As coisas de Deus são loucura para aqueles que não conhecem a Jesus. Paulo diz exatamente isso em I Co 1:18-25. Diz que o plano de Deus de salvar os homens através da morte sacrificial de Jesus na cruz é loucura para os não-crentes: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem...” (vs. 18a). E demonstra que, para o cristão, a morte de Jesus na cruz representa algo totalmente oposto para aqueles que não conhecem a Deus: “... mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (vs. 18b).
Deus ridiculariza a sabedoria dos homens: “Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?” (vs. 20). Paulo ironiza a sabedoria humana, por isso usa esses termos: “... aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (vs. 21b); “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (vs. 25).
Estas verdades demonstram que aquilo que é loucura para o mundo é sabedoria e vida eterna para nós. Isso tem a ver com a nossa mentalidade, com o modo com que pensamos e vemos a vida. A maneira de ver a vida do cristão deve ser diferente da maneira de ver a vida daqueles que são do mundo. O cristão não pode ver as circunstâncias da vida como um não-crente as vê. A nossa perspectiva deve ser diferente. Devemos ver a vida como Deus vê, com os olhos de Deus.
Esta mensagem de Deus para nós deve nos levar a esta reflexão: temos enxergado nossa vida do ponto de vista de Deus ou do ponto de vista do mundo? Ver a vida do ponto de vista do mundo nos leva à derrota e ao desânimo espiritual. Mas ver a vida do ponto de vista de Deus (que é loucura para o mundo) nos leva a uma vida cristã abençoada, vitoriosa e cheia de frutos.
Tomando emprestado a ironia de Paulo, podemos observar que em diversas situações a nossa fé e vida com Jesus vão na contramão da mentalidade dos homens sem Deus. A nossa fé em Deus parece loucura aos olhos humanos, parecendo mesmo que vivemos uma contradição, mas é na realidade a “loucura” que nos dá a vitória em Deus. Vejamos:
A 1ª LOUCURA: PERDENDO PARA GANHAR
Jesus disse: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará” (Mc 8:35). Tais palavras de Jesus: “qualquer que quiser salvar a sua vida”, significam preservar a sua vida por não estar disposto a correr todos os riscos que a vida com Deus nos traz: rejeição, preconceito, perseguição, ódio, intolerância, perda de relacionamentos, etc.
Jesus disse que por sua causa “estarão divididos: pai contra filho, filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra” (Lc 12:53). Por isso Jesus também nos diz: “... Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). Na Nova Tradução da Linguagem de Hoje, diz este mesmo versículo: “... Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe”.
Mas quem tenta salvar sua vida por não amar, seguir e obedecer a Jesus acabará por perder a vida, isto é, estará eternamente condenado. Esta é a busca pelo ganho que produz perda. Por isso Jesus nos pergunta: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8:36).
Jesus fala da perda que produz ganho: “... qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará”. Essa é a “loucura” que Deus nos propõe: perder a vida para ganhá-la.
A 2ª LOUCURA: ALEGRIA POR PARTICIPAR DOS SOFRIMENTOS DE JESUS
Quando pensamos em todo sofrimento que Jesus passou, certamente não desejamos tal sofrimento em nossa vida. “Afinal de contas”, pensamos nós, “Jesus já sofreu em meu lugar”. Isso é verdade, mas a Palavra de Deus diz que todas as vezes que sofremos todo tipo de perseguição das pessoas não-cristãs por causa da nossa fé em Jesus, participamos dos sofrimentos de Jesus:
A Palavra nos diz: "... alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (I Pd 4:13, 14).
Isso mesmo! O problema é que esta verdade ultimamente não é geralmente pregada nos púlpitos da maioria das igrejas. Ora, esta mensagem não é nada popular. As pessoas gostam mais de ouvir que são participantes da vitória de Jesus, da glória de Jesus, da ressurreição de Jesus, da vida de Jesus (e tudo isso também é verdade). Então os pregadores são tentados a pregar aquilo que as pessoas gostam de ouvir.
Mas não podemos nos esquecer que somos também participantes dos sofrimentos de Cristo (não para nossa salvação), pois se somos discípulos de Jesus podemos esperar que vamos passar por muitas coisas, tanto as boas quanto as ruins, que Ele mesmo passou.
O que não podemos, é nos alegrar com o sofrimento causado pelo pecado. Quanto a isso, a Bíblia diz: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome” (I Pd 4:15, 16). Nesse caso, temos de nos envergonhar e não nos alegrar.
Jesus deixou esta verdade para nós: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós” (Mt 5:11). Ora, por que somos “bem-aventurados” ou “mais do que felizes” quando somos perseguidos ou injuriados por causa de Jesus? Bem, Ele mesmo nos responde: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5:12).
A 3ª LOUCURA: MORRER É LUCRO
Para os que não conhecem a Deus a morte é o fim de uma vida, é o fim de tudo. Mas para os que são salvos em Cristo a morte é somente a porta pela qual entramos em um novo modo vida com Deus, não mais aqui na terra, mas no paraíso com Jesus. Jesus disse para o ladrão arrependido que fora crucificado junto com Ele: “... Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
Por esta razão, Paulo, aprisionado por causa do evangelho, declarou aos filipenses: “Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro” (Fp 1:21). “Mas, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil. Então não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, pois quero muito deixar esta vida e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1:22, 23).
Portanto, para o cristão, “morrer é lucro”, pois na verdade nunca morremos, pelo contrário, a morte física nos leva para as moradas eternas. Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá” (Jo 11:25, 26).
4ª LOUCURA: REGOZIJO NAS TRIBULAÇÕES
No mundo, a alegria e a tribulação são sentimentos opostos; são como água e óleo que não se misturam. Imaginá-las juntas, andando lado a lado, é realmente loucura. Mas na vida do cristão, não é loucura a existência harmoniosa da alegria e da tribulação. A Palavra de Deus afirmar isso em várias passagens:
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1:2).
“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1:12).
“... nos gloriamos nas próprias tribulações” (Rm 5:3a). “... sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 3b-5).
Portanto, o que para os outros é loucura, para nós é motivo de alegria e verdadeira esperança. A Bíblia diz que “andamos por fé e não pelo que vemos” (II Co 5:7). Não importam as circunstâncias que estejamos vivendo. Em qualquer delas somos mais que vencedores:
“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:35-39).



