Algo que era impensável há uns dez anos atrás está acontecendo na TV brasileira: cantores evangélicos se apresentando em programa de auditório da Rede Globo de televisão. É o caso das cantoras Ana Paula Valadão e Ludmila Ferber que recentemente se apresentaram no programa do Faustão. Inacreditável, mas nem tanto, se analisarmos os motivos do aparecimento de artistas gospel na rede campeã de audiência.
Na verdade, parece que isto seria uma tendência inevitável, pois há muitos anos os programas do apresentador Raul Gil têm apresentado cantores evangélicos em seus shows de calouros. Sem contar os programas televisivos de quinta categoria e de gosto duvidoso, tais como o da Luciana Gimenez e do Ratinho onde pastores “cabeças-de-bagre” são convidados para tratarem de temas sensacionalistas que nada agregam e servem somente para aumentar os pontos no ipode através da polêmica. Exceção deve ser feita ao Pr. Silas Malafaia que com propriedade tratou do tema da homossexualidade no programa do Ratinho.
A questão é a seguinte: chegarmos à Rede Globo é sinal de sucesso ou de decadência? É motivo para comemoração ou é um alerta para o povo de Deus? Antes de tudo, quero esclarecer que meu objetivo aqui não é polemizar, criticar ou defender a abertura que artistas cristãos estão tendo na TV secular, mas fazer uma profunda e séria reflexão sobre este fenômeno. Essa reflexão precisa ser feita. Ela é necessária e urgente, pois não podemos cometer os erros que a igreja cometeu no distante passado histórico que significaram sua decadência. Nesta reflexão é preciso colocar na balança os prós e os contras da visibilidade que cristãos evangélicos estão tendo no meio artístico secular.
Do ponto de vista da propagação do evangelho não há sombra de dúvidas que esta abertura se torna uma oportunidade de se levar a mensagem da salvação a um maior número de pessoas. Outro ponto positivo é desmistificar para os não-crentes aquela falsa imagem de que o cristão evangélico é um sujeito esquisito que só anda de terno e gravata, as mulheres não cortam cabelo vestindo-se como bruxas, e que são indivíduos que não se misturam com outras pessoas que não compartilham de sua fé cristã. Além desses, outro forte argumento é a possibilidade de fazer brilhar a luz de Cristo onde sempre reinou as trevas, isto é, na Rede Globo e em outras emissoras. Inegavelmente, estes são alguns pontos positivos do aparecimento de artistas gospel na Globo e em outros programas seculares da televisão.
Por outro lado, corremos o risco de paulatinamente sermos confundidos como “farinha do mesmo saco”. Se os artistas gospel não mostrarem seu cristianismo quando confrontados em seus valores e princípios cristãos, se moldarem-se na forma do mundo sem Deus para ganhar o mundo para Deus, então, faltamente o mundo sem Deus olhará para nós e dirá: “_ Eles são como nós. Não há diferenças entre a gente”.
O fato é que haverá artistas cristãos que não falarão abertamente no que pensam ou crêem concernente à questões morais e de fé – e até vão renegá-las – por questões contratuais. Não seria esta uma estratégia de Satanás para trazer confusão às mentes das pessoas misturando “água” e “óleo” a fim de obscurecer suas consciências da necessidade daquela mudança de vida que o Evangelho de Cristo pretende efetuar?
E a Globo? Estaria a rede de TV dos Marinhos interessada em propagar o Reino de Deus? Quais são as intenções do sistema Globo em contratar cantores evangélicos? Seria promover o nome de Jesus e a sua salvação a todos os homens? Ora, quem acredita nisso provavelmente acredita em Papai Noel ou na fada do dente. Obviamente que os interesses da Globo são puramente comerciais e financeiros. A esperteza da Globo foi perceber que a população evangélica no Brasil é um poderoso meio de obter vastos lucros financeiros para quem oferece bons produtos ao consumidores cristãos.
Muito dinheiro à vista, a Globo não perdeu tempo em contratar os melhores de nossos cantores e cantoras para o seu rol de artistas. O aparecimento deles nos programas do Faustão tem apenas um objetivo: apresentar o produto que pretendem vender aos consumidores, especialmente os evangélicos que não param de crescer numericamente em nossa terra tupiniquim. Nada de evangelização, promoção da cultura ou dos valores cristãos, da moral e dos bons costumes. Nadica de nada! Não meus amigos! A intenção da Globo é somente encher os seus cofres.
O que motiva os cantores cristãos assinarem vultosos contratos com a Globo é algo que ninguém pode medir ou julgar. Isso compete somente a Deus. Se estão compromissados tão somente em propagar o Evangelho de Cristo e edificar a Igreja de Deus, ou se venderam sua alma ao diabo por causa do amor ao dinheiro e da fama, somente Deus o sabe.
Quando a perseguida e sofredora igreja cristã do século IV viu seu maior inimigo, o Império Romano, se voltar a favor do cristianismo e torná-lo a religião oficial do Império, isto foi encarado como uma benção de Deus pela maioria dos cristãos. Não era para menos, pois a partir dali as perseguições seguidas de morte iriam cessar. Apenas alguns poucos cristãos protestaram contra aquela união, mas em vão.
A história demonstra que aquela união da Igreja com o mundo secular – naquele caso uma união política e religiosa – acarretou em longo prazo na deteriorização moral, espiritual e ética da Igreja cristã. O resultado explodiu na Idade Média, período denominado “Idade das Trevas”: uma igreja institucionalizada por tradições e dogmas antibíblicos, chefiada por um clero corrupto, prostitutamente pagã e mundanizada e decaída espiritualmente.
A civilização ocidental comandada pela igreja tornou-se escrava de um sistema político-religioso que a afundou na mais profunda ignorância e atraso cultural, intelectual e espiritual por cerca de mil anos, cujas conseqüências podemos observar até hoje no ocidente. A igreja de perseguida passou a ser perseguidora e assassina daqueles que eram contra seus dogmas. A igreja romanizada encontrou-se há milhares de anos luz de distância daquela Igreja do Novo Testamento, a Igreja sonhada e fundada por Jesus Cristo.
Hoje, comparativamente, resguardando as devidas proporções, vemos algo semelhante ocorrer. A Globo, assim como o Império Romano, sempre perseguiu e desfez da Igreja de Cristo, neste caso a Igreja Evangélica. Em seus noticiários, por longos anos a fio, nos tratou como se não existíssemos, a não ser para noticiar os escândalos cometidos por falsos pastores. Seus programas sempre fizeram apologia ao ocultismo, ao espiritismo, ao paganismo, à idolatria, ao adultério, ao divórcio, ao homossexualismo, aos pecados sexuais. Com isso, tem promovido sistematicamente a destruição da família e dos valores cristãos pregados pela verdadeira igreja de Jesus.
Agora, a Globo, a antiga perseguidora da igreja, contrata cantores evangélicos e os apresenta em um de seus programas de maior audiência. Nesta semana, até o Pr. Silas Malafaia foi notícia nos jornais televisivos da Globo que mostrou o colega pastor batizando milhares de convertidos ao Evangelho. Meses atrás o Jornal Nacional apresentou por uma semana um documentário sobre as obras sociais das igrejas protestantes históricas no Brasil. Desse modo, a Globo acena como “amiga” e “simpatizante” dos evangélicos.
Assim como aconteceu com os cristãos da igreja do século IV, hoje, muitos cristãos estão glorificando a Deus pelo fato de nossa perseguidora ter se aproximado do povo evangélico. Porém, a que preço? Quais serão no futuro as conseqüências para o cristianismo evangélico esta união e aproximação de intenções duvidosas? Será para nós benção ou maldição? Estamos entrando num período de abertura para o Evangelho de Cristo ou estão se abrindo as portas de uma nova Idade das Trevas? Bem, o tempo dirá.
Todavia, esperaremos passivamente o tempo dizer o que será de nós ou vamos agir para que não sucumbamos às novas tendências que nos fragilizam? Ou será que nosso enfraquecimento espiritual já não começou faz tempo? Será que não começou lá trás quando transformamos nossos cultos em “shows da fé”, nossos ministros em “artistas”, nossos servos em “estrelas” (cadentes e errantes...), as ovelhas de Cristo em “consumidores”, os pastores em “animadores de auditório”, o altar de Deus em “palco”, a sala de oração em “camarim”, as ofertas de amor em “cachês” e nossas reuniões de adoração em “espetáculos” fechados com contrato? Será que estas inversões de valores não têm nos afastado de Jesus e dos seus propósitos para sua Igreja? Prá gente pensar...
Então, chegamos à triste conclusão que ver nossa gente no Faustão e ver a Globo posar como nossa amiga pode ser – estou dizendo “poder ser” não que seja de fato – o resultado disso tudo. Que Deus nos ajude, tenha misericórdia de nós e nos faça voltar à simplicidade do Evangelho de Cristo.
A Deus seja a glória!