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terça-feira, 31 de agosto de 2010

O menino pequeno... A menina pequena

O MENINO PEQUENO

Quando Deus criou os Meninos Pequenos
Deus criou um mundo além do seu sonho,
Com impressionantes montanhas, oceanos e rios,
Prados e planícies e uma terra cheia de árvores,

Então parou e pensou,
"Eu preciso de alguém para ficar no topo das montanhas,
Para conquistar os mares, explorar as planícies e
Subir nas árvores, alguém que comece pequeno e cresça robusto, forte como uma árvore e assim por diante...

Ele, então criou os meninos, cheios de energia e diversão
Com faces sujas, bochechas afogueadas, com corações corajosos e caretas infantis.
Quando Ele completou a tarefa que havia começado,
Ele certamente disse "Isso foi um trabalho bem feito".

A MENINA PEQUENA

Quando Deus criou as Meninas Pequenas
Deus fez o mundo com suas árvores imensas
Montanhas majestosas e oceanos relaxantes

Então, parou e disse,
"Eu preciso mais uma coisa
Alguém para rir e dançar
Para andar nas florestas e colher flores
Para comungar com a natureza em horas calmas".

Então Deus fez as meninas pequenas
Com olhos risonhos e cachos balançantes
Com corações alegres e sorrisos contagiosos
Gestos encantadores e seduções femininas,

E quando Ele completou a tarefa que havia começado
Estava contente e orgulhoso do trabalho feito.
O mundo visto através dos olhos das meninas pequenas
Assemelha-se enormemente ao Paraíso.

(Tradução livre do Inglês, autoria não identificada. Extraído do livro "Eduque com Carinho - Equilíbrio entre Amor e Limites" de Lidia Weber, Juruá Editora, 2009).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Casados... Ainda namorados...

A tarde está indo embora e a noitinha já vem chegando. A campainha toca. O coração dispara. Pés apressados de uma moça apaixonada a levam em direção à porta. Foram horas se arrumando em frente ao espelho para o encontro com a pessoa amada. Do outro lado, lá está outro coração que dispara de ansiedade. A porta se abre tal qual desejosamente é aberto um papel de presente... Os olhos do rapaz brilham ao ver sua namorada, linda, deslumbrante... Beijos seguidos de um longo abraço apertado marcam o reencontro de ambos após aquelas “longas” quatro horas intermináveis que os mantiveram separados naquele dia.

Ele gentilmente a conduz em direção ao carro. Como um cavalheiro abre a porta para ela. O destino? Um jantar romântico. No restaurante, ao chegarem à mesa, o rapaz afasta a cadeira para a sua amada sentar-se. Ela se sente amada, protegida e importante. A noite é especial. Estão comemorando um mês de namoro. Um mês, mas parece que se conhecem há um século! Conversam e falam sobre tudo. Naturalmente, ela fala mais do que ele. E, enquanto ela dispara a falar, ele ouve pacientemente, cada palavra, sílaba por sílaba, atentamente, olhando em seus olhos. Nada pode desviar a sua atenção naquele momento. O desejo é de ficar ali, parado, ouvindo para sempre a voz daquela mulher...

Vem o dia seguinte... É um dia como outro qualquer. Mas não para quem está apaixonado. O telefone toca. Ela apressadamente atende ao telefone. Então ele diz: “_ Estou ligando só para ouvir sua voz... e dizer que te amo...”. O tempo passa. Passam-se alguns poucos anos. O suficiente para aqueles dois apaixonados descobrirem o amor. O amor que os leva ao casamento. Na cerimônia, prometem se amar e serem fieis um ao outro enquanto viverem. Os primeiros meses de casamento parecem um sonho...

O tempo passa. E com o tempo, passa também o sonho. Na verdade, o sonho passa pela metamorfose da rotina conjugal, transformando-se em pesadelo. Instala-se a famosa e tão mal falada monotonia da vida matrimonial. O marido, que na época de namoro era todo ouvido para sua amada, agora já não tem mais paciência para ouvi-la abrir seu coração. Deixou de ser o amigo, o confidente, o namorado, o companheiro de sua esposa. Tornou-se um homem mal humorado, crítico e azedo. Somente se lembra dela quando quer sexo. Isso a fere, a machuca e destrói a sua auto-estima. Os sonhos de menina vão por água abaixo...

Ela por sua vez, deixou de ser aquela amiga companheira. Quando abre a boca é somente para reclamar e fazer cobranças. Depois do seu primeiro parto, trocou o marido pelo filho. Toda sua atenção agora é para o menino. Já não se veste e não se arruma mais para o seu esposo.

O relacionamento conjugal, tal qual um castelo de cartas está prestes a desabar... O afeto, o carinho e até a vida sexual estão em baixa. Foi-se a alegria e o romantismo... O amor, agonizante, pede socorro...

Este, infelizmente, é o retrato de muitos casamentos hoje em dia. Há maridos e esposas que deixaram de ser namorados. Não existe mais a paixão romântica. E isso não é bom. Ora, não é porque se casaram que devem deixar o namoro e o romantismo de lado. Casamento não deve ser sinônimo de chatice e monotonia. Quem disse que deve ser assim?

Os casais que precisam restaurar o romantismo em seu relacionamento precisam em primeiro lugar perdoar um ao outro. A restauração de um coração ou de um relacionamento ferido começa pelo perdão. O perdão traz cura, paz e a benção de Deus, pois é algo que alegra o coração do Pai. Juntamente com o perdão, deve vir o arrependimento. Confissão e arrependimento. Devemos ser homens e mulheres o suficiente para dizer à pessoa amada com quem nos casamos: “_ Me perdoe. Eu errei”...

Após fazermos isso, devemos praticar o perdão todos os dias com o nosso cônjuge. Jesus nos ensinou sobre o dever de perdoar sempre: “Se o seu irmão pecar, repreenda-o; se ele se arrepender, perdoe. Se pecar contra você sete vezes num dia e cada vez vier e disser: ‘Me arrependo’, então perdoe” (Lc 17:3, 4).

Depois, é necessário esforço de ambos para promoverem pequenas atitudes diárias que trarão novo fôlego de vida ao casamento. Sim, pequenas atitudes! São pequenas atitudes vividas diariamente que sustentam e dão vida ao relacionamento conjugal. Não são os presentes caríssimos, jóias ou viagens em transatlânticos.

Estas pequenas atitudes são, por exemplo, atenção, compreensão, carinho, ouvir atenciosamente o outro, saírem sozinhos para passear (sem os filhos) a um restaurante ou para tomar sorvete, ter bom humor (a quanto tempo não riem juntos ou não contam uma piada para o outro?), elogiar a aparência e as realizações do outro, e, finalmente, ligar durante o dia só para dizer: “_ Estou ligando somente para ouvir sua voz... e para dizer que te amo...”.


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aumenta-nos a fé

Certa vez os apóstolos de Jesus fizeram-lhe um pedido: “Aumenta-nos a fé”. A resposta de Jesus para eles foi: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá” (Lc 17:5, 6).

Por quantas vezes, nós também, nos encontramos em situações tão difíceis que oramos a Deus: “Aumenta-nos a fé”. Sentimo-nos atribulados, confusos no meio de tempestuosas lutas que parecem não ter fim, então pedimos a Deus: “Aumenta-nos a fé...”.

E os apóstolos? Por que pediram a Jesus para que a fé deles fosse acrescida? Bem, falaremos sobre isto mais adiante...

Antes de qualquer coisa, devemos saber o que é a fé. O autor da carta aos Hebreus nos dá, no meu entender, o melhor conceito de fé que alguém poderia nos fornecer: “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver” (Hb 11:1).

Outro fator determinante sobre a fé é que não devemos simplesmente ter “fé” na “fé”, como fazem alguns. A nossa fé deve ter um objeto, um fundamento: Jesus Cristo. Devemos ter fé em Deus e em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. É no Pai, no Filho e no Espírito Santo, e na Palavra deste Deus Triuno que a nossa fé está alicerçada. O apóstolo Paulo escrevendo aos cristãos de Corinto disse a eles: “... a fé que vocês têm não se baseia na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (I Co 2:5).

Esta fé a que me refiro não é a “fé natural”. A “fé natural” é aquela que todo “homem natural” (aquele que não passou pela experiência do novo nascimento) costuma expressar. O homem natural diz: “Se Deus quiser vou fazer isto ou aquilo”... “Vou fazer minha ‘fézinha’ na mega-sena”. A fé natural é aquela que diz certa canção popular: “Andar com fé eu vou... a fé não costuma falhar...”.

A fé que encontro na Bíblia não é também a fé supersticiosa da atual “superstição evangélica”, prática comum de muitos cristãos por aí afora. Estes são aqueles que vivem a dizer: “Eu declaro tal benção em minha vida”... “Declaro que vou receber minha benção”. Ora, “declaram” para quem? Caso estejam “declarando” algo para Deus, então isto é uma ordem dada a Deus e não uma oração baseada na humildade com a qual devemos nos apresentar diante daquele que é o Senhor nosso e não o nosso servo. Por outro lado, se estão apenas “declarando” que a benção virá confiando no poder da palavra que é proferida, então, isto não é oração, mas é uma “confissão positiva”. Confissão positiva é a fé na “confissão” e não a fé fundamentada em Jesus.

Tanto a fé natural do homem natural, quanto a fé supersticiosa de cristãos mal esclarecidos, não é a fé que Deus espera ser expressa em nosso relacionamento com Ele.

Dentre tantas coisas que poderíamos falar sobre a verdadeira fé, quero destacar duas de extrema relevância. A primeira delas trata-se daquilo que pode destruir ou enfraquecer a nossa fé. Conhecermos os inimigos da nossa fé em Deus é de suma importância, pois assim poderemos estar sempre prevenidos contra os seus ataques.

Evidentemente que são muitos os inimigos da fé em Deus. Entretanto, destaco apenas três, começando pelos falsos ensinos. Ensinos fraudulentos com a aparência da verdade são perigosos inimigos da fé do cristão. Tais falsos ensinos são transmitidos tanto por pregadores sinceros que reproduzem por ignorância o que lhes foi ensinado errado, quanto por pseudo-pastores que semeiam o erro visando benefício próprio. Paulo disse ao jovem pastor Timóteo: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (I Tm 4:1). Essa profecia tem-se cumprido literalmente em nossos dias, os últimos tempos...

O mesmo Paulo, na mesma carta, descreve outro inimigo da fé: o amor ao dinheiro e às coisas materiais. Assim escreveu: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (I Tm 6:9, 10).

A consciência manchada pelo pecado é um terceiro adversário da fé sincera a Deus. Ainda escrevendo à Timóteo, Paulo mais uma vez o alerta: “Conserve a sua fé e mantenha a sua consciência limpa. Algumas pessoas não têm escutado a sua própria consciência, e isso tem causado a destruição da sua fé” (I Tm 1:19). Quando desobedecemos a Deus sentimos o peso da culpa em nossa consciência. Então, se não houver arrependimento sincero e abandono do pecado, isso vai destruindo a nossa fé.

A segunda coisa que destaco a respeito da fé é a sua importância em suas mais variadas formas de expressão. A começar quando restauramos o nosso relacionamento com Deus por meio de Jesus. A salvação vem somente pela fé em Jesus Cristo. Em outras palavras, a nossa vida com Deus começa pela fé que depositamos em Jesus. Paulo em sua carta à igreja da cidade de Éfeso cita esta verdade: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8, 9), e, aos da região da Galácia afirmou: “Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 3:26).

A partir do momento que somos salvos mediante a fé em Jesus, essa fé deve nos acompanhar por toda a nossa vida. Todo o nosso viver e o nosso relacionamento com Deus estão fundamentados na fé em Jesus. A respeito disso Paulo disse: “Assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3:17). E mais: “Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se deu a si mesmo por mim” (Gl 2:20).

A fé é tão importante que precisamos dela para nos achegar a Deus e buscá-lo em oração: “Sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a ele precisa crer que ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-lo melhor” (Hb 11:6). E não somente para buscá-lo, mas também para recebermos aquilo que em oração pedimos a Ele. Jesus nos prometeu que “tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21:22). Tiago, em sua carta também fala da necessidade da fé quando pedimos algo para Deus: “Mas, se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos. Porém peçam com fé e não duvidem de modo nenhum, pois quem duvida é como as ondas do mar, que o vento leva de um lado para o outro” (Tg 1:5, 6).

É pela fé em Jesus que vencemos os ataques do diabo. Comparando a vestimenta de um soldado romano do primeiro século com a armadura espiritual com a qual devemos lutar nossas batalhas espirituais, Paulo diz que devemos embraçar “sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6:16). O apóstolo Pedro também mostra a fé como uma importante arma espiritual contra as astutas ciladas do diabo: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé...” (I Pd 5:8, 9). Esta última frase em outra tradução da Bíblia diz: “Fiquem firmes na fé e enfrentem o Diabo”. Sim, em nossa luta contra as trevas estamos na ofensiva e não na defensiva! Isso, pela fé em Jesus!

Vivemos num mundo caracterizado pela pós-modernidade, supervalorização da aparência, culto ao corpo, amor ao dinheiro, paganismo, idolatria, incredulidade, ceticismo intelectual, abandono dos valores éticos, morais e familiares. Portanto, o cristão para não ser influenciado pelos valores e estilo de vida do mundo deve lançar mão de sua fé em Deus. João, o apóstolo, afirma que “todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (I Jo 5:4, 5).

Outra característica da verdadeira fé é que ela nos leva à obediência aos mandamentos de Deus. Assim foi com Moisés, o grande líder e profeta que comandou Israel em sua libertação da escravidão do Egito. O autor à carta aos Hebreus conta que “foi pela fé que Moisés, quando já era adulto, não quis ser chamado de filho da filha de Faraó. Ele preferiu sofrer com o povo de Deus em vez de gozar, por pouco tempo, os prazeres do pecado” (Hb 11:24, 25).

A verdadeira fé é a que suporta as provações da vida. Tiago, o irmão do Senhor, incentiva-nos com estas palavras: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1:3). Pedro, semelhantemente escreveu aos seus destinatários que passavam por várias lutas e dificuldades: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (I Pd 1:6, 7).

O verdadeiro cristão tem como característica a permanência na fé em Cristo. Lucas, em sua narrativa da primeira viagem missionária Paulo, diz que o apóstolo juntamente com Barnabé após terem “feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14:21, 22). Permanecer firmes na fé é a vontade de Deus para todos os seus filhos. Isso alegra o coração do Pai. Por esta razão, Ele diz: “o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma”. E o autor da carta aos Hebreus conclui com estas palavras: “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hb 10:38, 39).

Por fim, a verdadeira fé é aquela que atua pelo amor. Em resposta aos cristãos da Galácia quanto à questão do dever ou não de se circuncidar, Paulo afirmou: “Quando estamos unidos com Cristo Jesus, não faz diferença nenhuma estar ou não estar circuncidado. O que importa é a fé que age por meio do amor” (Gl 5:6). Isso é a mais pura verdade! A fé sem amor perde seu valor, sua beleza e o seu propósito, pois “ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei” (I Co 13:2).

Tiago com toda propriedade demonstra que a verdadeira fé é aquela que é demonstrada por atitudes de amor: “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tg 2:15-17).

Pois bem, voltemos ao pedido que os apóstolos fizeram para Jesus: “Aumenta-nos a fé”. Por que pediram para que Jesus aumentasse sua fé? Ora, por causa do ensino que Jesus lhes havia dado anteriormente: “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe. Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá” (Lc 1:3-6).

Os apóstolos pediram para o Senhor aumentarem a fé deles para conseguirem perdoar sempre seus ofensores. Naquele momento, não pediram fé para curar ou para realizarem algum outro milagre, mas para perdoarem seus ofensores.

É verdade que pela fé em Deus milagres podem acontecer, todavia, a fé que conduz ao amor e ao perdão é uma fé expressa na sua maior profundidade, muito maior do que aquela pela qual se opera milagres. Será que pode existir maior milagre que o amor e o perdão frutos de uma verdadeira fé em Deus?

Que ao final de nossa vida, possamos declarar como fez Paulo antes de sua partida para as moradas celestiais: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (II Tm 4:7).

A Deus seja a glória!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pastor canditado político? Isto convém?

Caros leitores, quero concluir a série de postagens sobre o envolvimento de cristãos e igrejas na política e em suas campanhas eleitorais. Desta vez permitam-me discorrer sobre o envolvimento de pastores na política. Vejam bem, estou me referindo a pastores genuinamente chamados por Deus para o ministério pastoral. Digo isto, pois há um bando de picaretas que estão caindo de "pára-quedas" nas igrejas se autodenominando "pastores". Estes são os "chamados" pastores, mas nunca foram "pastores chamados". Chamados e vocacionados verdadeiramente por Deus para cuidar de vidas.

A cada eleição que passa, mais e mais pastores divinamente chamados e vocacionados têm deixado o ministério pastoral de lado e gastado seu tempo, forças e energia na carreira política. Bem, o que penso sobre isto?  

Há dois anos postei uma reflexão sobre este mesmo tema, e ainda hoje meu pensamento continua o mesmo. Não mudo e não retiro uma vírgula do que escrevi e penso. Por isto, nas linhas que seguem abaixo, reproduzo o que publiquei nas últimas eleições que tivemos. Assim faço, pois a meu ver, a tendência cada vez mais presente do surgimento de pastores-políticos no Brasil é algo tristemente lamentável...

Lamentável  a quantidade de pastores e líderes cristãos que se envolvem na política. Sei que muitos não vão concordar comigo, mas este é meu pensamento quanto a isso. O cristão na qualidade de cidadão de uma sociedade democrática tem o direito de se candidatar para qualquer cargo público. Aliás o Brasil precisa de homens e mulheres de Deus compromissados com Ele e o povo em todas as esferas do governo. Mas acredito piamente que quando isso toca a vida de ministros do Evangelho de Cristo a coisa muda de figura.

Um pastor na condição de cidadão tem todo o direito de candidatar-se a um cargo público. Entretanto, creio que todo pastor que se candidata a um cargo político está se rebaixando de sua nobre posição. Um pastor é um homem divinamente chamado pelo Senhor para envolver-se no trabalho do Reino de Deus. Foi chamado por Deus para ocupar-se das coisas espirituais do alto. Foi vocacionado por Deus para ganhar almas para Cristo, e edificá-las e moldá-las à imagem de Jesus. Em fim, foi divinamente chamado para pastorear as ovelhas do rebanho de Jesus (Consulte: At 20:24; Rm 1:1; I Co 1:1; II Co 1:1; Gl 1:1, 15, 16; Ef 1:1; Cl 1:1; I Tm 1:1, 12; 2:7; II Tm 1:1, 11). Portanto, creio que não existe na terra missão mais nobre e elevada do que esta.

Acredito que quando um pastor deixa o ministério para se dedicar à carreira política está se rebaixando, pois está trocando algo superior por algo inferior; está trocando uma missão espiritual por uma terrena; está trocando um ofício sagrado por um secular.

Quem vota em pastor está prestando um desserviço ao Reino de Deus...

No caso de um pastor optar por dividir o seu tempo no exercício do ministério com o exercício de seu mandato político, não acredito que obterá êxito, pois dificilmente conseguirá conciliar duas tarefas que exigem tempo e dedicação total. Certamente não exercerá com eficácia nenhuma das duas tarefas. Por experiência própria posso afirmar que um pastor que está realmente envolvido com a obra de Deus não terá tempo para se envolver em uma outra atividade de grande importância, como é o caso de um cargo político.

O pastor não pode estar dividido em suas obrigações. É a vontade de Deus que os pastores se ocupem exclusivamente da ministração da Palavra e da oração. Se assim deve ser, mesmo em relação aos diversos ministérios que a igreja possui, quanto mais em se tratando de um cargo político que tomará muito do seu precioso tempo (Veja At 6:1-4).

Mas aí alguém vai dizer: "Mas e como ficam os pastores que precisam trabalhar secularmente porque suas igrejas não podem lhes pagar salário?".

Bem, vejo isto de duas formas. Primeiramente, nestes casos é óbvio que o trabalho pastoral desses pastores fica grandemente comprometido (quando são pastores seniores ou titulares de suas igrejas), pois precisam dividir o seu tempo. Suas igrejas não se desenvolverão como poderiam se o seus pastores pudessem se dedicar integralmente ao ministério pastoral. Então é preciso avaliar se a igreja pode pagar um salário justo e digno ao pastor e não está fazendo isto por falta de visão, ou se o caso é realmente de pobreza dos irmãos.

Em segundo lugar, há também pastores que são profissionais formados em outras áreas: engenheiros, médicos, advogados, etc., que continuam atuando em sua formação profissional enquanto também pastoreiam o rebanho do Senhor. Os problemas aqui serão os mesmos mencionados acima. No meu modo de ver, estes pastores deveriam atuar como pastores-auxiliares, e não como pastores seniores ou titulares.

Mas a pergunta mencionada acima que alguém poderá fazer se refere à questão salarial do pastor, quando o pastor se vê obrigado a trabalhar secularmente para poder sobreviver quando a igreja não pode ou se recusa a lhe pagar salário. Todavia, a coisa muda de figura quando um pastor entra na política visando receber um "salário" que a igreja não pode lhe pagar. Será que é lícita esta motivação para um pastor ingressar na carreira política? Certamente que não.

Certa vez fiquei horrorizado quando um candidato, um homem envolvido com liderança de igreja, disse abertamente para mim que estava se candidatando a certo cargo político porque com isto iria poder pagar suas dívidas... O claro sinal da decadência moral e ética tanto de pastores cristãos quanto dos políticos da nossa nação.

Por que pastores se candidatam a cargos políticos? Será que a maioria deles está realmente fazendo isto por "amor" à nação? Por "amor" aos marginalizados e pobres do nosso sofrido país? Ou estão se enveredando nos tortuosos caminhos da política brasileira por amor ao poder que um cargo político lhe proporciona? Poder de todos os tipos. Poder econômico, político, de influência sobre as pessoas... Poder que corrompe e transforma príncipes de Deus em bestas do Apocalipse que causam todo tipo de destruição à sociedade e à imagem da igreja de Cristo.


Termino com as palavras do apóstolo Paulo ao jovem pastor Timóteo que corroboram com tudo o que expus até aqui: "Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou" (II Tm 2:4). Nestas palavras, temos a clara ordem de Deus aos pastores para que se dediquem exclusivamente ao ministério pastoral.

Aos pastores fieis ao seu chamado e à sua vocação divina, saibam que "logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória" (I Pd 5:4).

A Deus seja a glória!