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sábado, 31 de julho de 2010

Deve a igreja envolver-se em campanha política?

Conforme havia escrito na postagem anterior, continuarei tratando sobre as relações dos cristãos, igrejas e pastores com a política. Desta vez quero levantar a seguinte questão: "Deve uma igreja cristã envolver-se em campanha política?". Esta pergunta é pertinente em nossos dias, pois corriqueiramente em épocas de eleições se vê igrejas transformando seus púlpitos em palanques eleitorais e trocando as músicas feitas para Deus por jingles de campanha.

É de Bertold Brecht (1898-1956) o seguinte pensamento: "O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia a política. Não sabe que de sua ignorância nasce à prostituta, a criança abandonada, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o explorador das empresas nacionais e multinacionais".

O cristão como cidadão de uma sociedade democrática e pluralista deve desenvolver uma correta consciência política, interferir nos destinos da nação por meio do voto e participar da vida pública candidatando-se a cargos públicos. O cristão não deve ser um alienado político. Mas, e a Igreja cristã como instituição divinamente estabelicida por Deus deve envolver-se na política e em suas campanhas eleitorais?

Creio que, devido ao princípio da separação entre a Igreja e o Estado, a Igreja não deve tomar partido deste ou daquele candidato, ou deste ou daquele partido político. Isso significa que não é eticamente correto transformar o púlpito da igreja num “palanque” eleitoral, nem tampouco a Igreja assumir qualquer responsabilidade política, secretaria ou ministério seja do governo municipal, estadual ou federal.

Quando uma igreja apóia abertamente um candidato ou um partido político ou uma coligação está se colocando politicamente contra uma parcela da sociedade que não apóia tal candidato ou tal partido político. Ou seja, quando uma igreja se torna politicamente amiga de um grupo, automaticamente se torna inimiga de outro. Isto é totalmente contraditório à natureza da Igreja e à sua missão na terra que é atrair todos os homens para Cristo, através da fé em Jesus.

O partidarismo político na Igreja é um grande obstáculo e um enorme empecilho para a evangelização dos homens. Aliás, a evangelização, o anúncio das Boas Novas, é um dos grandes propósitos de Cristo para sua Igreja. O partidarismo político faz a igreja ir à contramão desse grande propósito. Com certeza isso é algo que não agrada o coração de Deus.

E o cristão? É lícito ao cristão candidatar-se a um cargo político? Acredito que, embora a Igreja deva ser “apolítica”, seus membros têm o direito como cidadãos de um país democrático de se candidatarem e se elegerem para cargos políticos, fato este que deve ser encorajado a fim de que haja a transformação da nossa sociedade em uma sociedade mais justa e piedosa.

Nada há na Palavra de Deus que proíba o cristão de filiar-se a um partido político e candidatar-se a um cargo público. Pelo contrário, a Bíblia relata a história de grandes homens de Deus que assumiram funções políticas: José, primeiro-ministro do Egito; Davi, rei de Israel; Josias e Ezequiel reis de Judá; Daniel, um dos ministros de Estado do reino da Pérsia; Mordecai, primeiro-ministro na Pérsia; Neemias, governador de Judá após a volta do cativeiro; etc.

Devido à corrupção que impera na política brasileira, a sociedade clama por homens e mulheres que levem a sério os cargos públicos para os quais foram eleitos pela população. Isto mostra que o meio político precisa cada vez mais de políticos cristãos comprometidos com Deus e com a sociedade.

Todavia, diante desta grande e urgente necessidade, particularmerte vejo uma problemática que a igreja tem diante de si e que precisa ser resolvida. O grande desafio para a Igreja é encontrar alternativas e meios de eleger candidatos cristãos comprometidos com Deus e com a sociedade, sem transformar o púlpito da Igreja em “palanque” político, e sem usar a Igreja como instrumento de manobra das massas.

Precisamos também fazer algumas indagações: a grande maioria dos políticos que se dizem cristãos têm realmente exercido influência positiva na política, ajudando efetivamente a transformar para melhor a sociedade brasileira? A medida que elegemos mais e mais cristãos tem diminuído os índices de criminalidade e corrupção no Brasil afora? Os políticos "cristãos" têm sido verdadeiramente “sal da terra e luz do mundo” conforme Jesus ordenou? Não têm sido alguns políticos “cristãos” encontrados envolvidos com a corrupção? Quantos políticos nominalmente cristãos que se elegeram levantando a bandeira do evangelho estão envolvidos nos escandalosos "mensalões" da vida pública, não somente em Brasília, mas em todo o País? Uma vergonha! Precisamos pensar, refletir, sobre esta triste realidade...

E na hora de votar? Qual deve ser a postura do cristão? Como se deve escolher em quem votar? Creio que devemos sempre nos fundamentar nestes princípios do voto ético:

1. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município.

2. O voto é uma questão de consciência pessoal. Portanto, o cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade numa outra direção.

3. Os pastores e líderes têm a obrigação de orientar aos fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, devem evitar transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil deve levar os pastores a não conduzir processos político-partidários dentro da igreja, sob pena de que, em assim fazendo, eles dividam a comunidade em diversos partidos.

4. O pastor não deve permitir que candidatos, partidos ou coligações usem a ele próprio e a igreja como “cabos eleitorais” de campanha política. A igreja não deve ser usada como palanque político para manobra das massas.

5. É fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam pela dimensão política. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político evangélico tem que ser, sobretudo, um cristão na política, e não apenas um “despachante” ou “office-boy” de igrejas.

6. Não basta o candidato ser crente, irmão na fé, honesto e ter boas intenções. É preciso avaliar se tal pessoa possui qualificações e vocação política para o cargo, mesmo que não tenha experiência política. O que deve ser observado no candidato:

a) Se o candidato é uma pessoa lúcida, que já está envolvida em causas sociais, e comprometida com as causas de justiça e da verdade.

b) Se possui uma ideologia social e político-partidária clara e definida. A grande maioria dos candidatos nem sabe o que é isso. Estão em determinado partido não pela sua ideologia político-social, mas pelas chances que tal partido lhe dá de ganhar as eleições.

c) Se é um bom administrador, tanto de sua vida pessoal quanto de seus negócios.

d) Se possui um plano de governo e propostas claras e tangíveis.

7. Não basta o candidato ser carismático, falar bonito ou sair bem na foto. É necessário analisar se tal candidato possui qualificações e vocação política para o cargo, se é honesto e trabalhador. É importante também saber qual é a posição do candidato sobre questões morais e religiosas.

8. Se alguém está pensando em votar em um candidato que já exerceu ou está exercendo um cargo político, deve procurar saber quais foram as suas realizações e projetos durante o seu mandato. Não adianta, por exemplo, um vereador apresentar vários projetos se nenhum deles traz benefícios práticos à população (nome de rua, honra ao mérito, data comemorativa, etc.).

9. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que votou em um determinado candidato apenas porque obteve a promessa de que, em fazendo assim, ele conseguirá alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, imóveis, linhas de crédito bancário ou outros “trocos”, ainda que menores. É verdade que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, entretanto, admitir que tais “acertos” impliquem a prostituição da consciência de um cristão, mesmo que a “recompensa” seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Afinal, Jesus não aceitou ganhar os “reinos deste mundo” por quaisquer meios. Ele preferiu o caminho da cruz.

10. Os eleitores evangélicos devem votar nos candidatos de sua escolha, sobretudo, baseados em programas de governo, e não apenas em função de “boatos” do tipo: “O candidato tal ateu”; ou: “O fulano vai fechar as igrejas”; ou: “O sicrano não vai dar nada para os evangélicos”; ou ainda: “O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos”. É bom saber que a Constituição do Brasil não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é valido observar que aqueles que espalham boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.

11. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ele ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como profecia divina.

Por fim, quero concluir falando sobre a compra de votos. O que significa a “compra de votos”? A compra de votos é o ato do candidato que propõe ao eleitor que este lhe dê o seu voto, em troca de algum bem ou vantagem que lhe é entregue ou oferecido.

A criatividade para conseguir o voto do eleitor não tem limites quanto aos bens e vantagens pessoais oferecidos, especialmente diante de tantas carências populares. Segundo uma pesquisa, a lista é longa e vai desde alimentos básicos diversos tais como açúcar, óleo, sal, tíquetes de leite, bebidas, dentaduras, óculos, sapatos, roupas, ajuda para obter documentos, pagamento de fiança de presos, cimento, areia, pedra, tijolos e outros materiais de construção, além de ferramentas, insumos agrícolas, uniformes para clubes esportivos, bolas e redes, enxovais, cobertores, berços, etc. Uma lista sem fim que expõe todas as dificuldades vividas pelo povo brasileiro.

O artigo 299 do Código Eleitoral brasileiro (Lei no.4737, de 15 de julho de 1965) estabelece que a compra de votos de eleitores é um crime com a pena prevista de até 4 anos de reclusão, além de multa. Além da prisão, o candidato deixará de ser candidato tendo seu registro cassado pelo Juiz Eleitoral.

Termino citando as palavras de Jesus à Poncio Pilatos, momentos antes de sua crucificação: "Nenhuma autoridade terias... se de cima não te fosse dada" (Jo 19:11).

A Deus seja a glória!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Deus e César: O devido lugar de cada um

Foi dada a largada! Começou mais uma campanha política. Desta vez são os canditados a deputados federais e estaduais, a senadores, a governadores e a presidentes da república que estamparão seus rostos nos famosos "santinhos" (graças a Deus proibidos de serem lançados às ruas) e divulgarão seus nomes e números naquelas "maravilhosas" músicas de campanha (que Deus nos ajude...).

Quem tem acompanhado a algum tempo meus textos publicados, sabem quais têm sido meus pensamentos, fundamentados em princípios e valores biblícos, sobre a política. Aproveitarei este espaço para mais uma vez expor aquilo que penso, uma vez que temos mais uma eleição prestes a acontecer. Publicarei uma pequena série de postagens (talvez umas três) sobre políticia e o envolvimento de cristãos, da igreja e de pastores com ela.

Começarei falando sobre as relações entre a Igreja e Estado. Muito do que vou expor foi extraído do livro “Eclesiologia” de autoria de Enéas Tognini, meu mestre nos tempos de seminário teológico. Bem, vamos lá!

Na carta de Paulo aos cristãos de Roma, em Rm 13:1-7 o apóstolo diz que os governos foram instituídos por Deus (vs. 1) e que são “ministros” de Deus, isto é, estão a serviço de Deus (vs. 4 e 6). Ordena que os cristãos obedeçam às leis impostas pelo governo, respeitem seus governantes e paguem seus tributos e impostos (obviamente, desde que o Estado não se oponha à nossa fé e prática cristã). É também dever de todo cristão orar pelos seus governantes (I Tm 2:1-4).

Todavia, cremos na separação entre a Igreja e Estado. O Estado não pode intrometer-se em assuntos de consciência ou obrigar o homem a adotar uma forma de religião ou negar sua fé religiosa. A função do Estado é puramente secular e civil, e a matéria religiosa está além de sua jurisdição.

Frederico Vitols afirma: “Uma igreja é livre quando exerce sua soberania e não tem nenhum compromisso religioso ou político com o Estado; quando goza da completa liberdade da palavra e da ação na propagação do reino de Deus e na maneira de adorar a Deus”. O alvo ideal que deve ser buscado pela Igreja e pelo Estado é: “Uma Igreja livre num Estado livre”.

É historicamente comprovado que a queda espiritual e moral da Igreja Cristã se deram por conta de sua união político-religiosa com o Império Romano a partir do século IV. A partir daí a Igreja Romana sempre esteve de mãos dadas com o Estado.

Só há inteira liberdade religiosa, quando há separação entre a Igreja e o Estado. A ingerência do Estado na Igreja ou vice-versa, ou aliança entre ambos acarretam na restrição da liberdade. Diante deste princípio faz-se a seguinte pergunta: Deve a igreja receber subvenção (auxílio financeiro concedido pelos poderes públicos) do Estado? Cremos que a Igreja não deve aceitar nenhum tipo de subvenção do Estado, pois compromete a separação entre a Igreja e o Estado, cria um elo inconveniente entre ambas as instituições e fere a liberdade de consciência.

Concordar com a subvenção é abrir a porta a todos os males desde o favoritismo dos governos até a aprovação dos erros dos governantes amigos, o que transformaria as igrejas em cúmplices na malversação do dinheiro público.

Com relação à isenção de impostos a Igreja tem este direto. Então não deveria aceitar subvenção do Estado? Isenção de impostos e subvenção não são iguais? Isenção e subvenção são figuras inteiramente distintas em direito financeiro e administrativo. Isenção é a desobrigação de um imposto lançado, enquanto que a subvenção é a concessão de um auxílio financeiro. A isenção é não receber um imposto, enquando a subvenção é receber auxílio financeiro. Na isenção o Estado não coloca a mão do gazofilácio, enquanto que na subvenção a Igreja enfia a mão do erário público.

As palavras de Jesus, “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21), significam reconhecer a incomunicabilidade entre o Gazofilácio e o Tesouro Público. Enquanto o dinheiro pertence ao indivíduo, este tem deveres para com Deus e para com César; depois feita a distribuição, não pode haver mais intercâmbio: o dinheiro de Deus deve ser usado nas coisas de Deus e o dinheiro de César nas coisas de César.

Obter isenção do Estado nem sempre está ao nosso alcance; mas rejeitar subvenção é sempre possível. E impedir que o Estado tire dinheiro da Igreja é exigir respeito ao mesmo princípio de separação, que nos faz rejeitar subvenção. Se as igrejas ficarem sujeitas a impostos criados pelo Estado ficarão cerceadas na sua liberdade. Nega-se ao Estado o poder de taxar igrejas, e essa negação se funda no direito de liberdade da Igreja, e tem como base o princípio da separação entre a Igreja e o Estado (Isso se aplica a impostos. Já o mesmo não acontece com a taxa que é a retribuição de um serviço, que a Igreja é obrigada a pagar).

Outra pergunta precisa ser feita: O princípio da separação entre a Igreja e o Estado elimina a possibilidade de haver cooperação entre as duas instituições?

Ora, ninguém contesta que a ação social do Estado corre linhas paralelas com a ação educacional, beneficente, moral e cívica da Igreja. Estado e Igreja não são entidades antagônicas que só possam existir pela mútua hostilização, e sim entidades de naturezas diversas que podem ter alguns objetivos comuns. Portanto, uma pode e deve cooperar com a outra. E é o princípio da separação que domina e condiciona todas as situações de cooperação entre a Igreja e o Estado; é o critério pelo qual a cooperação se evidencia conveniente ou inconveniente, lícita ou ilícita.

Todavia, devemos compreender que são distintas as funções da Igreja e do Estado. Embora a Igreja e o Estado sejam instituições divinas, suas funções e naturezas são completamente diferentes. Igreja e Estado devem conhecer sua esfera de ação.

A natureza e a missão do Estado são terrenos e temporais. A finalidade do Estado é manter a ordem na vida social. O Estado existe para defesa do indivíduo, quando este faz o bem, ou então para castigo quando faz mal aos outros.

A natureza e a missão da Igreja são espirituais. A Igreja existe para finalidades sociais, porém, a Igreja como instituição, não deve lançar mãos das atribuições que pertencem ao Estado nem tão pouco depender do auxílio do Estado. A igreja só pode cumprir sua missão na sociedade quando se mantém separada de Estado. A função social da Igreja é espiritual e não administrativa.

A Deus seja a glória!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Deus Santo... Ao alcance de homens pecadores

Um menino certa vez estava estudando matemática quando, de repente, parou, olhou nos olhos de sua mãe e perguntou-lhe: “_ Mãe, é verdade que Deus fez o mundo?”. “_ Fez sim, meu bem”, ela respondeu. O menino prosseguiu: “_ E as árvores nas florestas e os pássaros no céu e os bichinhos no campo?”. “_ Sim, querido”, respondeu mais uma vez sua mãe. O menino ficou quieto por um momento, meditando nesta grande verdade, e perguntou novamente: “_ Mas de onde Deus fez tudo, mamãe?”. E a boa mãe respondeu: “_ Ele fez todas as coisas do seu imenso poder e amor, meu filho”.

As dúvidas daquele menino, na verdade, são as dúvidas de muita gente grande que vive a levantar questionamentos sobre Deus. E a sábia resposta daquela mãe, fala um pouco sobre quem Deus é. Saber quem é Deus e conhecê-lo de verdade deveria ser o propósito sincero de cada ser humano, pois quando buscamos compreender a natureza de Deus em sua Palavra obtemos uma compreensão mais adequada dele e, portanto, possibilitamos um relacionamento mais íntimo com a sua pessoa.

A natureza de Deus melhor se revela pelos seus atributos. “Atributo” é aquilo que é próprio de um ser. Desse modo, os atributos de Deus são aquelas características essenciais, permanentes e distintas que podem ser afirmados a respeito de seu Ser. Os atributos de Deus são suas perfeições, inseparáveis de sua natureza e que condicionam seu caráter. Dentre os muitos atributos de Deus, podemos descrever aqui alguns deles.

Primeiramente, Deus é Espírito, ou seja, Ele não é composto de matéria e não possui uma natureza física. Deus é um Espírito pessoal, porque Ele é um ser individual, com autoconsciência e vontade, capaz de sentir, fazer escolhas e ter um relacionamento recíproco com outros seres pessoais e sociais.

Deus possui vida auto-existente, porque enquanto todos os outros seres vivos têm sua vida em Deus, Ele não deriva sua vida de nenhuma fonte externa. Deus nunca foi trazido à vida, pelo contrário, Ele tem a vida em si mesmo. Ele é vida, é a fonte da vida, e está vivo. Assim sendo, Deus também é Eterno, pois Ele não teve um princípio, e nem terá fim.

Ele é onipotente, pois detém todo o poder; isto significa que Deus pode todas as coisas. A única coisa que é impossível a Ele é pecar. Isto, Deus jamais poderá fazer. Deus também é onisciente, ou seja, Ele sabe todas as coisas, as passadas, as presentes e as futuras. Ele nunca é pego de surpresa! Deus é onipresente, porque tem o poder de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, embora manifeste sua presença de forma especial onde Ele é buscado de todo o coração.

Deus é imanente, pois está presente e ativo na sua criação e na raça humana, mesmo naquelas pessoas que não crêem nele ou não o obedecem. Sua influência está em toda a parte! Deus é também transcendente, isto significa que, embora tenha total domínio e controle sobre sua criação, Deus não é a criação, não está na criação e não é dependente dela. Em outras palavras, Deus não está limitado pelas coisas criadas, pelo contrário, Ele está muito além e acima de todas elas.

Deus também é imutável, pois a natureza de Deus não sofre modificação. Deus não pode crescer em nada, porque já é a perfeição. Também não pode decrescer, pois caso o fizesse, deixaria de ser Deus.

Deus é Santo, porque é perfeito e totalmente separado de tudo que é errado e injusto. Perceba como é grande e maravilhoso esse Deus! Tão grande que está muito acima e além de nossa compreensão. Sua perfeição e bondade vão muito além, infinitamente além das nossas.

Entretanto, embora Deus seja tão santo e perfeito, e nós, tão falhos e pecadores, o fato é que podemos nos relacionar pessoalmente com este Deus maravilhoso por meio de Jesus Cristo. Isto é possível, pois além de todos aqueles atributos, a Bíblia diz também que Deus é amor. E este divino amor manifestou-se de forma extraordinária quanto Deus enviou Jesus, seu Filho, para morrer em nosso lugar: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Um Deus que é tão santo e perfeito, mas que busca o homem perdido para restaurar seu relacionamento com ele.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Família: alegria ou frustração?

Quando alguém se casa são grandes as expectativas de uma vida feliz e perfeita em família. A moça sonha com um marido sempre carinhoso, compreensivo e gentil em todos os momentos, tal qual a figura do galã dos romances do cinema. O rapaz sonha com uma esposa que o compreenda, acredite em seus sonhos e o encoraje incondicionalmente na realização de cada um deles, e que esteja disposta sexualmente sempre, todos os dias, após ter cuidado da casa e dos filhos ao longo do dia. E por falar nos filhos, é o sonho de todo casal ter filhos perfeitos que jamais aprontarão nenhuma travessura até chegar à faculdade. Este é o retrato da família perfeita.

Porém, após voltarem da lua-de-mel, marido e mulher descobrem que nada pode ser tão perfeito assim. A realidade é que não existem casamento e família perfeitos. Não existem maridos, esposas e filhos perfeitos. Quando o noivo e a noiva estão no altar fazem juras de amor, que se amarão até que a morte os separe, tanto nos momentos bons quanto nos momentos ruins. Entretanto, os “pombinhos” não contam que os momentos ruins também farão parte da vida familiar. Esta é a razão de tantos divórcios e famílias destruídas: muita gente se casando com falsas expectativas a respeito da família e do casamento.

Sem contar as motivações erradas pelas quais as pessoas se casam: por mera atração física, por status social, para não ficar sozinho, para fugir dos pais, etc. Nunca pelo amor. E sem amor não há relacionamento que resista às tempestades da vida. Sim, todo casamento enfrenta tempestades. São adversidades financeiras, relacionais, sexuais, objetivos conflitantes, manias e maus hábitos que irritam, diferenças de personalidade, etc. e etc. Como então encarar esta dura realidade? Não casar? Viver sozinho? Trocar de família quando os problemas surgirem? Não! Nada disso!

Deus planejou o casamento e a vida familiar. Ele formou o primeiro casal, Adão e Eva, e os uniu em matrimônio. Portanto, o casamento e a família são um projeto divino. E tudo o que Deus faz é bom! Mas aí alguém pode perguntar: “Se o casamento e a família são um projeto divino, e tudo o que Deus faz é bom, por que há tanta gente infeliz e frustrada em sua vida conjugal e familiar?”. Eis aí a questão.

O responsável pela infelicidade familiar não é Deus, mas sim, as pessoas que não sabem como se conduzir como maridos, esposas, pais e filhos. O problema não está em Deus, mas no homem. Se alguém adquire um carro e o conduz desrespeitando as leis de trânsito, certamente sofrerá as penas legais pelo mau uso que faz de seu veículo. O problema não está no carro, mas em quem o dirige. O casamento e a família são a mesma coisa. A vida familiar é um projeto divino, e por isso é boa e maravilhosa. O problema é que as pessoas não querem viver de acordo com as regras estabelecidas por Deus para a vida familiar.

Somente superamos os conflitos conjugais e familiares quando efetivamente obedecemos ao que Deus ordena para cada um de nós. Isso envolve a prática de virtudes tais como o amor, perdão, fidelidade e obediência. Maridos e esposas devem se amar incondicionalmente, cuidando e servindo um do outro com toda dedicação. Os pais devem educar os filhos com disciplina e autoridade, de forma justa e amorosa. Os filhos devem honrar e obedecer aos pais respeitando sua autoridade. E todos, devem em amor, perdoar uns aos outros seus deslizes. Somente assim poderemos desfrutar a benção de uma família feliz conforme Deus planejou.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A eliminação da seleção brasileira

Hoje: a seleção brasileira eliminada da Copa do Mundo de Futebol...

Amanhã: a nossa vida, as nossas responsabilidades, o nosso salário, os nossos problemas, e, principalmente, o nosso Deus, continuam os mesmos...

Bola pra frente minha gente!