Pesquisar este blog

Carregando...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Qual é o meu dom?

Dias atrás, um jovem cristão, há pouco tempo na fé em Cristo, enviou-me um e-mail perguntando ansioso sobre os seus dons espirituais. Estava aflito, pois não estava claro para ele quais eram seus dons ou talentos. Sua preocupação foi motivada pelo sincero desejo de servir a Deus da melhor maneira possível. Minha resposta para ele foi a seguinte:

“Meu conselho para você, a respeito de sua aflição concernente à descoberta de seus dons, é duplo: paciência e perseverança.

Primeiramente paciência, pois a descoberta dos dons é para a vida toda. Isto não acontece num ‘passe de mágica’. É um longo processo. Sem contar que um dom quando descoberto, pode se desdobrar em outros dons. Isso é lindo e maravilhoso.

... Há dons e talentos naturais que Deus lhe deu quando você nasceu de sua mãe, e há dons espirituais que você recebe a partir de seu nascimento de Deus, isto é, de sua conversão à Cristo. Você está a pouco tempo na fé em Cristo, portanto, meu amigo... Paciência... Há um longo e maravilhoso caminho de descobertas pela frente.

A verdade é que Deus quer usar tanto os seus dons e talentos naturais quanto os espirituais. Por exemplo, não é sua paixão a informática? Pois bem, aí está uma área em que Deus quer usar a sua vida. Isto é o seu ministério! Veja bem, ministério não é somente pregar, ensinar, cantar ou tocar um instrumento. Tudo que amamos fazer e temos aptidão, deve ser usado ministerialmente para a glória de Deus e para a edificação da igreja de Cristo.

Deus conta com pedreiros, psicólogos, pintores, advogados, eletricistas, web designers, encanadores, publicitários, jornalistas, músicos, programadores, dentistas, médicos, escritores, administradores, etc., etc., etc., para que usem sua paixão e aptidão na realização da obra de Deus como um ministério.

A Bíblia comprova a diversidade ministerial que o Espírito Santo promove na igreja de Cristo: ‘Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso’ (I Co 12:4-7).

Ministério significa ‘serviço’. Ministro significa ‘servo’. Dom significa um ‘presente’ dado (por Deus, segundo sua graça). Veja que, diante disto, cada cristão deve ser um servo (ministro) que serve (exerce ministério) a Deus e às pessoas através dos dons e talentos que recebemos como um presente do nosso Deus. Veja bem, a paixão pela informática e sua aptidão em lidar com ela é apenas um dom natural que já é visível em você. Outros dons e talentos que Deus ainda lhe dará deverão ser descobertos com o tempo, portanto...

Em segundo lugar, perseverança, pois é através desta virtude que você descobrirá outros dons que o Espírito Santo queira lhe conceder. Você somente irá descobri-los procurando realizar com amor e dedicação tudo o que lhe for solicitado na obra de Deus. Ao realizar diferentes tarefas você saberá para que foi chamado por Deus para realizar e para que não foi chamado.

Todavia, ao não ir muito bem em determinada tarefa na primeira vez, isto não significará necessariamente que não foi chamado para realizá-la. Deve insistir um pouco mais. A palavra de Deus nos diz: "Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças..." (Ec 9:10).

Quando descobrimos um dom ou talento, este deverá ser lapidado e aperfeiçoado por toda a nossa vida. Nenhum pregador por mais que pregue maravilhosamente bem não nasceu sabendo pregar. É um dom que, após ser descoberto, foi e está sendo trabalhado ao longo dos anos. Deve ser assim com todos os dons e talentos que recebemos do Senhor.

Meu último conselho por hora: consagre e santifique tua vida a Jesus Cristo, pois Ele muito te usará na obra dele. O Senhor fará coisas através de tua vida que não pode imaginar agora. Portanto, consagre tua vida ao Senhor, pois ‘numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor’ (II Tm 2:20-22)”.

Pois bem, este foi o meu conselho para aquele meu amigo e irmão em Cristo. Resolvi publicá-la, porque tenho certeza que será útil para muitas pessoas que possuem esta mesma dúvida em seus corações.


O desejo daquele jovem cristão, de descobrir seus dons e talentos para servir a Cristo, é algo maravilhoso e raro em nossos dias, pois as prioridades dos jovens crentes são outras diante de tanto entretenimento à disposição e das duras exigências do mercado de trabalho.


Quem dera que esta fosse a principal preocupação dos nossos jovens cristãos: a busca pelos melhores dons a fim de servirem eficazmente a Cristo...


“... A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9:37, 38).

terça-feira, 22 de junho de 2010

Altos e baixos: tudo posso naquele que me fortalece

Em dias de Copa do Mundo de Futebol o que a TV mais enfatiza a respeito da torcida brasileira é a sua alegria. E há um livro na Bíblia cuja palavra chave é a alegria. Estou me referindo à epístola de Paulo aos filipenses. Paulo, por diversas vezes nesta carta fala da alegria. Mas não de uma alegria qualquer. Não de uma alegria que sentimos quando ouvimos algo engraçado ou quando a seleção brasileira faz um gol, por exemplo. Paulo fala de uma alegria que brota do coração onde Jesus habita. Uma alegria que está presente em toda em qualquer circunstância da vida.

Falar desta alegria é algo pertinente em nossos dias. Vivemos no período do pós-modernismo, dias em que o “ter” está acima do “ser”. Dias em que as pessoas são avaliadas pelo seu status social. As pessoas não são valorizadas pelo que elas “são”, mas por aquilo que elas “têm”: a casa, o carro, o dinheiro, o título, o diploma, as roupas que o indivíduo possui. Vivemos nos dias da aparência, do culto ao corpo. Há pessoas tão insatisfeitas com o seu corpo e com seu rosto, que não passam um ano sequer sem fazer uma cirurgia plástica. Não há nem mais pele o suficiente para esticar... Os homens dos nossos dias se tornaram superficiais. O que faz sucesso, geralmente é o que não presta. Parece que quanto mais “lixo” for a música ou os programas da TV mais as pessoas gostam.

Os homens estão cegos em sua razão e em sua fé. Estão cegos em sua razão por que perderam o senso crítico das coisas. O senso crítico das pessoas é desestimulado e inibido pela cultura inútil veiculada pela televisão. A cultura da televisão nos deixa mais “burros” e menos críticos em relação às coisas realmente importantes da vida.

Os homens estão cegos em sua fé por que vivemos numa sociedade cética que não crê em Deus, e numa sociedade amoral, pois tudo é relativo para o homem da pós-modernidade. Hoje em dia, falar de moralidade é algo imoral... Nada mais é absolutamente certo ou errado. Tudo é relativo: o divórcio, a homossexualidade, a virgindade, a preservação do casamento, o pecado, o sexo antes do casamento, etc.

A pós-modernidade é também caracterizada pelo acúmulo de bens do capitalismo moderno. No coração do homem reina uma insatisfação sem fim. As propagandas exploram esta insatisfação levando as pessoas acreditarem que somente serão felizes se comprarem os produtos que propagandeiam. As pessoas são incentivadas a consumirem, a comprarem, a ganhar mais e mais dinheiro, para poderem acumular mais e mais coisas em seu patrimônio, pois isto é sinônimo de prosperidade e sucesso pessoal. Desse modo, as pessoas fazem dívidas comprando coisas que não precisam, com o dinheiro que não têm, para impressionar pessoas que não conhecem. O problema é que quanto mais as pessoas enriquecem e acumulam coisas, elas nunca conseguem ser plenamente satisfeitas. A insatisfação é constante e persistente...

Entretanto, nós como cristãos inseridos neste sistema materialista, capitalista e relativista não podemos nos deixar influenciar pelo seu modo de ver e viver a vida. Devemos ser influenciados somente pelos princípios do evangelho de Cristo. Somente assim poderemos experimentar uma alegria verdadeira, em toda em qualquer situação, nos altos e baixos da vida.

Paulo, escrevendo aos filipenses diz: “Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado...” (Fp 4:10). Vemos o agradecimento de Paulo pelo fato dos filipenses terem o ajudado em suas necessidades financeiras. O apóstolo demonstra também toda sua alegria. Sua alegria é no Senhor, e não nas doações que havia recebido dos irmãos filipenses, pois sabia que tudo vem das mãos do Deus Todo-Poderoso.

Em seguida, Paulo declara: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11). “Contente” para ele significava a independência das coisas materiais. O oposto da mentalidade dos homens que não conhecem a Cristo. Todavia, “contentamento” aqui não significa acomodação, ou ausência de uma ambição sadia, ou ausência daquela inquietação necessária que nos faz promover mudanças que precisam ser efetuadas. Significa um contentamento que se opõe à ingratidão a Deus e à murmuração, tal como o Israel recém-liberto da escravidão agiu no deserto para com Deus, o seu Libertador.

Como é linda a expressão “aprendi a viver contente! A vida com Jesus é uma vida de aprendizado. Viver em Cristo é um constante discipulado, um constante aprendizado, é um constante processo de crescimento espiritual em Cristo. Precisamos aprender a viver contentes. Precisamos permitir que o Senhor Jesus nos ensine o contentamento. Mas isto somente é possível com intimidade com Deus. E intimidade com Deus somente é possível com uma vida de oração e leitura da Palavra de Deus. Somente os humildes sentem prazer em aprender com o Senhor. Os orgulhos são auto-suficientes, e, por isso, não gostam de aprender com Jesus.

Paulo afirma que aprendeu a viver contente “em toda e qualquer situação”. Nas situações boas e ruins. Em altos e baixos. Será que podemos fazer esta afirmação em todas as circunstâncias e áreas de nossa vida?

Prosseguindo em sua mensagem, Paulo faz uma declaração que nos convida a uma profunda reflexão: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez” (Fp 4:12). As palavras “já tenho experiência” significam literalmente no original grego “aprendi o segredo”. Paulo havia adquirido um “segredo”, contentando-se com um modo de vida do qual poucos haviam descoberto. Para aprendermos este “segredo” é preciso disciplina espiritual, intimidade com Deus, com sua Palavra, e uma profunda compreensão da essência do evangelho.

Note que naquelas palavras, o apóstolo faz um paralelo entre três situações favoráveis e desfavoráveis para mostrar que já tinha aprendido o segredo de como viver em cada uma daquelas circunstâncias. Ele diz que já tinha aprendido o segredo de como viver quando experimentava situações de “honra”, “fartura” e “abundância”. Mesmo quando tinha tudo em excesso, o coração de Paulo não estava nas coisas que o enriqueciam. Infelizmente, há cristãos que não sabem conviver na abundância, seja pela constante insatisfação, ou por deixarem de depender de Deus, ou por passarem a idolatrar as próprias bênçãos que vêm de Deus.

Paulo também diz que já tinha aprendido o segredo de como viver quando passava por “humilhação”, “fome” e “escassez”. Escreveu as coisas que experimentava na própria pele. Em II Co 11:27 afirma que havia vivido “em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez”.

Como viver contente em todas aquelas situações não se deixando abalar na fé em Deus? Ora, somente quem nutre um íntimo relacionamento com Deus, compreendendo o que significa verdadeiramente o evangelho de Cristo pode compreender e viver o que Paulo está dizendo. Vejamos bem: o apóstolo não está dizendo que gostava daquelas situações adversas, ou que tinha prazer nelas, mas que sabia como proceder quando aquelas adversidades batiam à porta de sua vida. Parafraseando Paulo: “Sei por experiência própria, pois já fui iniciado nesse segredo, tendo-me tornado um mestre nessa arte de viver contente sob todas as circunstâncias”.

Paulo conclui o seu pensamento com estas palavras: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). Este é um dos versículos mais mal interpretados pelos crentes e por pregadores cristãos. Principalmente por aqueles que pregam um falso evangelho triunfalista que satisfaz a ideologia consumista e materialista do pós-modernismo contrariando o que Jesus nos ensina em sua Palavra: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12:15).

Estes pregadores interpretam de maneira errada o que Paulo quer dizer, pois desconsideram o contexto em que foi escrito. A interpretação que dão é mais ou menos esta: “Posso fazer, ter ou conquistar qualquer coisa que eu quiser naquele que fortalece”. Entretanto, de maneira alguma é esta a mensagem que Paulo pretende transmitir. A Nova Tradução da Linguagem de Hoje traduz de forma mais clara o sentido das palavras de Paulo em Fp 4:13: “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”.

Talvez não possamos fazer, ter ou conquistar tudo o que desejamos, mas, com certeza, podemos enfrentar qualquer situação porque Cristo é Aquele que nos fortalece. Às vezes achamos que não vamos suportar determinada tentação, luta, tribulação, privação, decepção ou desilusão. Mas “com a força que Cristo nos dá, podemos enfrentar qualquer situação”. Jesus nos fortalece nas adversidades da vida pela sua Palavra, pelo seu Espírito, pela sua paz, pela sua presença em nós... O poder da sua ressurreição é a força motora de toda a nossa vida.

Gratidão, alegria e contentamento são experimentados e vividos por aqueles que aprenderam o segredo de viver tanto em dias de abundância quanto em tempos de escassez e tribulações, pois sabem que com a força que Cristo lhes dá, podem enfrentar qualquer situação.

A Deus seja a glória!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Ser" ou "ter": Em que consiste tua vida?

Certo dia, enquanto Jesus ensinava a Palavra de Deus, do meio da multidão alguém o interrompeu e lhe fez um pedido: “Mestre, mande o meu irmão repartir comigo a herança que o nosso pai nos deixou”. O Senhor olhou para aquele homem e lhe respondeu: “Homem, quem me deu o direito de julgar ou de repartir propriedades entre vocês?”. E dirigindo-se à multidão disse: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12:13-15).

O Senhor Jesus com estas palavras nos ensina que o que somos é mais importante do que as coisas que temos. Obviamente que este não é o pensamento do mundo em que vivemos. Vivemos num mundo capitalista onde o mais importante para a maioria das pessoas é o acúmulo de bens. Muitos se preocupam mais com seu exterior do que com seu interior. O que mais importa é a aparência.

Na busca desenfreada pelo status social, muitos têm se afundado em dívidas comprando coisas que não precisam, com o dinheiro que não têm, para impressionar pessoas que não gostam e nem conhecem. É verdade que não há nada de errado em conquistar e possuir bens, desde que o coração não esteja sendo motivado pela avareza e pelo amor ao dinheiro. Mas é nesse ponto que reside o problema.

A Palavra de Deus diz que “os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição. Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos” (I Tm 6:9, 10). Portanto, não amemos o dinheiro e não coloquemos nele o nosso coração; amemos a vida e em Deus ponhamos o nosso coração. Somente assim encontramos o verdadeiro sentido da vida.