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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Só é "apostólica" igreja que tem apóstolo?

De uns anos para cá, a criativíssima (às vezes para o bem, outras para o mal) igreja evangélica brasileira inventou mais uma onda do momento: o ressurgimento do título “apóstolo” para alguns de seus líderes espirituais. O problema não está no uso do título, bíblico por sinal. Está na motivação com a qual alguns tem se apropriado dele. Outro problema é a idéia crescente em alguns segmentos evangélicos que só é “apostólica” a igreja que possui “apóstolos”.



Certa vez li em um folder de determinado movimento evangélico que afirmava o seguinte: “Deus está restaurando a unção apostólica em sua Igreja”. Não é de admirar que o autor desta pérola tivesse o venerável título de “apóstolo”. Então me pus a refletir: “Como é que Deus pode estar restaurando algo em sua Igreja que nunca deixou de existir?”.


Ora, alguém pode negar que a Igreja Cristã desde a época da Reforma não tem atuado na Terra através da autoridade apostólica? A mensagem da Igreja sempre foi apostólica. Sua missão sempre foi apostólica. A autoridade espiritual sobre ela sempre foi apostólica. Alguém teria coragem de afirmar que os primeiros missionários congregacionais, metodistas, presbiterianos, batistas e assembleianos que plantaram a semente do Evangelho no Brasil não o fizeram na “unção” apostólica? É óbvio que sim! A história comprova essa verdade!


Tais missionários foram os primeiros apóstolos que entraram em nossa nação (aliás, os termos “missionário”, do latim, e “apóstolo”, do grego, possuem a mesma origem etimológica e significam “enviado”, “mensageiro”). Possuíam todas as credenciais do apostolado bíblico: desbravaram um campo não alcançado, pregaram o evangelho, fundaram igrejas, pastorearam as almas salvas, e operaram milagres no nome de Jesus.


Ainda hoje existem milhares de apóstolos espalhados pelo mundo, missionários anônimos em terras distantes. Valentes do Senhor que não aparecem nos shows gospel, não ganham fortunas vendendo suas músicas ou mensagens, não andam de carro novo e mal tem o que comer, vestir ou tratar das doenças de sua família. Mas lá estão eles, evangelizando os perdidos, expandindo o Reino na implantação de igrejas, cuidando das ovelhas do Senhor, tudo isso por meio da pregação da Palavra e de sinais operados pelo poder do Espírito Santo.


Tudo bem, se alguém de fato é apóstolo, divinamente chamado por Deus, não há problema algum em usar o título de “apóstolo”. Use o título não porque Deus “está restaurando essa unção na igreja”, mas, simplesmente, porque foi vocacionado por Deus para tal ministério. Todavia, esse obreiro deve apresentar todos os sinais de seu apostolado, conforme os mencionei acima.


Mas não é isso que tenho observado em alguns dos chamados “apóstolos” dos nossos dias. Fico pensando o que faz alguém receber o título de apóstolo (ou se autoproclamar tal coisa) se não possui os sinais do apostolado (assim como faz a multidão de falsos pastores que deveria se envergonhar de envergar título tão nobre). Quantos “apóstolos” de hoje que possuem um ministério inexpressivo, infrutífero e que não transforma a vida de ninguém? A verdade nua e crua é que muitos ostentam o título “apóstolo” por mania de grandeza, soberba e problemas emocionais não resolvidos (repito, por estes mesmos motivos, assim também fazem os falsos pastores).


Portanto, por favor, não venham me dizer que Deus está restaurando algo que nunca deixou de existir em sua Igreja. Isso é uma afronta à história da Igreja, e à inteligência do povo de Deus. O Senhor Deus não pode estar restaurando a “unção apostólica” na Igreja, pois tal unção nunca se ausentou dela desde os dias da Reforma.


O que caiu historicamente em desuso na Igreja foi o título de “apóstolo”, não sua autoridade sobre ela. Em razão dessa verdade, convenhamos, seria muito mais sincero e verdadeiro da parte daqueles que espiritualizam o ressurgimento do título afirmar honestamente: “Olha pessoal, é o seguinte: o título e o ministério apostólicos são bíblicos, e, por isso, vamos usar o termo para os nossos ministros que tenham de fato tal chamado divino”. Ponto final.


Agora, por favor, não nos venham com essa de que “Deus está restaurando a unção apostólica em sua Igreja”. Deus não tem nada a ver com isso. Espiritualizam o retorno do uso do título “apóstolo” e lhe conferem ares de “nova revelação de Deus”, com o propósito de enfiar goela abaixo do povo um título que, historicamente caiu em desuso na Igreja cristã.


Creio convictamente que o que torna uma igreja “apostólica”, não é ter “apóstolos” na igreja, nem ter a expressão “apostólica” na placa denominacional, mas sim, duas coisas fundamentais: a) A vida de Cristo presente na igreja por meio do Espírito Santo; b) A mensagem que a igreja prega e vive, estando comprometida com ela.


Sim, toda igreja formada por crentes regenerados pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus, que tenha a Bíblia como sua única regra de fé e prática, e esteja comprometida com o Evangelho de Cristo, essa igreja é verdadeiramente apostólica, pois seus membros regenerados estão edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2:20).


Nesses dias em que se vê uma busca desenfreada por títulos e posições por parte de obreiros cristãos, é preciso dizer que o mais importante não são os títulos eclesiásticos que possamos receber. O mais importante é o trabalho que realizamos. Paulo diz que “se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (I Tm 3:1). Vejam bem, a excelência não está no título, mas na obra que é almejada e realizada.


Que a obra que realizamos em amor, servindo a Deus e aos homens, seja o elemento motivador que nos impulsiona a trabalhar para o divino Mestre. Desse modo, “logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” (I Pd 5:4).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Não será frustrada a tua esperança

Vivemos num mundo sem esperança. As pessoas sem Deus não sabem de onde vieram e para onde vão. Não sabem em quem devem confiar. Hoje em dia, em todos os seguimentos da sociedade, há uma carência enorme de líderes que sejam transparentes, honestos e eficientes. As pessoas já não conseguem mais confiar nas autoridades que comandam a nação por causa da corrupção e do abuso do poder que se instalou e insiste em não ir embora. Os ídolos ou ícones dos jovens que influenciam suas mentes são pessoas afundadas nas drogas, na libertinagem, na prostituição, e que vivem uma vida familiar totalmente destruída e destituída dos padrões estabelecidos por Deus.


Todavia, nesse mundo em trevas ainda brilha uma luz: A esperança do crente. Somente o crente em Jesus conhece a verdadeira esperança. Isso porque Jesus habita em nós pelo Espírito Santo. Por isso Paulo também diz que Jesus Cristo em nós é a esperança da glória (Cl 1:27).

Mas, triste coisa é quando o crente, sendo um filho de Deus, se esquece da sua bendita esperança porque alguma coisa na sua vida não aconteceu como ele gostaria. E quando isso acontece, alguns deixam de olhar para as coisas que Deus tem para lhes oferecer e começam a reparar nas coisas que o mundo em trevas tem para lhes dar. O resultado disso é a inveja pela vida que levam os pecadores.

Por esta razão, Deus em Provérbios 23:17 e 18 nos diz assim: “Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes, no temor do SENHOR perseverarás todo dia. Porque deveras haverá bom futuro; não será frustrada a tua esperança”.

“Não tenha o teu coração inveja dos pecadores...”. Muitos se lamentam por observarem que, não obstante servirem a Deus, ainda assim passam por adversidades, ao passo que há pessoas que prosperam, mas vivem no pecado. Olhar a vida dessa forma é ter uma visão limitada da vida com Deus. O salmista diz qual será o fim daqueles que desprezam a Deus: “Os ímpios... são... como a palha que o vento dispersa. Por isso os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá” (Sl 1:4-6).

Há cristão entrando em parafuso, vivendo uma confusão mental porque não entende essas coisas, pois sua visão espiritual de vida com Deus é totalmente equivocada. O filho de Deus cai em pecado quando sente inveja da aparente prosperidade dos pecadores. Diz o texto em Provérbios que é o nosso “coração” que não deve invejar os pecadores. Jesus nos ensina que é do coração que procede todo pecado que alguém pode cometer.

Portanto, não devemos ter no nosso coração inveja dos pecadores. A aparente prosperidade deles não se compara com aquilo que somos e temos em Cristo, e com aquilo que ainda seremos e teremos nas moradas celestiais. Tudo isso porque temos uma aliança com Deus por meio de Jesus Cristo o nosso Senhor.

“... antes no temor do Senhor perseverarás todo dia”. “Antes...”. Essa palavra demonstra que ao contrário de desejarmos o mundo quando passamos por aflição, devemos agir e sentir de uma forma totalmente oposta. Temos que perseverar todos os dias no temor do Senhor. Temer o Senhor significa honrá-lo, obedecê-lo reverentemente. Na prática, significa viver uma vida separada para Deus. Significa viver em santidade. Fomos chamados para sermos santos, pois agora pertencemos exclusivamente ao Senhor.

Quando enfrentamos as lutas da vida não devemos e não precisamos invejar os pecadores: o mundo de pecado em que vivem, o seu estilo de vida, seus valores, seus princípios destituídos da verdade e da vontade Deus. Pelo contrário, no meio da batalha devemos temer ao Senhor. Como? Perseverantemente. Quando? Todos os dias.

E o que acontece conosco quando ao invés de sentir inveja dos pecadores, tememos e obedecemos a Deus? O próprio Deus responde no texto de Provérbios:

“Porque deveras haverá bom futuro...”. Quando tememos a Deus, abandonando o pecado e obedecendo a sua Palavra, estamos fazendo uma semeadura de benção em nossa vida. Por isso diz o apóstolo Paulo: “... aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl 6:7-9).

Semeie ódio e colherá ódio. Semeie inveja e colherá inveja. Semeie a falta de perdão e não será perdoado. Semeie a intriga e colherá a intriga. Semeie o pecado e colherá a morte.

Mas, semeie o amor e colherá amor. Semeie a paz e colherá a paz. Semeie carinho e colherá carinho. Semeie afeto e colherá afeto. Semeie o perdão e colherá perdão. Semeie misericórdia e colherá misericórdia. Semeie graça e colherá graça. Se essas são as semeaduras da tua vida, Deus manda te dizer: haverá bom futuro para você.

Não deixe se abater diante da luta: haverá bom futuro para você. Tenha esperança! Por isso a Palavra de Deus continua a te dizer: “... não será frustrada a tua esperança”.

Quantas pessoas estão agora mesmo desesperançadas? Há pessoas que sempre sonharam com um projeto profissional, ou de entrar numa universidade. Reuniram forças e dinheiro, mas tudo acabou dando errado. Para outros, não tiveram nem a oportunidade de errar porque nem mesmo conseguiram começar.

Mas Deus lhes diz: “... não será frustrada a tua esperança!”.

Há pessoas chamadas por Deus que já foram tremendamente usadas pelo Espírito Santo, mas porque se frustraram com os homens, deixaram de ser um instrumento nas mãos do Senhor. Alguns destes já até caíram em pecado e estão no mundo. Outros, embora continuem no meio do povo de Deus estão definhando espiritualmente. Acreditam que Deus não as ama mais e que não quer mais usá-los porque fracassaram ministerialmente. O profeta Elias pensou a mesma coisa...

Mas Deus lhes diz: “... não será frustrada a tua esperança!”.

Há jovens que já tiveram grandes desilusões na vida sentimental. Alguns chegam a acreditar que nunca conseguirão amar, se sentir amados e dar amor, pois os seus namoros sempre foram impuros, confusos ou deram em nada. Alguns pensam até em se conformar em ficarem sozinhos para sempre.

Mas Deus lhes diz: “... não será frustrada a tua esperança!”.

Há pessoas casadas que estão enfrentando grandes lutas no casamento. Não há mais carinho, respeito, amizade, afeto, comunhão, diálogo. Há lugar somente para as brigas, desconfianças, desrespeito e ciúmes. A vida sexual está em baixa. Alguns até acreditam que seu casamento já não tem mais jeito. Estão começando a pensar que com outra pessoa seriam mais felizes. Aí surge o perigo do adultério, pois o diabo não brinca em serviço.

Mas Deus lhes diz: “... não será frustrada a tua esperança!”.

Quem sabe, você que está lendo estas palavras acabou de sair de um divórcio, de uma separação traumática e dolorosa. Você foi traído(a), abandonado(a) ou trocado(a) por outra pessoa. O seu casamento se acabou e agora você acredita que não poderá mais ser feliz.

Mas Deus lhe diz: “... não será frustrada a tua esperança!”.

Você tem lutado contra um pecado, contra uma fraqueza de sua carne. Arrependido, já pediu várias vezes perdão para Deus. Mas você não consegue vencer esse pecado, e volta a pecar de novo. Você já até pensou em desistir, se entregar de uma vez ao pecado, ou arrumar justificativas para o pecado. Mas no fundo sabe que um pecado é sempre um pecado e não pode ser racionalizado. Por isso, vive atormentado pelo sentimento de culpa e de medo, porque quer fazer a vontade de Deus.

Mas Deus lhe diz: “... não será frustrada a tua esperança!”.

Em todos esses casos alguns são tentados a sentir inveja dos pecadores e a imitá-los em suas atitudes. São tentados a desistir de tudo.

Mas Deus lhes diz: “Persevere no temor do Senhor, porque haverá bom futuro para você e não será frustrada a tua esperança!”.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quantos advogados há no céu entre Deus e os homens?

Neste dia 12 de Outubro, em nosso imenso Brasil, milhares de  religiosos vão às ruas para suas romarias e pagamentos de promessas. Um país formado por uma maioria religiosa, mas que nega o único e verdadeiro Deus em seus atos, pensamentos, princípios e valores, tanto morais quanto espirituais.

Neste dia, não posso deixar de citar o profeta Isaías, que profetizou a Palavra do Senhor quando o povo de Israel se curvava perante outros deuses e imagens de escultura: "Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura" (Is 42:8).

Este Deus, o único Deus que não divide e nem dá a sua glória para qualquer outro deus, divindade ou santo, Ele mesmo enviou o seu Filho, o nosso amado Salvador Jesus Cristo, para nos salvar e nos libertar do pecado e de toda ignorância espiritual das trevas, mediante sua morte sacrifical na cruz do calvário. Desse modo, aquele que busca a Deus por meio de Jesus, não precisa mais oferecer sacrifícios penitenciais, pois Jesus já pagou toda dívida que tínhamos para com Deus, o nosso Pai. Somos aceitos por Deus, não porque nos autoflagelamos, mas gratuitamente pela sua graça e amor mediante a intercessão de Jesus Cristo nosso Senhor.

A Palavra de Deus nos diz que "há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos..." (I Tm 2:5). João, apóstolo e evangelista, diz que "se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo" (I Jo 2:1). Portanto, segundo a Bíblia, a Palavra de Deus, não há outro mediador ou mediadora, advogado ou advogada junto ao Pai intercedendo por nós, senão única e exclusivamente o Senhor Jesus Cristo, nosso amado Salvador.

Que o nosso querido Brasil desperte para esta verdade, de modo que ela seja transformadora na vida dos homens sem Deus, não obstante religiosos.

Assim, declaro em alto e bom som, o que canta o salmista no Salmo 33:12: "Feliz a nação cujo Deus é o Senhor".