Todo pastor deveria participar pelo menos uma vez por ano de um evento como esse. Principalmente nos dias em que vivemos onde se vê tantos escândalos por parte daqueles que se intitulam “pastores”. Sim, pastores entre aspas, pois o que se vê hoje em dia nos púlpitos das igrejas é todo tipo de gente: bons comunicadores, animadores de auditório, apresentadores de shows, vendedores da graça divina, tudo, menos pastores de verdade, chamados e vocacionados por Deus.
São poucos os que realmente são chamados e escolhidos por Deus para o ministério pastoral. O que se vê é um bando de falastrões mal preparados para o ministério, cuja intenção é a autopromoção ou o enriquecimento próprio à custa de gente temente a Deus. A coisa está tão feia que hoje em dia é possível conseguir “credencial” de pastor mediante um cursinho feito pela internet. Um absurdo! Nunca se viu tantos “pastores” envolvidos em picaretagem, corrupção e mau testemunho. Possuem carisma humano que arrasta multidões, mas falta-lhes o poder e a unção que vem do alto para transformá-las.
Sem contar os hereges que têm pregado um evangelho jamais encontrado nas Escrituras. Na verdade, uma deturpação do evangelho com aparência de evangelho. Um “evangelho” que Jesus e nem os apóstolos jamais pregariam. Um “evangelho” que cobra, e alto, pelas bênçãos de Deus. Um “evangelho” complacente com o pecado. Um “evangelho” não comprometido com a verdade da Palavra de Deus, pois a despreza e a contradiz. Um “evangelho” que usa a Bíblia como lhe convém, lançando mão de uma hermenêutica de “fundo de quintal”. Um “evangelho” que sacramentaliza coisas e rituais e despreza a verdadeira adoração em espírito e em verdade. Um “evangelho” que promete riquezas materiais e não tem o poder de transformar o caráter, o coração e a vida de ninguém. Um “evangelho” que põe a religião acima das pessoas e de suas reais necessidades. Um “evangelho” que transforma o Deus todo-poderoso em servo dos homens. Um “evangelho” que toma a Bíblia a serviço da psicologia sutilmente disfarçada de “poder de Deus para transformar”. Um “evangelho” que pinta os pastores como seres semi-divinos sem os quais os homens não podem se achegar a Deus (tal qual são os sacerdotes católicos para o catolicismo romano) – assim, pastores revestem-se de um poder que não lhes foi concedido a fim de exercerem domínio sobre o rebanho de Deus (não aquela genuína autoridade espiritual, mas autoritarismo religioso), e, por conseguinte, tomam o lugar que Jesus assumiu de uma vez por todas e que o torna o único mediador entre Deus e os homens.
Será que este quadro não é a resposta do porque uma igreja tão numerosa como a brasileira não consegue transformar significativamente a nossa sociedade?
Mas graças a Deus, porque não obstante a tanta coisa que nos assusta e nos entristece há muita gente sincera e correta realizando a obra do Senhor. Homens verdadeiramente escolhidos, chamados e vocacionados para o ministério pastoral têm pastoreado com amor, zelo e responsabilidade a igreja de Cristo. Muitos deles são anônimos. Pastoreiam igrejas pobres no campo, em pequeninas cidades, e em bairros distantes. Não estão na TV, nas rádios e não possuem livros escritos. Muitos até passam necessidades. O Pr. Jeremias Pereira tem realizado um trabalho lindíssimo com a igreja pobre do sertão brasileiro. O que ele nos conta é de cortar o coração, e, geralmente, não aparece na mídia evangélica brasileira.
Tenho conhecido pastores de verdade. Muitos são meus amigos pessoais. Muitos outros não os conheço, mas sei que estão espalhados pela nossa querida nação e no campo missionário em terras distantes. São homens comprometidos com Deus e com a sua verdade. Homens íntegros, fiéis às suas esposas, à sua família e à igreja que pastoreiam. Homens de Deus que andam na presença do Senhor. Pastores que não negociam nem deturpam a Palavra de Deus. São luzes que brilham nas trevas. Pastores que amam as ovelhas do Senhor, o nosso Sumo Pastor Jesus Cristo. Homens cheios do Espírito Santo que lideram o rebanho de Cristo não pelo autoritarismo religioso, mas pela autoridade espiritual concedida pelo Sumo Pastor das ovelhas. São seguidos pelas ovelhas não pelo medo imposto, mas porque são modelos do rebanho.
Na conferência Segredos do Coração, Deus me ensinou de muitas maneiras. Uma delas foi ouvir homens de Deus de projeção internacional abrir o coração e contar-nos os segredos de seu coração. Segredos que pensamos que só nós os temos. Mas, que na verdade, são segredos muitas vezes compartilhados, ainda que escondidos no coração. Como pastores, na condição de meros homens, temos muitas vezes os mesmos medos, incertezas, más motivações e fragilidades humanas. Ao ouvir os segredos do coração de meus colegas pastores que nos ministraram a Palavra, pude desvendar a mim mesmo os segredos do meu próprio coração. E assim, aprender com o meu Senhor e Pastor Jesus Cristo onde e como preciso crescer e melhorar. E assim, "logo que o Supremo Pastor se manifestar, receberei a imarcescível coroa da glória" (I Pd 5:4).
Pr. Marcelo e Pr. Ronaldo com Pr. Jeremias Pereira (ao centro) da 8ª Presbiteriana de Belo Horizonte
À esquerda, Pr. Marcelo com Pr. Silmar Coelho, e à direita, com Pr. Adolfo Sarmento da Igreja do Evangelho Quadrangular.
À esquerda, Pr. Silas Malafaia, e à direita, Pr. Jorge Linhares da Igreja Batista Getsêmani de BH com o Pr. Estevam Fernandes da Igreja Batista de João Pessoa-PB.