Tudo começa no olhar. Daí vem a primeira conversa e o primeiro beijo. A chama da paixão se inflama e dois jovens adolescentes que mal se conhecem logo estão trocando carícias íntimas que resultarão numa conseqüência que provocará uma mudança radical em suas vidas: uma gravidez inesperada. A menina que a pouco tempo embalava sua boneca nos braços, agora terá que amamentar uma criança de verdade. O jovem rapaz que não possui nem carteira de trabalho e mal sabe o que é a vida, recebe sobre os ombros a difícil tarefa de criar e sustentar um filho. Na verdade, nem terá este trabalho, pois na maioria dos casos a criança é sustentada pelos pais da moça.
Esta tem sido a história de milhares de adolescentes e famílias em nosso país. Os números são impressionantes e deveriam deixar as famílias e a sociedade em estado de alerta. Já no ano de 1999, 700 mil partos foram realizados em adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, o que representou 28% do total de partos realizados na rede de saúde pública daquele ano. E a cada ano que passa, estes números crescem assustadoramente no Brasil. São milhares e milhares de jovens mães e pais solteiros que colocam filhos no mundo sem nenhuma estrutura financeira, material e psicológica para criá-los. Então nos perguntamos: de quem é a culpa? Não é difícil encontrar as causas para este fenômeno social negativo dos nossos dias. A mídia tem a sua parcela de culpa. Programas da TV e revistas para o público adolescente incentivam os adolescentes à prática sexual precoce. Os pais também não escapam. Os pais brasileiros são os mais permissivos do mundo. Não colocam limites sobre os filhos com o medo deles se revoltarem. Para agravar a situação os pais não conversam abertamente com os filhos, ou quando o fazem, é para incentivá-los à prática sexual irresponsável e inconseqüente.
Não há nada de errado com o sexo. Aliás, o sexo é uma experiência maravilhosa que Deus deu ao homem e à mulher para desfrutarem somente dentro dos limites do casamento. Mas a banalização do sexo que temos assistido em nossa sociedade, tem levado os nossos adolescentes e jovens a desperdiçarem momentos fascinantes da vida, pois a gravidez precoce os faz perderem etapas importantes de sua existência: as fases do namoro, do noivado, do início do casamento sem as crianças, e depois de um tempo, a vinda dos filhos. Todas estas fases da vida são importantes e não deveriam ser ultrapassadas e nem adiantadas.
O namoro é uma dessas fases muito importantes da vida. Costumo dizer que o namoro é o “vestibular para o casamento”, onde a moça e o rapaz se conhecem, não fisicamente, mas na personalidade, nas emoções e na espiritualidade. Acredito que uma família feliz e abençoada começa exatamente na etapa do namoro. Que rapazes e moças redescubram no namoro aquelas coisas que torna lindo e sublime tal relacionamento. Coisas tais como a amizade, o romantismo, o galanteio, o cavalheirismo e o respeito. Coisas que infelizmente são raras de encontrar nos namoros de hoje. E o mais importante: que busquem a presença de Deus no namoro. Deus é o maior interessado em nossa vida sentimental e familiar. Nos dias de crise em que vivemos Deus tem respostas a dar aos nossos jovens para que sejam felizes nessa área da vida. Por isso, que venham a refletir no que diz a Palavra de Deus: “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém que de todas estas coisas Deus te pedirá contas... Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirá: Não tenho neles prazer” (Ec 11:9; 12:1).