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quinta-feira, 24 de julho de 2008

O envolvimento de cristãos e pastores na política

Foi dada a largada! Começou mais uma campanha política. Sejamos sinceros: haja paciência para ouvir um zilhão de vezes aquelas entediantes músicas de campanha tocadas em carro de som. Sem falar das inúmeras visitas que recebemos de pessoas que jamais receberíamos em outra ocasião. Gente que aparece em época de campanha e desaparece como fumaça quando passam as eleições.

A classe política está tão desacreditada que não dá para confiar em quase ninguém que aparece implorando o nosso voto. A grande verdade é que a maioria dos candidatos não está preparada para concorrer a cargos tão importantes. Nem moralmente, nem politicamente. A começar pela escolha do partido que estão filiados. Quase nenhum dos candidatos sabe dizer qual é sua ideologia política-partidária. Sua "ideologia" é escolher o partido que lhe dará mais chances de ganhar o pleito eleitoral.

Temos que pensar e refletir muito bem em quem vamos votar. É inadmissível que um cristão vote em um candidato ou em um partido que apóie a legalização da safadeza, da imoralidade, daquilo que é pecaminoso.

Por muitas vezes ouvimos aquela célebre frase: "irmão vota em irmão". Todavia, há grandes enganos por trás desse pensamento. Se alguém procura votar em um candidato evangélico, antes de tudo, deve observar se ele é realmente crente, competente e honesto. Por que? Porque nesta época de eleições é comum aparecer um monte de gente sem escrúpulos fazendo pose de crente, mas que de crente não tem nada. Sem contar aqueles verdadeiros irmãos, que embora sejam honestos e tenham boa vontade, não possuem a mínima condição de exercerem um cargo público.

Lamentável também é a quantidade de pastores e líderes cristãos que se envolvem na política. Sei que muitos não vão concordar comigo, mas este é meu pensamento quanto a isso. O cristão na qualidade de cidadão de uma sociedade democrática tem o direito de se candidatar para qualquer cargo público. Aliás o Brasil precisa de homens e mulheres de Deus compromissados com Ele e o povo em todas as esferas do governo. Mas acredito piamente que quando isso toca a vida de ministros do Evangelho de Cristo a coisa muda de figura.

Um pastor na condição de cidadão tem todo o direito de candidatar-se a um cargo público. Mas creio que todo pastor que se candidata a um cargo político está se rebaixando de sua nobre posição. Um pastor é um homem divinamente chamado pelo Senhor para envolver-se no trabalho do Reino de Deus. Foi chamado por Deus para ocupar-se das coisas espirituais do alto. Foi vocacionado por Deus para ganhar almas para Cristo, e edificá-las e moldá-las à imagem de Jesus. Em fim, foi divinamente chamado para pastorear as ovelhas do rebanho de Jesus. Portanto, creio que não existe na terra missão mais nobre e elevada do que esta.

Acredito que quando um pastor deixa o ministério para se dedicar à carreira política está se rebaixando, pois está trocando algo superior por algo inferior; está trocando uma missão espiritual por uma terrena; está trocando um ofício sagrado por um secular.

No caso de um pastor optar por dividir o seu tempo no exercício do ministério com o exercício de seu mandato político, não acredito que obterá êxito, pois dificilmente conseguirá conciliar duas tarefas que exigem tempo e dedicação total. Certamente não exercerá com eficácia nenhuma das duas tarefas. Por experiência própria posso afirmar que um pastor que está realmente envolvido com a obra de Deus não terá tempo para se envolver em uma outra atividade de grande importância, como é o caso de um cargo político.

Para concluir, quero falar um pouco sobre o que a Bíblia fala a respeito dos govermantes. É verdade que a vida pública no Brasil é marcada pela corrupção e pelo abandono à população. Em razão disso, muitos crentes acreditam que a política “é coisa do diabo” e se tornam totalmente alienados com relação aos acontecimentos políticos da nossa nação e que interferem diretamente no nosso dia a dia. Todavia, o cristão que não se importa com aqueles que legislam e governam em nosso país, no mínimo, desconhece o que nos ensina as Escrituras Sagradas.

O apóstolo Paulo em Romanos em 13:1-7 diz que todos nós devemos estar sujeitos às autoridades porque elas foram instituídas pelo próprio Deus. Paulo chega ao ponto de dizer que a autoridade é “ministro de Deus” para o nosso bem. Também diz que devemos pagar os nossos impostos corretamente e dar honra a quem merece honra. É muito comum encontrarmos pessoas amaldiçoando os nossos governantes. A Palavra de Deus diz que o cristão deve ter uma postura diferente. O mesmo Paulo em I Timóteo 2:1, 2 diz que devemos orar e interceder a favor de todos aqueles que ocupam cargos públicos, “para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda piedade e honestidade”.

Portanto, oremos e trabalhemos por um Brasil melhor e abençoado!