Fenômeno na campanha eleitoral deste ano, o palhaço Tiririca aparece em primeiro nas pesquisas de intenção de voto. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, estima que o nobre candidato pode chegar a receber cerca de 1 milhão de votos. Então, ficamos nos perguntando como isto é possível.
Bem, estes "fenômenos eleitorais" são característicos na política brasileira. Quem não se lembra do índio Juruna, e mais recentemente de Clodovil, figuras que se aventuram na vida pública visivelmente incapazes de representar o cargo para o qual foram eleitos.
O problema é que os "políticos profissionais", aqueles para os quais olhamos e dizemos: "Esse fulano sim, tem experiência e longa vida da política" - estão com sua imagem desgastada. Estamos cansados de ver as mesmas "caras" na política brasileira, marcada por sucessivos escândalos e corrupção que estouram na mídia todos os meses.
Depois do escândalo do mensalão em que o partido do governo esteve envolvido chegamos a uma triste conclusão: todos os partidos são exatamente iguais. A corrupção parece que faz parte da cultura maldita do brasileiro. A falcatrua, o engano, o "levar vantagem em tudo", o famoso jeitinho brasileiro, não está somente em Brasília, mas inscrustado na sociedade como um todo. É verdade que há muitas pessoas honestas, de bem, que buscam o bem-estar dos outros, mas é de duvidar que a maioria dos candidatos estão realmente compromissados com este nobre propósito.
Depois de 20 anos de ditadura militar, quando pensávamos que haveria uma renovação na classe política, o que vemos na política brasileira é um jogo de poder, onde quem ganha tem as cartas do jogo, e quem perde luta para se aliar aos vencedores para se apropriar de uma fatia do bolo. O maior partido deste país, com o maior número de filiados, é o partido mais "prostituto" dentre os demais. Nunca está na oposição. Sempre está aliado aos vencedores da batalha eleitoral, para assim, participar da situação. Isto em todas as instâncias: municipal, estadual e federal. Tornou-se um partido sem ideologia e jogou no lixo sua nobre história.
Por esta e por outras o povo está cansado. Esta cansado de muito blá-blá-blá e pouco resultado. Cansado de um governo populista que dá dinheiro e comida para os necessitados e não fornece a eles os meios - trabalho, preparo profissional e educação - para que não dependam a vida toda do Estado. Desse modo, aqueles miseráveis se tornam alienados políticos que com a miséria de recebem dos "fomes zeros" e dos "salários famílias" da vida são comprados eleitoralmente para votar nas eleições por aqueles que os alienam com gorgetas que não podem transformar de verdade sua condição de vida.
Já ouvi algumas pessoas afirmarem que os que pretendem votar em Tiririca estão dando um voto de "protesto". Ao meu ver, os votos para Tiririca não são votos de protesto. São votos que refletem a mentalidade do eleitorado brasileiro. Um protesto consciente não escolhe um palhaço para ser deputado. Ao votar em Tiririca o eleitorado está demonstrando que não leva a sério a política no Brasil. Estão "tirando o sarro" bem ao estilo brasileiro que gosta de brincar e fazer chacota.
Tiririca na frente das pesquisas é o reflexo de como a população vê os políticos que lá estão no poder: um bando de "palhaços" que estão a brincar com o nosso dinheiro, com o nosso voto e com o respeito que a população merece. Obviamente que não estou generalizando. Há alguns poucos políticos sérios e honestos, ainda que sejam uma espécie em extinção.
O que quero dizer é que os votos para Tiririca, longe de serem votos de protesto, demonstram na verdade o que pensam os eleitores a respeito de nossos governantes. É como se os eleitores estivessem jogando o lixo no seu devido lugar: no lixo. Desse modo, os eleitores de Tiririca ao votarem no "respeitado" comediante, não protestando, mas tirando o sarro e fazendo chacota , estão dando este recado para toda a classe política: "Tomem o que lhes pertence. É isso que vocês merecem". Ora, lugar de palhaço não é no circo?
Que Deus nos ajude!
"Feliz a nação que tem o SENHOR como o seu Deus..." (Sl 33:12).

