Somente o tempo dirá quais serão os resultados das manifestações sociais que temos presenciado nas ruas dos grandes centros do país. Não podemos nos esquecer que boa parte daqueles que têm governado o Brasil nesses últimos anos, e que estiverem envolvidos nos maiores escândalos políticos da história brasileira, estiveram há mais de três décadas atrás nas ruas lutando contra o poder ditatorial dos militares. Porém, assim que chegaram ao poder foram amealhados pela corrupção sempre presente em todas as esferas da sociedade.
Na época do impeachment do Collor, os jovens - chamados naquela ocasião de "caras pintadas" - tornaram-se apenas uma "modinha" juvenil que logo desapareceu assim que o presidente corrupto deixou o poder. Perderam a força e a mobilização.
Hoje, não me espantará se desse movimento atual não surgirem novos líderes, jovens capazes de mobilizar as massas, mas que, num futuro distante se tornarão mais um no bando dos mensaleiros.
Todavia, esperamos que a história dessa vez não se repita, que seja diferente, que a mobilização das ruas despertem nos políticos o senso de responsabilidade e tragam mudanças profundas à nossa sociedade tão sofrida. Esperamos... ainda que a história nos faça desacreditar que a mudança política e social seja possível pelas vias daqueles que detém o poder em nossa nação.
"Quando os bons alcançam o poder, todos festejam; mas, quando o poder cai nas mãos dos maus, o povo se esconde de medo" (Pv 28:12).
Pr. Marcelo Rodrigues
terça-feira, 18 de junho de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Os filhos são como flechas
Vivemos
numa sociedade em que criar e educar filhos tem se tornado uma tarefa e uma
responsabilidade cada vez mais desafiadoras. Não é sem razão o crescente o
número de casais que tem optado por não terem filhos em seus casamentos. Porém,
no salmo 127 Salomão cantou: “Herança do
SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do
guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua
aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta” (Salmo
127:3-5).
Neste
salmo, Salomão diz três coisas a respeito dos filhos. Diz que os filhos são uma
herança, uma benção e são como flechas. Como flechas? Sim, isso mesmo! São como
flechas nas mãos de um guerreiro. O guerreiro quando usava sua flecha a direcionava
para um alvo a ser atingido. Assim são os filhos... São como flechas que são
direcionadas para determinado alvo.
Salomão
compara os filhos às flechas, pois assim são os filhos no processo de criação e
educação. Enquanto criamos e educamos nossos filhos, estamos dando uma direção
a eles. Estamos os encaminhando para a vida. Mas como exatamente estamos
fazendo isso? Estamos dando direção correta aos nossos filhos?
O
sucesso nessa árdua tarefa dependerá em grande parte das atitudes dos pais
frente aos seus filhos. E para que obtenham sucesso, os pais precisam estar
atentos a algumas verdades.
A
primeira delas é que os filhos aprendem e são guiados por imitação. O exemplo
dos pais é um fator básico no desenvolvimento social, moral e espiritual dos
filhos. Desde pequenos, os filhos observam os pais como tratam balconistas em
lojas, como falam ao telefone ou com um vizinho. Quando a vida dos pais é
incoerente com o seu discurso, isso passa a ser observado pelos filhos que
aprendem essa incoerência como um modelo a ser seguido. Por isso, os pais devem
abandonar a brutalidade, a mentira, o engano, a falsidade, a fofoca, os
palavrões, a hipocrisia e todo e qualquer comportamento que deixaria qualquer
pai ou mãe envergonhados de verem seus filhos agindo da mesma maneira.
Outra atitude importante é
não brigar na presença dos filhos. Quando os filhos presenciam constantemente
os pais brigando e se agredindo física e verbalmente, isso causará sério abalo
emocional. Esta é uma das causas das dificuldades de relacionamento e
socialização, e também do baixo rendimento escolar pelos quais tantas crianças
e adolescentes estão passando. Estão abalados psicologicamente porque não têm
estrutura emocional para suportar as brigas dos pais.
A Bíblia há mais de dois mil
anos atrás já orientava: “Pais, não
tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados...” (Ef
6:4). Mas é isso que os pais semeiam no coração dos filhos quando vivem
“quebrando o pau” dentro de casa. Ora, o maior medo dos filhos é que os pais
morram ou se separem. Por isso, as discussões entre marido e mulher devem ocorrer
longe da presença dos filhos. Por outro lado, quando os filhos percebem que os
pais estão bem e que se amam, isso confere a eles segurança emocional. É muito importante
para os filhos observarem os pais demonstrarem atitudes de amor, carinho e
respeito um com o outro.
Os pais devem também desenvolver
a autoestima e a autoconfiança nos filhos. A autoestima é construída em nós por
aquilo que os outros pensam de nós e como nos tratam. A autoestima é construída
de fora para dentro. Quando nos sentimos amados, valorizados e queridos, nossa
autoestima então se eleva. Desse modo, uma das maneiras dos pais elevarem a
autoestima dos filhos é conferindo a eles proteção integral. Isso significa
protege-los em todos os sentidos: fisicamente, materialmente, emocionalmente e espiritualmente.
Mas tome cuidado. Proteja,
porém, não superproteja... Os pais que superprotegem seus filhos, elevam
sua autoestima, porém, os impedem de desenvolver autoconfiança. Ao contrário da
autoestima, a autoconfiança é construída de dentro para fora. A autoconfiança é
desenvolvida à medida que obtemos sucesso nas coisas que realizamos. Por isso, quando
os pais superprotegem seus filhos a ponto de fazer tudo por eles, não
permitindo que seus filhos façam coisas ou corram riscos apropriados para a sua
idade, estão impedindo que seus filhos desenvolvam autoconfiança.
Superproteção significa
filhos com autoestima elevada – pois se sentem amados – porém, são filhos com
baixa autoconfiança, pois são inseguros para tomarem decisões e fazerem escolhas.
Pais superprotetores desenvolvem filhos que no futuro serão adultos inseguros
que não aprenderam a ter autonomia e independência, pois possuem baixa
autoconfiança.
Mais uma atitude que os pais
precisam estar atentos é não amaldiçoar, ou não falar mal de seus filhos. Nunca
diga para seu filho: “Seu burro”; “Seu vagabundo”; “Você não presta pra nada”; “Você não será nada na vida”. Nunca
diga para o seu menino: “Seu maricas”,
“Mulherzinha”. Nunca diga para sua
menina: “Sua vadia”, “Sua sem vergonha”. Nunca diga para seus
filhos: “Eu te odeio”, “Eu não gosto de você”.
Imagine uma criança ouvir estas
palavras dia após dia, ano após ano... Se isso acontecer, a criança poderá
crescer acreditando que ela é exatamente aquilo que os pais dizem que elas são.
E o que é pior: muitas vezes outros adultos que representam figuras de
autoridade para a criança (tios, avós e professores), engrossam o coro daqueles
que vão imprimindo na personalidade e na consciência da criança aquilo que na
verdade ela não é.
Ao ouvir mensagens que a
diminuem e a depreciam, a criança desenvolve uma sensação de inadequação e
inferioridade. Isso pode levar o indivíduo no futuro a sempre se envolver em
relacionamentos conturbados e até conduzi-lo às drogas, à criminalidade e ao
suicídio. Não é sem razão que Provérbios, o livro da sabedoria diz que “a morte e a vida estão no poder da língua;
o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18:21).
Por isso, elogie seu filho
sempre quando ele fizer alguma coisa boa e correta. O elogio é poderoso! O
poder do elogio é reforçador. Quanto mais elogiar seu filho quando ele acertar,
isso aumentará as chances de ele continuar acertando. Quando seu filho errar,
não o xingue, não o amaldiçoe. Ensine, mostre o caminho, com amor, carinho e
firmeza. Mas nunca o diminuindo, depreciando ou amaldiçoando seu filho.
Por fim, para que os pais
deem uma direção certa aos seus filhos, a palavra de Deus deve habitar no
coração dos pais. A esse respeito, Deus nos orienta: “Portanto, amem o SENHOR, nosso Deus, com todo o coração, com toda a
alma e com todas as forças. Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou
dando hoje. E não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em
casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem” (Dt 6:5-7).
Deus fala claramente aos
pais: “Guardem sempre no coração as leis
que eu lhes estou dando hoje”. Somente podemos dar aos outros aquilo que já
possuímos. Não podemos dar o que não temos. Portanto, se quisermos que os
nossos filhos vivam para amar, honrar, servir e obedecer a Deus, então, seus
mandamentos devem em primeiro lugar estar em nosso coração, em nossa vida, em
nossos relacionamentos e em tudo o que realizamos. Desse modo, nossos filhos
aprenderão pelo exemplo e viverão para amar e servir a Deus.
Lembre-se: os filhos são
como flechas... Para onde os estamos direcionando para a vida?
terça-feira, 9 de abril de 2013
Que democracia é essa?
Será que pode existir justa democracia quando grande parte da sociedade se torna produto da mídia, que exerce poder de julgamento movida por intenções escusas e sob os mesmos critérios arbitrários e massacrantes da Inquisição da Idade Média que não dava voz de defesa àqueles que queimavam na fogueira?
Infelizmente, essa é a sociedade brasileira... Sem refletir racionalmente e sem ir em busca da verdade dos fatos, se permite ser influenciada, manipulada e dirigida pela mídia...
A mesma mídia que, antes perseguida pelos militares, agora, imprime nas páginas dos jornais a sua própria ditadura...
Que Deus nos ajude!
Que Deus ajude o seu povo!
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Como agir diante das oposições à sua fé
O
apóstolo Pedro escreveu a carta que denominamos “Primeira Epístola de Pedro” para
os cristãos que estavam sofrendo duras perseguições por causa da sua fé em Jesus.
Aquelas pessoas estavam sendo presas e algumas até mortas por causa do
evangelho. As perseguições vinham de todos os lados: dos judeus e do mundo não-judeu
e pagão, incluindo aí as autoridades do Império Romano.
No
início de sua carta, Pedro escreve aos seus destinatários: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua
muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a
ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível,
sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados
pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no
último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se
necessário, sejais contristados por várias provações” (I Pd 1:3-6). Com
essas palavras, Pedro começa escrevendo que, embora os seus destinatários
devessem ser alegrar por serem tão abençoados por Deus, estavam também tristes
por causa das várias provações que vinham sofrendo por conta das perseguições à
sua fé em Jesus.
Diante
daquelas circunstâncias, Pedro escreveu essa carta com o propósito de orientar aos
seus destinatários como deveriam viver diante das perseguições à sua fé em
Cristo. Ao atentarmos às suas palavras, podemos também aprender com o apóstolo
o modo de Deus de nos portar diante das perseguições à nossa fé.
Pedro
afirma que devemos ter uma conduta de vida exemplar diante dos não crentes: “A conduta de vocês entre os pagãos deve ser
boa, para que, quando eles os acusarem de criminosos, tenham de reconhecer que
vocês praticam boas ações, e assim louvem a Deus no dia da sua vinda. Por causa
do Senhor, sejam obedientes a toda autoridade humana: ao Imperador, que é a
mais alta autoridade; e aos governadores, que são escolhidos por ele para
castigar os criminosos e elogiar os que fazem o bem. Pois Deus quer que vocês
façam o bem para que os ignorantes e tolos não tenham nada que dizer contra
vocês” (I Pd 2:12-15).
O
apóstolo também diz que se sofrermos perseguição, que seja por fazermos o bem,
e não o mal: “Se algum de vocês tiver de
sofrer, que não seja por ser assassino, ladrão, criminoso ou por se meter na
vida dos outros. Mas, se alguém sofrer por ser cristão, não fique envergonhado,
mas agradeça a Deus o fato de ser chamado por esse nome” (I Pd 4:15, 16).
Por
isso, a conduta de um discípulo de Jesus deve ser coerente com a fé que abraçou:
“Então, de agora em diante, vivam o resto
da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem
dominar pelas paixões humanas. No passado vocês já gastaram bastante tempo
fazendo o que os pagãos gostam de fazer. Naquele tempo vocês viviam na
imoralidade, nos desejos carnais, nas bebedeiras, nas orgias, na embriaguez e
na nojenta adoração de ídolos. E agora os pagãos ficam admirados quando vocês
não se juntam com eles nessa vida louca e imoral e por isso os insultam. Porém eles vão ter de prestar contas a
Deus, que está pronto para julgar os vivos e os mortos” (I Pd 4:2-5).
Perante
a admiração dos não cristãos pela transformação e mudança da nossa vida, conforme
Pedro descreve nas palavras ditas acima, o cristão precisa estar sempre pronto para
defender a sua fé em Jesus: “Tenham no
coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre
prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança
que vocês têm. Porém façam isso com educação e respeito. Tenham sempre a
consciência limpa. Assim, quando vocês forem insultados, os que falarem mal da
boa conduta de vocês como seguidores de Cristo ficarão envergonhados” (I Pd
3:15, 16).
Ao
sofrermos perseguição por causa da nossa fé em Cristo, Pedro ensina que na
perseguição dessa natureza recebemos o privilégio de compartilharmos dos
sofrimentos de Jesus: “Meus queridos
amigos, não fiquem admirados com a dura prova de aflição pela qual vocês estão
passando, como se alguma coisa fora do comum estivesse acontecendo a vocês.
Pelo contrário, alegrem-se por estarem tomando parte nos sofrimentos de Cristo,
para que fiquem cheios de alegria quando a glória dele for revelada. Vocês
serão felizes se forem insultados por serem seguidores de Cristo, porque isso
quer dizer que o glorioso Espírito de Deus veio sobre vocês” (I Pd
4:12-14).
Por
fim, Pedro demonstra que as perseguições contra a nossa fé cristã servem para a
aprovação dessa fé que temos em Jesus: “Essas
provações são para mostrar que a fé que vocês têm é verdadeira. Pois até o
ouro, que pode ser destruído, é provado pelo fogo. Da mesma maneira, a fé que
vocês têm, que vale muito mais do que o ouro, precisa ser provada para que
continue firme. E assim vocês receberão aprovação, glória e honra, no dia em
que Jesus Cristo for revelado” (I Pd 1:7).
Portanto,
nas perseguições à nossa fé em Jesus, aprendemos com Pedro que devemos ter uma
vida exemplar diante dos não crentes, de modo que, nossa conduta deve ser
coerente com a nossa fé em Cristo, sofrendo por fazer o bem, e não o mal, compartilhando
dos sofrimentos de Jesus, e estando sempre prontos para defender a nossa fé. E
assim, quando nossa fé em Cristo recebe aprovação depois de passar pela provação,
ela se torna muito mais firme e sólida, pronta para enfrentar desafios cada vez
maiores para a glória de Deus.
domingo, 24 de março de 2013
O que hoje a páscoa nos anuncia
Estamos
em clima de Páscoa. Mas o que é a Páscoa, afinal de contas? Bem longe de ter algo
a ver com coelhos e ovos de chocolate, no Antigo Testamento a páscoa era a
principal festa do povo de Israel, celebrada uma vez por ano, no dia 14 do mês
de Nisã. Nela, os israelitas comemoravam a saída dos seus antepassados do
Egito. Matavam-se cordeiros ou cabritos no templo e levavam-nos às casas para
comê-los numa ceia especial, para ser desfrutada em família. Durante a ceia,
além do cordeiro, comiam o pão sem fermento, ervas amargas, molho de hissopo,
tomavam do suco da uva e recitavam alguns Salmos e orações. Todas as vezes que
uma família israelita comemorava a Páscoa, essa celebração relembrava e anunciava
uma mensagem de salvação e libertação.
No
tempo de Jesus, todos os judeus deviam ir a Jerusalém para essa festa. Jesus
foi crucificado justamente quando os judeus comemoravam sua páscoa em
Jerusalém. Isso não foi por acaso. Não foi por acidente. Foi por um propósito
divino: anunciar aos judeus uma mensagem de salvação maior do que aquela
anunciada por Moisés na libertação do Egito. A páscoa ordenada por meio de
Moisés celebrava uma libertação temporal. A páscoa anunciada por Jesus celebra
uma libertação eterna. Na páscoa ordenada por meio de Moisés, um cordeiro (animal)
era oferecido anualmente. Na páscoa anunciada por Jesus, Ele mesmo é o Cordeiro
de Deus que tira os nossos pecados de uma vez por todas e para sempre (Jo 1:29;
Hb 7:26-28; Hb 9).
Hoje,
embora a páscoa não deva ser considerada uma festa cristã – uma vez que foi
ordenada pela lei mosaica ao povo de Israel, e não à Igreja de Cristo – pode-se
afirmar que a mensagem da páscoa para nós aponta para uma série de anúncios,
visto que Jesus instituiu a Ceia do Senhor e morreu na época da Páscoa, sendo
Ele mesmo o cumprimento profético da Páscoa (Hb 9:9; 10:1).
A
páscoa é um anúncio da salvação, da vida eterna. Jesus como Cordeiro de Deus
que tira o pecado do mundo morreu pelos nossos pecados. Ele morreu a nossa
morte para vivermos a sua vida! Bem escreveu o apóstolo João que “... Deus amou ao mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a
vida eterna” (Jo 3:16).
A
páscoa também é um anúncio de libertação. Assim como os israelitas eram
escravos do Egito e de Faraó, nós também éramos escravos do pecado, das trevas
e do mundo. Mas, conforme escreveu Paulo, Deus “... nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino
do Filho do seu amor” (Cl 3:1). Pedro
afirma ainda que “... não foi mediante coisas
corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil
procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de
cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (I Pd 1:18, 19).
A
páscoa é um anúncio de perdão. Viemos a este mundo separados de Deus e
espiritualmente mortos por causa do pecado que herdamos de Adão. Éramos
necessitados do perdão divino. Porém, pela nossa fé em Cristo fomos perdoados
por Deus, mediante sua graça e amor. Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso
afirma: “Antigamente vocês estavam
espiritualmente mortos por causa dos seus pecados e porque eram não-judeus e
não tinham a lei. Mas agora Deus os ressuscitou junto com Cristo. Deus perdoou
todos os nossos pecados” (Cl 2:13).
O
perdão de Deus que promove sua salvação é uma ressurreição espiritual. Por isso
que a páscoa é também um anúncio de ressurreição. O mesmo poder de Deus que
ressuscitou a Cristo é aquele mesmo poder que nos transporta da morte para a
vida, conforme escreveu Paulo: “Por
estarmos unidos com Cristo Jesus, Deus nos ressuscitou com ele para reinarmos
com ele no mundo celestial” (Ef 2:6).
Por
fim, por todas essas coisas, a páscoa é um anúncio de esperança. Esperança que
somente os que andam com Cristo podem conhecer. Sobre essa esperança, Paulo
também escreveu: “O plano de Deus é fazer
com que o seu povo conheça esse maravilhoso e glorioso segredo que ele tem para
revelar a todos os povos. E o segredo é este: Cristo está em vocês, o que lhes
dá a firme esperança de que vocês tomarão parte na glória de Deus” (Cl
1:27).
Diante
desses fatos – citando mais uma vez, Paulo, o apóstolo – lembremos sempre que “... Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi
imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o
fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da
verdade” (I Co 5:7, 8).
domingo, 10 de março de 2013
Saiba esperar... Não se precipite
Certa
história, conta de um turista que visitou uma catedral onde um artista
trabalhava em um enorme mosaico. A maior parte da parede continuava vazia à
frente do artista e o turista perguntou: “Não
o incomoda olhar essa imensa parede a ser preenchida? Não o preocupa quanto
tempo ainda vai demorar para terminar?”. O artista respondeu simplesmente: “Eu sei o que posso fazer num dia de
trabalho, então, a cada manhã marco a área que farei naquele dia e preocupo-me
somente com ela. E não me permito preocupar-me com o resto. Eu assumo um dia de
cada vez. E me alegro com o meu trabalho a cada dia. Um dia, o mosaico estará
terminado”.
O
artista dessa história aprendeu o caminho da paciência. A paciência é uma
virtude muito necessária, principalmente no mundo em que vivemos onde as
pessoas não sabem esperar e vivem à procura de satisfação e prazer imediatos.
É
verdade que há situações na vida que não podemos esperar. Há circunstâncias que
exige de nós uma tomada de decisão rápida e urgente. Mas nem sempre é assim.
Para muitas outras situações precisamos aprender a esperar. Os que não sabem
esperar sofrem os resultados de atitudes e escolhas precipitadas.
Quando
falamos da paciência, falamos de espera. E quando falamos de espera falamos de
escolha... A vida é feita de escolhas, e a verdade é que não podemos escolher
tudo que nossos olhos e coração desejam. Quando escolhemos algo em nossa vida,
rejeitamos todas as demais possibilidades... Estamos vivos para aquilo que
escolhemos, mas “mortos” para aquilo que rejeitamos.
Esperar
com paciência é uma escolha. Agir precipitadamente também é uma escolha. Para
cada escolha que fazemos na vida colhemos consequências, boas ou ruins. Em
razão disso, precisamos aprender com Deus a virtude da paciência, do saber
esperar e não se precipitar em nossas decisões.
A
Bíblia nos dá muitos exemplos de gente que não soube esperar. Abraão e Sara não
souberam esperar a promessa da vinda do filho prometido por Deus, e, mediante
sugestão dela, Abraão se deitou com sua escrava Agar em com ela teve um filho,
Ismael (Gn 16:1-5). A precipitação de Abraão e Sara trouxe suas consequências. Houve
dura disputa e rivalidade entre Sara e Agar, e Ismael se tornou o antepassado
dos povos árabes que mais tarde se tornaram um sério problema para os
israelitas.
Outro
exemplo é de Esaú. Na hora da fome, vindo da caçada, vendeu seu direito de
primogenitura ao seu irmão Jacó por um prato de lentilhas (Gn 25:27-33). Esaú não
deu o devido valor à sua posição de primogênito. Precipitou-se ao fazer um
acordo leviano e profano com seu irmão Jacó que se aproveitou de sua fraqueza. Esaú
não teve paciência. Tomou uma decisão extremamente importante num momento de
fraqueza. Decisão que mudou para sempre a trajetória de sua vida. Por fim, Esaú
se arrependeu de sua loucura. Tarde demais. O autor da carta aos Hebreus aponta
que Esaú “foi rejeitado porque não
encontrou um modo de mudar o que havia feito, embora procurasse fazer isso até
mesmo com lágrimas” (Hb 12:17).
A
amarga experiência de Esaú nos ensina que nunca devemos tomar uma decisão
importante quando estivermos irados, com raiva, nos sentindo deprimidos,
confusos, ou quando estamos esgotados física ou mentalmente. Decisões
importantes tomamos quando estamos nos sentindo bem!
Por
outro lado, a Bíblia também aponta exemplos que gente que soube esperar. Gente
que não agiu de modo precipitado em momentos especiais de suas vidas. Davi é um
desses exemplos. Davi, quando estava sendo caçado pelo rei Saul, teve a
oportunidade de tirar a vida do rei, mas não o fez (I Sm 24). Naquele momento crucial
Davi disse consigo mesmo: “O Senhor me
guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão
contra ele, pois é o ungido do Senhor” (I Sm 24:6). Se Davi matasse Saul,
provavelmente seria declarado rei de Israel, mas não no tempo e na vontade de
Deus. Davi foi justo e soube esperar. E na sua espera, foi levantado como rei
de Israel no tempo certo.
Jesus
é o maior exemplo que alguém que soube esperar. Na tentação do deserto o diabo
prometeu para Jesus algo parecido com o que o Pai tinha para Ele. Mateus
descreve que o diabo “levou-o... a um
monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe
disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4:8, 9). Jesus
poderia aceitar a oferta do diabo sem precisar passar pela cruz, porém, Ele
soube esperar... E, na sua espera obediente, Jesus “... subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser
igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo,
tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si
mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que
também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo
nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e
debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória
de Deus Pai” (Fp 2:5-11).
Muita
gente, infelizmente, tem tomado decisões precipitadas em suas vidas. Certamente
você conhece alguém que tenha feito um casamento precipitado, uma sociedade
precipitada, uma aquisição financeira precipitada, e promessas precipitadas que não puderam ser cumpridas mais tarde. Escolhas e decisões precipitadas como essas
trazem prejuízos e dor para aquele que as toma e para aqueles que convivem com
esta pessoa.
Mas
porque as pessoas se precipitam e não sabem esperar no momento de tomarem uma
decisão ou escolha importante? Ora, isso acontece por diversos motivos. Uns simplesmente
não sabem esperar. Querem o que desejam agora! Outros são orgulhosos e querem
impor sua vontade pessoal a todo custo. Há ainda aqueles que se recusam em
ouvir conselhos. Provérbios diz que “sem conselhos
os planos fracassam, mas com muitos conselheiros há sucesso” (Pv 15:22). Há
também aquela pessoa que é cegada pela paixão, que se casa precipitadamente,
mesmo que todas as evidências demonstrem que fará um mau casamento. É quando a
paixão fala mais alto que a razão...
Como
já disse, é verdade que há situações na vida que não podemos esperar.
Precisamos agir com rapidez, tomar decisões urgentes. Porém, em muitas outras
circunstâncias precisamos saber esperar. A Bíblia, através do mesmo Davi citado
anteriormente, nos ensina como devemos esperar: “Esperei com paciência pela ajuda de Deus, o SENHOR. Ele me escutou e
ouviu o meu pedido de socorro” (Sl 40:1).
Portanto,
esperemos com paciência!
segunda-feira, 4 de março de 2013
A Bíblia é uma fraude ou é digna de toda confiança?
Dias
atrás ouvi alguém dizer que os escritos da Bíblia conforme os conhecemos hoje
foram traduzidos para as línguas atuais conferindo-se um significado diferente daquele
pretendido pelos textos originais. Interessante é que a pessoa que fez tal
declaração não possui conhecimento acadêmico-teológico para dizer tal coisa. O
problema é que tantas e tantas outras pessoas igualmente acabam por reproduzir
falsas ideias da Bíblia sem procurar sinceramente saber o que está por trás
daqueles que a atacam para desacreditá-la, e o que pensam os estudiosos que
amam a Bíblia e estudam seus textos originais com seriedade e rigor científico.
Diante dessa controvérsia, a Bíblia é uma fraude ou é digna de toda a nossa
confiança?
A
Bíblia é um livro extraordinário. Aliás, não é “um” livro qualquer, mas é O
LIVRO. A Bíblia foi escrita por cerca de 40 autores de diversas formações e
cultura – príncipes, pastores, generais, juízes, profetas, reis, um coletor de
impostos, um médico, pescadores, um fabricante de tendas – num espaço de mais
ou menos 1500 anos, de Moisés ao apóstolo João. Mesmo diante desses números, a
Bíblia é completa em unidade e harmonia, perfeita do ponto de vista de Deus,
sendo Jesus Cristo a figura central da Bíblia. Por isso, podemos dizer que a
Bíblia é cristocêntrica. Nisto, vemos a influência divina na composição desse
livro tão extraordinário e sem igual.
Bem,
primeiramente temos que entender um pouco da história da Bíblia. O historiador
judeu Flavio Josefo (37-110 d.C.) informa-nos que o cânon do Antigo Testamento –
tal qual conhecemos hoje – foi essencialmente fechado por volta de 465-425 a .C. na época de Esdras. É
amplamente admitido que o cânon de 39 livros do Antigo Testamento hebraico era
universalmente aceito nos dias de Jesus e dos apóstolos.
Os
pergaminhos do Mar Morto, manuscritos escritos em hebraico, aramaico e grego,
foram encontrados em 1947 em várias cavernas do deserto da Judéia e representam
uma das descobertas arqueológicas mais sensacionais e uma das mais importantes
de nossa época. Mais da terça parte desses pergaminhos são livros do Antigo
Testamento, e são pelos menos 1.000 anos mais antigos que os manuscritos mais antigos
do AT conhecidos até então. Comparando os textos dos pergaminhos do Mar Morto
com os manuscritos escritos 1.000 anos depois, pouquíssimas diferenças são
encontradas, o que demonstra o cuidado dos judeus nas cópias que eram
produzidas de geração em geração.
O
Novo Testamento foi escrito em grego e completado em menos de 100 anos, pois
seu último livro, o Apocalipse, foi escrito por João cerca de 96 d.C. No tempo
dos apóstolos, a Igreja primitiva aceitava os livros do Antigo Testamento como
dotados de autoridade e inspiração divina. O AT era a Bíblia dos primeiros
cristãos. Mas, durante a Era Apostólica, algumas das epístolas de Paulo e um ou
mais evangelhos já eram aceitos também como Escritura inspirada (Veja II Pd
3:15, 16). No começo do segundo século, os quatro evangelhos, treze epístolas
de Paulo, as epístolas de I João e I Pedro, e o Apocalipse, já eram recebidos
como Escrituras. Durante o terceiro século, eram aceitos quase universalmente
todos os vinte e sete livros do NT, com exceção da epístola de Tiago. Contudo,
alguns aceitavam essa epístola também. Por fim, o concílio de Cartago, reunido
em 397 d.C., determinou a aceitação dos 27 livros do NT, decretando que “fora das Escrituras canônicas, nenhum outro
livro deve ser lido nas igrejas como Escritura divina”.
Na
formação do Novo Testamento, os cristãos das gerações seguintes a dos doze apóstolos,
estabeleceram certos critérios para que um escrito fosse aceito como integrante
do cânon do NT. O primeiro critério estabelecia que o livro deveria expor com
clareza e autoridade a vontade de Cristo e ser fiel às suas doutrinas.
Evangelhos e epístolas que constavam heresias foram considerados apócrifos e
por isso foram rejeitados pelas igrejas. O segundo critério determinava que o
nome do livro deveria se referir realmente ao nome do seu autor. Muitos livros
apócrifos tinham o nome de apóstolos que na verdade nunca os havia escrito e
por isso foram rejeitados. Terceiro: o livro deveria ser da autoria de um dos
doze apóstolos (Ex: Pedro e João), do apóstolo Paulo, ou de um dos discípulos desses
apóstolos (Ex: Lucas e Marcos). Isto é, o livro tinha de possuir autoridade
apostólica. Finalmente, o livro deveria ter uso e circulação universal. Livros
que não circulavam ou não eram aceitos pela maioria das igrejas foram
rejeitados. Esses critérios asseguram a originalidade e a confiabilidade dos
livros do Novo Testamento.
A
quantidade imensa de manuscritos antigos da Bíblia – encontrados em várias
partes do mundo antigo – também nos asseguram que temos em mãos escrituras
sagradas que foram preservadas tais quais como foram originalmente escritas. Os
manuscritos originais que foram escritos, tanto pelos autores do NT quanto do
AT, antes que se estragassem, foram copiados com muito cuidado. Depois, no
decorrer dos anos, essas cópias foram novamente copiadas, e assim por diante. A
princípio, quando indivíduos e igrejas particulares desejavam cópias, um leitor
ditava com base em um exemplar para uma sala repleta de copistas. Hoje, há mais ou menos cinco mil manuscritos gregos do Novo
Testamento. Acrescente-se a esse número mais de dez mil manuscritos da Vulgata
Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos hoje mais de vinte e quatro mil cópias de porções do
Novo Testamento.
Obviamente
que queremos saber quais eram as palavras exatas do NT original. E por isso, há
pessoas academicamente preparadas que dedicam muito tempo ao estudo dos
manuscritos para chegar à conclusão de qual seja o Texto mais exato. Precisamos
compreender que qualquer
mensagem tem duas partes: o significado
e a forma em que é comunicada. Desse
modo, uma tradução dos textos bíblicos precisa ter o mesmo significado dos
textos originais. Mas, além de ter o mesmo significado, precisa também ter uma forma
clara e natural. Se a tradução é para o português, deve ser um português claro
e natural. Por exemplo: na língua terena (língua indígena do Brasil) é natural
dizer: “Maria coéha ne enjóvi”.
Tradução: “Maria se chama minha irmã”. Aqui a tradução seguiu a ordem da língua
terena. É possível entender, mas não é natural. Então não é uma tradução tão
boa quanto essa: “Minha irmã chama-se Maria”. Agora, está claro e natural.
Podemos
comparar uma mensagem a um copo d’água. A água representa o significado, e copo representa a forma. Se colocarmos a água em um prato,
a água é a mesma, ainda que seja outro objeto de forma diferente que a contém.
A coisa importante é a água (o significado); o recipiente (a forma) é menos
importante. Assim são as diferentes traduções da Bíblia: são formas diferentes
de expressar o mesmo significado da Palavra de Deus. Portanto, é o significado
que precisa ser o mesmo do original; a forma
deve ser natural em português.
O
trabalho dos tradutores da Bíblia, oriundos de vários países do mundo, é um
trabalho sério de séculos de história. O trabalho de tradução da Bíblia é uma ciência
realizada por estudiosos com conhecimento acadêmico e científico nas diversas
áreas do conhecimento humano. Esses eruditos são conhecedores das línguas originais,
das culturas, da arqueologia e da história das sociedades do mundo bíblico
antigo. A árdua tarefa da tradução dos
textos bíblicos tem sido constantemente aperfeiçoada e melhorada de tempos em
tempos, sem nunca alterar o significado dos textos originais.
Alguém
pode não concordar com os ensinamentos, os valores e os princípios da Bíblia.
Porém – diante dos fatos aqui expostos – afirmar que o que a Bíblia diz não é exatamente o que ela está querendo
dizer, com o argumento que a
tradução dos textos originais está equivocada, isto é um sofisma leviano de
leigos mal intencionados que não sabem o que falam e que procuram destruir a
todo custo a credibilidade da Bíblia.
Vale
ainda ressaltar que tudo o que expus até aqui se baseou numa busca racional na
defesa da Bíblia como digna de toda confiança. Porém, ainda assim, a razão quando comparada com a revelação
divina, é falível e limitada. Sobretudo, a Bíblia é um livro espiritual e
sobrenatural, assim sendo, para compreendê-la é necessário muito mais que a razão;
são necessários a fé e relacionamento com Deus (I Co 2:14). A respeito da
natureza espiritual da Bíblia, sua inspiração e revelação divina... Bem, isso
fica para outra oportunidade...
Termino com as palavras de Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e
útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na
justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado
para toda boa obra” (II Tm 3:16, 17).
Fontes de pesquisa:
Bíblia de Referência Thompson. Editora Vida.
“Evidência que exige um veredito”. Josh
McDowell. Editora Candeia.
“Versões
da Bíblia”. Elizabeth Muriel Ekdahl. Edições Vida Nova.
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