquela união da Igreja com o mundo secular – naquele caso uma união política e religiosa – acarretou em longo prazo na deteriorização moral, espiritual e ética da Igreja cristã. O resultado explodiu na Idade Média, período denominado “Idade das Trevas”: uma igreja institucionalizada por tradições e dogmas antibíblicos, chefiada por um clero corrupto, prostitutamente pagã e mundanizada e decaída espiritualmente.

A civilização ocidental comandada pela igreja tornou-se escrava de um sistema político-religioso que a afundou na mais profunda ignorância e atraso cultural, intelectual e espiritual por cerca de mil anos, cujas conseqüências podemos observar até hoje no ocidente. A igreja de perseguida passou a ser perseguidora e assassina daqueles que eram contra seus dogmas. A igreja romanizada encontrou-se há milhares de anos luz de distância daquela Igreja do Novo Testamento, a Igreja sonhada e fundada por Jesus Cristo.

Hoje, comparativamente, resguardando as devidas proporções, vemos algo semelhante ocorrer. A Globo, assim como o Império Romano, sempre perseguiu e desfez da Igreja de Cristo, neste caso a Igreja Evangélica. Em seus noticiários, por longos anos a fio, nos tratou como se não existíssemos, a não ser para noticiar os escândalos cometidos por falsos pastores. Seus programas sempre fizeram apologia ao ocultismo, ao espiritismo, ao paganismo, à idolatria, ao adultério, ao divórcio, ao homossexualismo, aos pecados sexuais. Com isso, tem promovido sistematicamente a destruição da família e dos valores cristãos pregados pela verdadeira igreja de Jesus.

Agora, a Globo, a antiga perseguidora da igreja, contrata cantores evangélicos e os apresenta em um de seus programas de maior audiência. Nesta semana, até o Pr. Silas Malafaia foi notícia nos jornais televisivos da Globo que mostrou o colega pastor batizando milhares de convertidos ao Evangelho. Meses atrás o Jornal Nacional apresentou por uma semana um documentário sobre as obras sociais das igrejas protestantes históricas no Brasil. Desse modo, a Globo acena como “amiga” e “simpatizante” dos evangélicos.

Assim como aconteceu com os cristãos da igreja do século IV, hoje, muitos cristãos estão glorificando a Deus pelo fato de nossa perseguidora ter se aproximado do povo evangélico. Porém, a que preço? Quais serão no futuro as conseqüências para o cristianismo evangélico esta união e aproximação de intenções duvidosas? Será para nós benção ou maldição? Estamos entrando num período de abertura para o Evangelho de Cristo ou estão se abrindo as portas de uma nova Idade das Trevas? Bem, o tempo dirá.

Todavia, esperaremos passivamente o tempo dizer o que será de nós ou vamos agir para que não sucumbamos às novas tendências que nos fragilizam? Ou será que nosso enfraquecimento espiritual já não começou faz tempo? Será que não começou lá trás quando transformamos nossos cultos em “shows da fé”, nossos ministros em “artistas”, nossos servos em “estrelas” (cadentes e errantes...), as ovelhas de Cristo em “consumidores”, os pastores em “animadores de auditório”, o altar de Deus em “palco”, a sala de oração em “camarim”, as ofertas de amor em “cachês” e nossas reuniões de adoração em “espetáculos” fechados com contrato? Será que estas inversões de valores não têm nos afastado de Jesus e dos seus propósitos para sua Igreja? Prá gente pensar...

Então, chegamos à triste conclusão que ver nossa gente no Faustão e ver a Globo posar como nossa amiga pode ser – estou dizendo “poder ser” não que seja de fato – o resultado disso tudo. Que Deus nos ajude, tenha misericórdia de nós e nos faça voltar à simplicidade do Evangelho de Cristo.

A Deus seja a glória!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Língua solta: encrenca à vista!

Ouvir e falar. É o que trata dois versículos seguidos de Provérbios 20: “Procure bons conselhos e você terá sucesso; não entre na batalha sem antes fazer planos” (vs. 18), e: “O mexeriqueiro espalha os segredos; por isso fique longe de quem fala demais” (vs.19). O primeiro trata do ouvir. Ouvir a pessoa certa. O segundo do falar, e também do ouvir, ou melhor, de quem não ouvir.

Precisamos saber ouvir. Não ouvir qualquer coisa. É preciso ouvir bons conselhos. Bons conselhos não vêm de qualquer pessoa. Não vem do fofoqueiro, daquela pessoa que não ama e não teme a Deus. Se buscarmos bons conselhos nas pessoas certas teremos sucesso naquilo que pretendemos realizar. Aliás, sempre que planejamos algo, temos que buscar conselhos certos nas pessoas certas. Esta é a razão da recomendação de Deus: “Procure bons conselhos e você terá sucesso; não entre na batalha sem antes fazer planos” (Pv 20:18).

Precisamos também saber falar. Não falar qualquer coisa. Precisamos tomar cuidado com o que falamos, como falamos, quando falamos, onde falamos, por que falamos e para quem falamos. Metemos-nos em encrenca quando travamos conversa com quem fala pelos cotovelos. Por isto, o conselho da Palavra de Deus é enfático: “O mexeriqueiro espalha os segredos; por isso fique longe de quem fala demais” (Pv 20:19).

Ouvir e falar. Tão necessários! Tão importantes! Tão abençoadores! Tão perigosos! Ser-se-ão abençoadores ou perigosos dependerá da maneira como os utilizaremos. Depende de nós...

Escola de Pastores e Obreiros

Chegamos ao final de mais uma ano letivo da EPO - Escola de Pastores e Obreiros. Agradeço a Deus pelos momentos que passei com os alunos em todas as matérias que estudamos durante o ano de 2010.

Quando ensino, também aprendo. Portanto, lecionar na EPO é para mim não somente um privilégio, mas também uma oportunidade de continuar aprendendo e crescendo no conhecimento da Palavra de Deus.

Aos alunos desejo boas férias e que Deus continue os abençoando e os usando a cada um em seus ministérios.

Até 2011!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O que vai proteger sua família?

A família é a base da sociedade. Famílias fortes geram sociedades fortes. Famílias fracas e desestruturadas geram sociedades fracas e desestruturadas. A sociedade atual, no que concerne à espiritualidade, à moralidade e a ética, encontra-se no estado do segundo exemplo. Temos visto a família ser destruída por causa da perda dos valores morais, éticos e espirituais.

O resultado é o que vemos todos os dias ao nosso redor: violência dos jovens que matam outros jovens, desrespeito às autoridades, divórcios, adultérios, proliferação das doenças sexualmente transmissíveis, a multiplicação de adolescentes grávidas e de pais solteiros, o tráfico de drogas que é bancado pelos usuários de entorpecentes e que gera todo tipo de crimes e violência... A lista é imensa. Para piorar, muitos destes desvios são aplaudidos, reforçados e incentivados pela mídia, pelos governos e pelos educadores. A receita perfeita para a desestruturação das pessoas, de suas famílias, e, por fim, da sociedade. E não tenho dúvidas: o problema começa em casa.

O problema começa em casa porque as pessoas não temem a Deus. Por não temerem a Deus exibem atitudes e comportamentos que são “... caminhos que parecem certos, mas podem acabar levando para a morte” (Pv 14:12). Porém, segundo o livro de Provérbios – o livro da sabedoria – o temor do Senhor protege a família: “No temor ao SENHOR, o homem encontra um forte apoio e também segurança para a sua família. O temor ao SENHOR é uma fonte de vida e ajuda a evitar as armadilhas da morte” (Pv 14:26, 27).

Mas, afinal de contas, o que significa “temer a Deus”? Alguns afirmam que “temer a Deus” não é ter medo de Deus. Ora, por que não? Jesus certa vez disse: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10:28). Estas palavras foram corretamente traduzidas na Nova Tradução da Linguagem de Hoje: “Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Porém tenham medo de Deus, que pode destruir no inferno tanto a alma como o corpo”  (meu o destaque em negrito ).

Portanto, temer a Deus significa também ter medo de Deus. O mesmo medo sadio que os filhos sentem dos pais. Ora, não são os cristãos nascidos de Deus filhos de Deus? Sim, obviamente! Contudo, “temer a Deus” não é somente “ter medo de Deus”. Significa também honrá-lo, respeitá-lo, e, sobretudo, amá-lo. Isto é temer ao Senhor.

Este temor a Deus – a somatória de amor, honra, respeito e medo – preserva a família, pois quem teme ao Senhor, obedecerá e honrará os pais, será fiel ao seu cônjuge, educará os filhos com responsabilidade, disciplina e amor, e renunciará a tudo que pode destruir a unidade do casamento e da família. Atitudes como estas protegem e sustentam os relacionamentos familiares. Ao contrário, o adultério, a desobediência aos pais e à Palavra de Deus, o descuido na educação dos filhos, são, por exemplo, conforme descreve Provérbios, armadilhas da morte que destroem a família e o casamento.

É por esta razão que Deus em sua Palavra diz claramente que “no temor ao SENHOR, o homem encontra um forte apoio e também segurança para a sua família. O temor ao SENHOR é uma fonte de vida e ajuda a evitar as armadilhas da morte”.

Portanto, por amor à família, temamos ao Senhor! Por amor a Deus, preservemos o nosso lar!

A Deus seja a glória!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Abatidos, porém não destruídos

Quando Paulo escreveu a carta que denominamos a Segunda Epístola aos Coríntios o apóstolo estava um pouco triste e chateado. O motivo era a ingratidão dos cristãos da cidade grega de Corinto que estavam colocando em dúvida a autoridade e a legalidade do apostolado de Paulo.

A decepção de Paulo não era para menos. Estava triste e decepcionado porque foi ele quem levou o Evangelho de Cristo para aquelas pessoas. Permaneceu em Corinto um ano e meio pregando e ensinando a Palavra de Deus para aquela gente, correndo risco de morte e sem receber salário daquela igreja. Paulo deu a sua vida por eles, e, em troca, estava recebendo a ingratidão e a falta de reconhecimento.

A ingratidão é uma das coisas que mais machucam o coração da gente. Além da ingratidão há também outras decepções da vida que também nos machucam, que ferem o nosso coração, tais como traições, a falta de perdão, abandono, calúnias, mentiras, injustiça, preconceito que sofremos por causa da nossa fé em Jesus... Por falar da fé em Jesus pela qual se baseia nosso relacionamento com Deus, é isto que nos sustenta nas mais turbulentas adversidades da vida. Deus, por meio de Jesus e de seu Santo Espírito, nos sustenta nas mais duras adversidades.

Por esta razão, Paulo em sua carta aos cristãos de Corinto, em II Co 4:8, 9, fala de quatro tipos de crises que são confrontadas com grandes vitórias que nos fazem continuar em nossa caminhada com Deus:

A primeira crise são as tribulações: “Em tudo somos atribulados” ou “Muitas vezes ficamos aflitos”. A palavra “aflitos” significa literalmente “pressionar”, “oprimir”. Não é assim que nos sentimos em momentos de aperto? Há situações que nos pressionam, nos oprimem, nos sufocam, nos apertam, a ponto de não podemos escapar.

“... Porém não angustiados” ou não “derrotados”, diz Paulo. Ainda que enfrentemos todo tipo de circunstâncias que “esmagam” nosso coração e sufocam nossa alma, Jesus não permite sermos “esmagados”, derrotados. Ele nos sustenta! Sempre!

A segunda crise apontada pelo apóstolo são as dúvidas que abatem o coração. Há crises nos deixam “perplexos”, ou como descreve outra tradução da Bíblia: “algumas vezes ficamos em dúvida”. Podemos experimentar situações que nos deixam perplexos, em dúvidas, porque não temos respostas. Não temos respostas porque somos humanos, limitados, falhos...

Há desesperos que abatem a nossa alma que nos dão a impressão que não vamos suportar. Nossa fé, esperança e confiança em Deus são provados até nossos limites... Por isso, ficamos perplexos, mas não “totalmente perplexos”... Ainda que a luz se apague para nós, ainda haverá luz suficiente para nos guiarmos por ela.

Por esta razão, Paulo afirma que embora ficasse perplexo ou sem respostas em certas crises que enfrentava, não se desesperava: “mas nunca ficamos desesperados”. Dúvidas não são sinônimos de perda da esperança em Deus. Jó quando perdeu tudo o que tinha entrou em profunda crise existencial pelas dúvidas que tinha em relação às causas de seu infortúnio. Mas Jó jamais perdeu sua fé e esperança em Deus. Jesus não permite que jamais sejamos atribulados além de nossas forças. Ele sempre vem nos socorrer!

As perseguições vindas de inimigos da fé cristã são o terceiro tipo de crise citado por Paulo: “perseguidos” ou “temos muitos inimigos”. A palavra “perseguidos” literalmente significa “excluídos”, “expulsos”, “caçados”. Dá a entender a oposição do mundo contra a nossa fé em Jesus. Não podemos esquecer que o próprio Jesus nos preveniu que devido ao nosso comprometimento e relacionamento com Ele seríamos odiados e perseguidos até mesmo pelos nossos familiares.

Todavia, conforme escreve Paulo, ainda que sejamos duramente perseguidos por causa de nosso amor a Jesus, nunca ficamos “desamparados”... Ainda que tenhamos muitos inimigos, “mas nunca nos falta um amigo” (assim descritas as palavras de Paulo na Nova Tradução da Linguagem de Hoje). Deus nunca nos desampara nas perseguições contra a nossa fé. Ele sempre está conosco. E nunca deixa faltar um amigo... Amigos que nos amparam com sua companhia, amizade e oração.

Por fim, temos o quarto tipo de crise mencionado por Paulo: estar abatido, expressão melhor traduzida pela NTLH: “Às vezes somos gravemente feridos”. Estas palavras tem o significado de “lançar por terra” ou “derrubar”. Não é assim que ficamos em algumas situações? Em algumas batalhas da vida? Há batalhas que perdemos... Quando isto acontece, nos sentimos feridos na alma, no coração...

É verdade, às vezes perdemos algumas batalhas, mas jamais nos damos por vencidos! Por isto, continua Paulo: “não somos destruídos”. Podemos perder a batalha, mas não perdemos a guerra! Conforme Paulo escreveu aos crentes de Roma, em todas as crises que enfrentamos “... somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:37-39).

Esta é a nossa condição (me refiro aos filhos de Deus, aos crentes e discípulos de Cristo) quando enfrentamos grandes adversidades que são maiores e mais fortes do que nós: Em todas as direções somos duramente pressionados, mas não esmagados... Ficamos perplexos, com dúvidas muitas vezes, mas não consumidos pelo total desespero... Perseguidos, mas não abandonados... Abatidos, como que por uma flecha, mas não destruídos, não vencidos.

Concluo com as palavras de Paulo que ele escreveu logo adiante: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (II Co 4:16-18).

A Deus seja a glória!