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sábado, 30 de agosto de 2008

Segredos do Coração

Dias atrás tive a oportunidade de participar de uma grande conferência para pastores e líderes que trouxe-me aprendizado, consolo e fortalecimento. Foi entre os dias 26 e 29 de Agosto de 2008 na Conferência de Líderes Segredos do Coração, patrocinada pela Igreja Batista Getsêmani de Belo Horizonte, que tem o Pr. Jorge Linhares como seu pastor titular. O evento ocorreu na sede campestre da igreja e contou com a presença dos seguintes preletores: Pr. Jorge Linhares, Pr. Jeremias Pereira, Pr. Silas Malafaia, Pr. Silmar Coelho, Pr. Adolfo Sarmento, Pr. Estevam Fernandes e Pr. Josué Gonçalves.

Todo pastor deveria participar pelo menos uma vez por ano de um evento como esse. Principalmente nos dias em que vivemos onde se vê tantos escândalos por parte daqueles que se intitulam “pastores”. Sim, pastores entre aspas, pois o que se vê hoje em dia nos púlpitos das igrejas é todo tipo de gente: bons comunicadores, animadores de auditório, apresentadores de shows, vendedores da graça divina, tudo, menos pastores de verdade, chamados e vocacionados por Deus.

São poucos os que realmente são chamados e escolhidos por Deus para o ministério pastoral. O que se vê é um bando de falastrões mal preparados para o ministério, cuja intenção é a autopromoção ou o enriquecimento próprio à custa de gente temente a Deus. A coisa está tão feia que hoje em dia é possível conseguir “credencial” de pastor mediante um cursinho feito pela internet. Um absurdo! Nunca se viu tantos “pastores” envolvidos em picaretagem, corrupção e mau testemunho. Possuem carisma humano que arrasta multidões, mas falta-lhes o poder e a unção que vem do alto para transformá-las.

Sem contar os hereges que têm pregado um evangelho jamais encontrado nas Escrituras. Na verdade, uma deturpação do evangelho com aparência de evangelho. Um “evangelho” que Jesus e nem os apóstolos jamais pregariam. Um “evangelho” que cobra, e alto, pelas bênçãos de Deus. Um “evangelho” complacente com o pecado. Um “evangelho” não comprometido com a verdade da Palavra de Deus, pois a despreza e a contradiz. Um “evangelho” que usa a Bíblia como lhe convém, lançando mão de uma hermenêutica de “fundo de quintal”. Um “evangelho” que sacramentaliza coisas e rituais e despreza a verdadeira adoração em espírito e em verdade. Um “evangelho” que promete riquezas materiais e não tem o poder de transformar o caráter, o coração e a vida de ninguém. Um “evangelho” que põe a religião acima das pessoas e de suas reais necessidades. Um “evangelho” que transforma o Deus todo-poderoso em servo dos homens. Um “evangelho” que toma a Bíblia a serviço da psicologia sutilmente disfarçada de “poder de Deus para transformar”. Um “evangelho” que pinta os pastores como seres semi-divinos sem os quais os homens não podem se achegar a Deus (tal qual são os sacerdotes católicos para o catolicismo romano) – assim, pastores revestem-se de um poder que não lhes foi concedido a fim de exercerem domínio sobre o rebanho de Deus (não aquela genuína autoridade espiritual, mas autoritarismo religioso), e, por conseguinte, tomam o lugar que Jesus assumiu de uma vez por todas e que o torna o único mediador entre Deus e os homens.

Será que este quadro não é a resposta do porque uma igreja tão numerosa como a brasileira não consegue transformar significativamente a nossa sociedade?

Mas graças a Deus, porque não obstante a tanta coisa que nos assusta e nos entristece há muita gente sincera e correta realizando a obra do Senhor. Homens verdadeiramente escolhidos, chamados e vocacionados para o ministério pastoral têm pastoreado com amor, zelo e responsabilidade a igreja de Cristo. Muitos deles são anônimos. Pastoreiam igrejas pobres no campo, em pequeninas cidades, e em bairros distantes. Não estão na TV, nas rádios e não possuem livros escritos. Muitos até passam necessidades. O Pr. Jeremias Pereira tem realizado um trabalho lindíssimo com a igreja pobre do sertão brasileiro. O que ele nos conta é de cortar o coração, e, geralmente, não aparece na mídia evangélica brasileira.

Tenho conhecido pastores de verdade. Muitos são meus amigos pessoais. Muitos outros não os conheço, mas sei que estão espalhados pela nossa querida nação e no campo missionário em terras distantes. São homens comprometidos com Deus e com a sua verdade. Homens íntegros, fiéis às suas esposas, à sua família e à igreja que pastoreiam. Homens de Deus que andam na presença do Senhor. Pastores que não negociam nem deturpam a Palavra de Deus. São luzes que brilham nas trevas. Pastores que amam as ovelhas do Senhor, o nosso Sumo Pastor Jesus Cristo. Homens cheios do Espírito Santo que lideram o rebanho de Cristo não pelo autoritarismo religioso, mas pela autoridade espiritual concedida pelo Sumo Pastor das ovelhas. São seguidos pelas ovelhas não pelo medo imposto, mas porque são modelos do rebanho.

Na conferência Segredos do Coração, Deus me ensinou de muitas maneiras. Uma delas foi ouvir homens de Deus de projeção internacional abrir o coração e contar-nos os segredos de seu coração. Segredos que pensamos que só nós os temos. Mas, que na verdade, são segredos muitas vezes compartilhados, ainda que escondidos no coração. Como pastores, na condição de meros homens, temos muitas vezes os mesmos medos, incertezas, más motivações e fragilidades humanas. Ao ouvir os segredos do coração de meus colegas pastores que nos ministraram a Palavra, pude desvendar a mim mesmo os segredos do meu próprio coração. E assim, aprender com o meu Senhor e Pastor Jesus Cristo onde e como preciso crescer e melhorar. E assim, "logo que o Supremo Pastor se manifestar, receberei a imarcescível coroa da glória" (I Pd 5:4).

Vejam as fotos:
Pr. Marcelo e Pr Watson Goodman da Comunidade Evangélica de Contagem-MG.
Pr. Marcelo e Pr. Ronaldo com Pr. Jeremias Pereira (ao centro) da 8ª Presbiteriana de Belo Horizonte


À esquerda, Pr. Marcelo com Pr. Silmar Coelho, e à direita, com Pr. Adolfo Sarmento da Igreja do Evangelho Quadrangular.






Eu e minha turma de quarto: Pr. Ronaldo, Pr. Watson e nosso amigo Wellington.








À esquerda, Pr. Silas Malafaia, e à direita, Pr. Jorge Linhares da Igreja Batista Getsêmani de BH com o Pr. Estevam Fernandes da Igreja Batista de João Pessoa-PB.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cristãos e pastores da política (Parte 2)

Recebi um e-mail de uma certa irmã aflita me pedindo ajuda, que me deixou profundamente triste, e ao mesmo tempo indignado. Ao ler minha opinião sobre o envolvimento de cristãos e pastores na política, ela se sentiu motivada a me escrever e contar a triste experiência pela qual ela passou em sua comunidade.

Essa irmã me contou que em sua comunidade cristã, o seu líder espiritual realizou com o povo um ritual de aliança utilizando certos elementos, tais como sal e óleo. Tal líder disse aos irmãos daquela comunidade que aquele "ato profético" foi realizado como uma aliança do povo com a canditatura (pasmem!) do seu próprio filho a um determinado cargo político. Como se não bastasse, ameaçou aos irmãos dizendo que aqueles que não obedecessem àquela "aliança", fazendo campanha para seu filho (cada pessoa deveria conquistar vinte votos) estariam amaldiçoados por Deus. Simplesmente vergonhoso e lamentável!

Transcrevo parte de minha resposta dada a essa irmã:

"Graça e Paz!

Quero em primeiro lugar tranquilizá-la dizendo que você em nada está errada em sua posição, nem diante de Deus, nem diante dos homens, nem diante da igreja, e nem perante sua consciência. Vamos por partes:

1. À luz do Novo Testamento não consigo entender a validade espiritual de um ritual de aliança feito com sal. Não se vê no Novo Testamento nem Jesus, nem os apóstolos, nem a igreja fazendo coisa do tipo. Com toda sinceridade e respeito, isso me parece um ritual mais pagão do que cristão.

2. A igreja não pode ser usada como manobra de massa para fins políticos. Nenhum pastor tem o direito de ferir a liberdade de consciência de nenhum irmão. O pastor tem sim, o dever de orientar corretamente o seu povo a votar com sabedoria de acordo com a consciência pessoal de cada um, e não de acordo com quem ele acha que os irmãos devem votar. O pastor ordenar em quem as pessoas devem votar, principalmente em favor de causa própria, é uma violência à consciência das pessoas. E o pior: fazer isso em nome de Deus, espiritualizando a situação, como se Deus estivesse por trás disso ou aprovando tal atitude. Isso é menosprezar a inteligência das pessoas. Acredito, sem dúvida alguma, que tal atitude não agrada o coração de Deus.

3. A Bíblia é clara ao afirmar que maldição sem causa jamais pode nos afetar. Além disso, como pode um cristão salvo e nascido de Deus, que anda obedientemente diante de Deus pode ser amaldiçoado? Isso é impossível à luz do Novo Testamento (Rm 5:1; 8:1, 2). A Bíblia diz que os crentes devem obedecer aos seus pastores (Hb 13:7, 17). Mas essa obediência é devida somente quando a vida e o ensino dos pastores estão de acordo com a Palavra de Deus. Ninguém deve seguir cegamente um líder espiritual somente porque tem o título de "pastor". Nenhum pastor tem o direito de sair amaldiçoando as pessoas por aí. Fomos chamados para abençoar, não amaldiçoar. Nenhum pastor deve fazer "terrorismo" espiritual e psicológico para amedrontar o rebanho a fim de que as pessoas obedeçam às suas ordens. Não é essa a postura que o Senhor Deus ordena aos seus pastores. Muito pelo contrário (veja I Pedro 5:1-4)!

4. Nenhum pastor pode agir como se fosse "dono" ou "proprietário" do rebanho, pois o rebanho pertence a Jesus (mais uma vez cito I Pedro 5:1-4, principalmente o versículo 4). Se um pastor quer que as ovelhas o sigam, ele deve ser modelo ou exemplo do rebanho, e nunca agir como "dono" daqueles que, na verdade, foram confiados a ele pelo verdadeiro dono das ovelhas, o Sumo Pastor Jesus Cristo. Infelizmente, o amor pelo poder político e eclesiástico tem levado muitos pastores a não mais obedecerem a Deus nesse importante quesito ministerial ordenado pelo próprio Deus.

Confesso que histórias como a sua me deixam profundamente triste e preocupado com o rumo que algumas igrejas têm tomado, principalmente em época de eleição. Oremos para que Deus transforme o coração de pastores e líderes que estão perdendo a visão bíblica de igreja e do pastorado cristão.

... não permita que acontecimentos como esse apague sua fé em Jesus. Os homens podem cometer erros, mas o nosso Jesus permanece o mesmo, bem como sua Palavra, suas promessas e seu amor por nós. Portanto, fique firme em Jesus e nos seu amor, e que nada possa abalar sua fé em Cristo. No amor de Jesus, Saudações em Cristo".

Esta foi a minha palavra para esta irmã que me escreveu. Espero que estas palavra possam alentar e tranquilzar seu coração, que se encontra confuso diante de tantas incoerências.

Infelizmente a dor, a confusão e o medo dessa irmã, tem sido os mesmos de muitos irmãos espalhados por este Brasil afora. Que o Senhor Deus nos livre de falsos pastores que têm amado mais o dinheiro e o poder do que as ovelhas do Senhor.

Que o Eterno Deus opere um grande avivamento no coração dos pastores de nossa nação, a fim de que o ministério pastoral seja exercido conforme Deus nos ordena nas suas Sagradas Escrituras: não para ganhar dinheiro, mas com verdadeiro desejo de servir; não dominando as ovelhas que foram entregues por Jesus aos seus cuidados, mas sendo exemplo e modelo para o rebanho.

A Deus seja a glória eternamente!